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Superfood made in Brazil: como a Mahta quer transformar os ingredientes amazônicos em sinônimo de superalimentos

Dani Rosolen - 5 out 2026 Max Petrucci, fundador e CEO da Mahta.
Max Petrucci, fundador e CEO da Mahta.
Dani Rosolen - 5 out 2026
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Se você perguntar a um brasileiro o nome de algum superalimento, quem tiver uma resposta na ponta da língua provavelmente vai citar um ingrediente estrangeiro, como goji berry ou maca peruana. O que é irônico, considerando que o Brasil concentra a maior biodiversidade do planeta, com insumos como açaí, bacuri, cupuaçu, castanha e tantos outros.

“A gente vê um monte de influencers estrangeiros falando de superfoods que são exóticas. Se conhecessem a Amazônia, com certeza falariam muito mais dos nossos ingredientes”

Foi tentando dar visibilidade a esses insumos — e, ao mesmo tempo, numa busca pessoal por melhorar a própria saúde — que Max Petrucci fundou a Mahta, uma empresa que transforma ingredientes da floresta em produtos de nutrição funcional e regenerativa.

A marca foi pauta aqui no Draft em 2022, quando havia lançado seu primeiro item. De lá para cá, muita coisa aconteceu: a Mahta aumentou o portfólio, atraiu investimento, começou a estruturar sua mensuração de impacto e agora se prepara para dar um passo internacional.

DO SHAKE AO LEITE VEGETAL, O CATÁLOGO DA MAHTA ENCORPOU

A proposta da Mahta é gerar impacto por meio da alimentação, com produtos sem ingredientes artificiais, sem adição de açúcares, sem glúten e sem lactose. Max afirma:

“A ideia é oferecer a melhor nutrição do planeta, que gera impacto não só para quem consome, mas também para quem produz, sendo regenerativa de ponta a ponta”

A primeira validação veio com a estreia do portfólio, em 2022. O Shake de Superfoods Amazônicos (R$ 189,97) é um suplemento em pó para misturar com água, que reúne 12 superalimentos amazônicos e fornece 14 gramas de proteína por porção e 8,5 de fibras. 

“É um produto que eu sempre quis consumir, mas não existia, então decidi fazer”, diz o fundador. A fórmula está disponível em dois sabores: cacau com cupuaçu e cumaru; e açaí com camu-camu.

O segundo produto, lançado no final de 2023, foi o Mahta Milk (R$ 109,72), um leite vegetal em pó à base de castanha-do-Brasil, inulina de chicória e cálcio de algas. 

“É uma alternativa aos leites vegetais de caixinha, que são predominantemente feitos de aveia e acabam não aproveitando esse ingrediente em sua forma integral, pois o grão é espremido e fica só o que tem de menos nobre, o amido”

Segundo Max, como essas bebidas têm grande quantidade de água, o formato em pó reduz a necessidade de transporte e de embalagens Tetra Pak usadas por litro. Cada pacote de 240 gramas do Mahta Milk rende até cinco litros da bebida.

O LANÇAMENTO MAIS RECENTE É UMA BARRINHA QUE COMBINA DEZ INGREDIENTES AMAZÔNICOS

Outra criação da marca é o Mahta Coffee (R$ 154,90), uma bebida funcional solúvel nas versões original ou sabor cacau selvagem.

Max diz que já era consumidor de super coffees quando buscou criar sua própria versão. O produto combina café verde agroflorestal de Apuí, guaraná de Maués, marapuama e outros ingredientes, como um TCM (Triglicerídeos de Cadeia Média) exclusivo da marca e fibras prebióticas. 

O lançamento mais recente é a Mahta Bar, uma barrinha que combina dez ingredientes amazônicos e fornece 12 gramas de proteína e 11 gramas de fibras por unidade. A ideia é servir como fonte de energia antes ou depois dos treinos.

“Demorou bastante, em termos de P&D, para a gente chegar nesse tripé que é fundamental para todos os nossos produtos: ser mais nutritivo, mais gostoso e mais saudável do que uma versão convencional”

A Mahta Bar (R$ 161,10 a caixa com nove unidades) é vendida nos sabores cacau selvagem e açaí com camu-camu. Um terceiro sabor, ainda não revelado, deve chegar ao mercado em outubro.

A MARCA GERA RENDA PARA COOPERATIVAS APROVEITANDO INSUMOS ANTES DESCARTADOS

A expansão do portfólio veio acompanhada de um esforço contínuo de pesquisa e desenvolvimento. Segundo Max, é muito mais complexo trabalhar com ingredientes amazônicos do que com sintéticos ou commodities já disponíveis no mercado.

