• Camada_1
  • LOGO_DRAFTERS_NEGATIVO
  • VBT_LOGO_NEGATIVO
  • Logo

“O futuro aponta para o Norte”: o mote do FIINSA em 2026 reforça a importância de valorizar soluções que já nascem no território

Dani Rosolen - 28 out 2026 A partir da esq.: Paola Bleicker, Mariano Cenamo (em memória), Carlos Koury, André Vianna, Marcus Bessa e Juliana Teles na edição do FIINSA de 2024.
A partir da esq.: Paola Bleicker, Mariano Cenamo (em memória), Carlos Koury, André Vianna, Marcus Bessa e Juliana Teles na edição do FIINSA de 2024.
Dani Rosolen - 28 out 2026
COMPARTILHAR

Durante anos, o potencial da Amazônia foi tema de debates realizados longe da região. O FIINSA (Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia) nasceu para mudar essa lógica. 

Criado em 2018, o evento é promovido a cada dois anos pelo Idesam e pelo Impact Hub Manaus e surgiu da percepção de que era preciso fortalecer as conexões entre quem empreende, investe e atua no território.

“Naquela época, a gente percebia que existia uma discussão da Amazônia fora da Amazônia, naturalmente porque as organizações que financiavam os negócios da região com mais robustez estavam fora e, provavelmente, também por uma questão logística”, conta Juliana Teles, cofundadora do Impact Hub Manaus. Ela completa:

“As organizações locais começaram a se questionar: ‘Por que a gente não fala de Amazônia na Amazônia?’. Então, foi muito mais um movimento de mudar o local do que necessariamente os atores envolvidos no debate” 

Para André Luiz Menezes Vianna, diretor técnico do Idesam, um dos diferenciais está justamente no envolvimento de quem participa.

“A gente sempre ouve que o festival funciona como um momento de encontro em que as pessoas se sentem parte do evento. E há presenças diversas, de financiadores, dinamizadores, governo a empreendedores, em busca de fortalecer o ecossistema de impacto” 

De 3 a 5 de novembro, Manaus recebe a quarta edição do FIINSA, que terá novidades na programação, mas mantém o propósito: aproximar diferentes atores e fortalecer negócios e soluções de impacto voltados ao desenvolvimento sustentável da região.

DE FÓRUM A FESTIVAL: A EVOLUÇÃO DO FIINSA

Na primeira edição, ainda como um fórum, o FIINSA reuniu 200 participantes. Juliana lembra que já nesse início foi feito um mapeamento dos negócios de impacto da região.

“Esse ecossistema ainda estava começando a ganhar corpo, então acabamos mapeando mais organizações do que negócios de impacto.”

O evento promoveu ainda a primeira edição do Mercado FIINSA, uma feira criada para dar visibilidade a marcas, ingredientes e produtos da sociobiodiversidade da Amazônia. Na ocasião, foram expostos 12 produtos associados a organizações. 

O FIINSA também encabeçou uma dinâmica, inspirada em programas de investimento estilo Shark Tank, que pôs empreendedores diante de uma banca de investidores.

“Um dos negócios que participou é um super case do ecossistema, a Manioca [pautada aqui no Draft em 2022], que conseguiu ali um de seus primeiros investimentos”

Em 2020, o evento não aconteceu por conta da pandemia, retomando suas atividades em 2022, com mais de 400 participantes, e uma mudança no formato, como destaca a cofundadora do Impact Hub Manaus:

“O FIINSA passou de fórum a festival para mostrar toda a diversidade e potencialidade da região. Além da espinha dorsal, que são os painéis, buscamos trazer todas as manifestações ao redor disso, como exposições artísticas e outras atividades”

Na terceira edição, em 2024, mais de 800 pessoas compareceram e cerca de 50 marcas participaram do Mercado FIINSA. Para André, esse crescimento é um forte indício de evolução:

“Isso mostra a qualificação do ecossistema, que desenvolveu produto, embalagem e conseguiu acessar mercado, transformando esse potencial de Amazônia, que ainda é muito de commodity, em produtos finais”

Houve também, segundo Juliana, um equilíbrio, com 50% dos participantes da região Norte e a outra metade de outras partes do Brasil.

“Esse intercâmbio é muito relevante para que essas trocas aconteçam. Entendemos que o FIINSA é cada vez mais um evento do ecossistema, para o ecossistema e sobre o ecossistema.” 

Em 2025, uma edição extraordinária, de apenas um dia, foi realizada, em Belém, aproveitando a agenda da COP30.