“Fórmulas baseadas em insumos sintéticos são mais baratas, mais fáceis de encontrar e copiar. Já tudo que se faz de forma inovadora dá muito mais trabalho, exige testes e otimização constante. Mas é justamente esse o diferencial da Mahta.”

Ele diz perceber uma mudança no comportamento dos consumidores, que estariam mais abertos a conhecer ingredientes e alimentos inovadores. 

“A floresta é muito biodiversa, tem um monte de coisas boas, que até então a ciência e o mercado desconheciam. E a Mahta está trazendo a comprovação científica de que esses ingredientes regenerativos naturais amazônicos têm uma densidade nutricional [mais nutrientes e menos calorias] muito maior do que qualquer sintético”

Hoje, a atuação da marca alcança seis estados e 15 microrregiões do bioma amazônico. E foi com a RECA, de Rondônia, que tudo começou.

A empresa passou a comprar do projeto a “torta da castanha”, refugo da prensagem das amêndoas antes descartado após a extração do óleo para a Natura. A Mahta utiliza esse material na produção de um ingrediente altamente proteico para seus produtos em pó, gerando mais renda para a cooperativa. “Esse trabalho só se fortalece: estamos abrindo junto com eles mais ingredientes, fazendo vários trabalhos de controle de qualidade e projetos de inovação.”

Depois da RECA vieram outras, como a Coopavam, de Mato Grosso. Hoje, são seis grandes cooperativas que fornecem 25 ingredientes do bioma amazônico, presentes em 18 cadeias de valor. Desde 2022, foram 75 toneladas de insumos movimentadas pela Mahta, sendo que 66% é beneficiada dentro da própria Amazônia e 35% vêm exclusivamente de negócios de base comunitária, como cooperativas e associações, envolvendo cerca de 1.700 famílias. “Este ano, devemos faturar 20 milhões de reais; hoje, cerca de 9% retorna para a floresta.”

A empresa é certificada pelo Sistema B. Nesses quatro anos de operação, os ingredientes amazônicos utilizados pela Mahta representam uma pegada de conservação florestal de 3.700 hectares e a meta é chegar a 10 mil até 2035.

Um acordo firmado recentemente com a Natura Ingredientes — startup criada pela Natura para fornecer a terceiros matérias-primas e bioativos rastreáveis da biodiversidade amazônica a partir de uma cadeia desenvolvida pela companhia de cosméticos — deve facilitar o acesso aos insumos. “Essa parceria foi uma convergência natural, porque existe muita sinergia na forma como as duas empresas operam.”

EM OUTUBRO, A PRESENÇA EM UMA FEIRA DE ALIMENTOS DEVE MARCAR O DESEMBARQUE DA MAHTA NA FRANÇA

Em agosto de 2025, a Mahta anunciou a captação de 20 milhões de reais do Fundo de Biodiversidade da Amazônia, gerido pela Impact Earth. O recurso, diz Max, foi destinado à pesquisa e ao desenvolvimento de novos produtos, ao fortalecimento das cadeias produtivas da floresta e à expansão da empresa.

O aporte também abriu espaço para estruturar uma frente de mensuração de impacto, liderada por Luciana Villa Nova, ex-Natura, além de reforçar a área de P&D e apoiar a entrada da Mahta no varejo. Hoje, segundo Max, a empresa tem mais de 60 mil clientes, cerca de 3 mil assinantes mensais e presença em pontos de venda físicos, embora a venda direta digital ainda seja seu principal canal.

A meta é transcender o território brasileiro, transformando a Mahta em referência global em nutrição baseada na floresta. “Vamos participar da SIAL, uma das maiores feiras de inovação da indústria de alimentos, que acontece em Paris”, diz Max.

A presença no evento, entre 17 e 21 de outubro, deverá marcar a entrada da Mahta na França e o início de sua internacionalização. Nas palavras de Max, esse passo é consequência de uma tese que amadureceu ao longo dos últimos anos: a de que a Amazônia deve ser vista como território de conservação, mas também como fonte de inovação, desenvolvimento e geração de riqueza para quem ajuda a manter a floresta em pé.

“Quanto mais a gente vender Mahta, mais a gente regenera a saúde das pessoas, a abundância socioeconômica das comunidades que produzem nossos ingredientes e o bioma amazônico.”

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