O NORTE NO CENTRO DAS CONVERSAS

“O futuro aponta para o Norte” é o tema da quarta edição. A frase, diz André, sintetiza uma provocação dos organizadores.

“Queremos mostrar que enquanto outros lugares estão debatendo sobre o Norte, o território está fazendo e já vinha fazendo muita coisa” 

A proposta se traduz também no foco do festival: “A gente tenta ser menos institucional e dar mais voz às pessoas que não têm visibilidade em outros cenários, mas estão em campo atuando em diferentes frentes”, conta Juliana.

A programação de 2026 de divide em seis trilhas temáticas: Enraizar (negócios comunitários); Escalar (empreendimentos de impacto na Amazônia); Regenerar (clima, regeneração e serviços ambientais); Inovar (tecnologia, dados e inovação); Estruturar (políticas públicas e território); e Encantar (economia criativa, turismo e cultura).

Como nas outras edições, o evento promoverá o Mercado FIINSA, que terá uma parceria com a Bemol, maior rede varejista da região amazônica.  

DE EXPERIÊNCIAS IMERSIVAS A PAINÉIS E MOMENTOS DE CONEXÃO

O primeiro dia do FIINSA, 3 de novembro, será dedicado a experiências imersivas no território. São oito opções relacionadas às trilhas temáticas, entre elas visitas ao MUSA (Museu da Amazônia) ou a dobradinha no Centro de Bionegócios da Amazônia e no Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial.

Nos dois dias seguintes, 4 e 5 de novembro, estão previstos painéis com 178 palestrantes — 99 mulheres e 79 homens — sobre temas como bioeconomia, deep techs, clima, carbono, pagamentos por serviços ambientais, políticas públicas e desafios de acesso ao mercado e investimento. O diretor técnico do Idesam comenta esse último ponto:

“Para negócios comunitários, por exemplo, existem obstáculos que esbarram em encontrar prestadores de serviços numa cidade do interior quando um equipamento quebra e até mesmo a questão do relacionamento com os compradores sobre o prazo para pagar.” Juliana complementa essa visão:

“Falta uma intencionalidade de quem tem, entre aspas, mais poder – que é o do dinheiro, seja pela compra ou investimento – de começar a entender se realmente quer estar na agenda de impacto e se adaptar em alguns aspectos. E do lado de quem oferta, perceber que não basta ter um bom produto e o nome da Amazônia, se não tiver um preço competitivo e um poder de entrega”

Para discutir formas de destravar esse tipo de gargalo, uma das agendas trará representantes do Tesouro Nacional e de bancos em debates sobre o mecanismo de investimento Eco Invest.

A programação inclui ainda o pitch reverso, em que fundos apresentam suas teses de investimento aos empreendedores, e a segunda edição do matchmaking, com encontros direcionados entre negócios, compradores e investidores. 

CONEXÕES QUE ABREM CAMINHOS  E OS PLANOS PARA 2028

Todas essas trocas programadas para os três dias do FIINSA podem trazer resultados posteriores ao evento. Juliana cita Jamba Sinimbu, Tremendão e Local Hostel como iniciativas que conseguiram investimentos a partir do festival. Mas os impactos dessas conexões se traduzem também de outras formas:

“A gente escuta das pessoas que o FIINSA muitas vezes ajudou a mudar a visão sobre o ecossistema de impacto. Elas entraram ali sem saber muito o que era e receberam um banho de conteúdo e até de inspiração sobre o que existe e o que dá para fazer”

As interações também acontecem fora da programação, em encontros, cafés, jantares e outros eventos paralelos organizados durante o período do festival. “Isso é um indicativo positivo dessa rede que está sendo criada”, diz André.

A edição 2026 do FIINSA ainda nem aconteceu, mas os organizadores já estão com a cabeça no aniversário de dez anos, a serem completados em 2028. “Não é só um marco para o festival, mas um momento para celebrar o ecossistema de impacto amazônico, que teve vários movimentos a partir do evento”, afirma Juliana.

Até lá, o plano é ampliar a autonomia e a relevância do festival,  avançar na mensuração dos resultados e fortalecer a presença de representantes da Pan-Amazônia (em 2026, está confirmada uma delegação de quase 20 pessoas de outros territórios, entre participantes e painelistas). 

Enquanto o futuro não chega, a dupla acumula aprendizados com o que foi realizado até aqui. O principal: paciência para ver as mudanças acontecerem. 

“A Amazônia tem um potencial enorme, mas também enfrenta desafios à altura”, diz Juliana. “A gente entende que as transformações levam tempo e exigem o comprometimento verdadeiro dos atores envolvidos.”

COMPARTILHAR

Confira Também: