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Um mergulho na história da Sympla, a maior plataforma de eventos online do país

Ana Paula Machado - 2 maio 2017 Equipe da Sympla: a maior plataforma de eventos online do país tem hoje 130 funcionários, sediados em Belo Horizonte.
Equipe da Sympla: a maior plataforma de eventos online do país tem hoje 130 funcionários, em cinco capitais.
Ana Paula Machado - 2 maio 2017
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Rodrigo Cartacho, 36, é empreendedor serial desde bem jovem. Aos 17 anos, o mineiro de Belo Horizonte já estava tentando abrir sua primeira empresa, uma produtora cultural. Depois dela ainda viriam outros negócios antes do atual. De alguma forma, mesmo sem saber, ele já começou atuando em um setor bem próximo ao de eventos, no qual se tornaria uma referência no país como CEO da Sympla, plataforma digital de venda de ingressos e gestão de eventos que existe desde 2012 e ficou ainda mais folgada na liderança do segmento ao após comprar a concorrente Eventick, no fim do ano passado.

Ao longo de sua história, a Sympla já vendeu mais de 9 milhões de ingressos para eventos realizados em mais de 2 000 cidades diferentes. A plataforma tem cerca de 25 mil produtores de eventos cadastrados e, segundo Rodrigo, vende em média 12 ingressos por minuto. No início deste ano bateu seu recorde de atividade com 8 000 eventos simultâneos acontecendo. Mas antes de falarmos mais da Sympla e de como ela alcançou tudo isso, é bom entender como tudo começou.

Logo depois de se formar em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), Rodrigo decidiu ir morar e estudar fora do país. Escolheu Barcelona como ponto de partida. Lá, enquanto se especializava em um MBA de gestão de turismo o bichinho do empreendedorismo o picou novamente, e ele decidiu abrir um albergue na cidade. O negócio não foi adiante como ele queria. Ele conta que administrar o albergue foi “a maior lição que teve”:

 “A maior barreira de empreender no exterior é justamente a falta de conhecimento da cultura local. Saber lidar com as regras e as pessoas em outro país, não é fácil”

Ao todo Rodrigo passaria nove anos fora do país, empreendendo em outros negócios, ganhando jogo de cintura e mais experiência. Em paralelo a isso, seu irmão mais velho, Marcelo Cartacho, 41, e o amigo David Tomasella, 37, trabalhavam no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e receberam uma demanda de desenvolver um sistema para eventos do Banco. Pesquisando referências no mundo, identificaram uma oportunidade de negócio ao perceber que não havia uma solução digital para fazer gestão de eventos como a que eles estavam trabalhando no Brasil. Como o Rodrigo tinha esse perfil empreendedor, Marcelo e David levaram a ideia para ele e o convidaram para tocar o projeto junto com eles.

Os hoje sócios na Sympla Marcelo Cartacho e David Tomasella eram do BID e chamaram Rodrigo (ao centro) para empreender juntos.

Os hoje sócios na Sympla Marcelo Cartacho e David Tomasella eram do BID e chamaram Rodrigo (ao centro) para empreender juntos.

Estava dada a largada. E sem investidor externo, como conta Rodrigo: “O investimento inicial na Sympla foi irrisório. Crescemos com o próprio negócio”. Ele prossegue, e conta que somente quando já estavam estruturados e faturando, receberam um aporte de 230 mil reais de um grupo de investidores-anjo. “Mas a entrada desses recursos só foi possível porque analisamos que fazia sentido essa participação”, diz. Em seguida, fala de como ele e os sócios enxergam esses movimentos:

“Para nós, 2+2 deve resultar em 5 ou 6. Só faz sentido uma aquisição ou uma fusão se ela somar ao nosso modelo de negócio”

Rodrigo também fala de como o fato de estarem em Belo Horizonte trouxe vantagens ao negócio: “Aqui existe uma a comunidade muito forte. É um ambiente muito propício para a abertura de startup. Há muita troca de conhecimento isso é muito importante para quem está começando. Além de ser muito mais barato manter uma empresa aqui do que em São Paulo, por exemplo”.

DO IT YOURSELF

A Sympla é uma plataforma “do it yourself”, em que os produtores fazem a gestão completa dos seus eventos (que podem ser show, cursos, palestras, conferências etc). O organizador pode criar uma página personalizada, ter o controle inteligente de seus participantes, vender ingressos digitais e físicos e realizar o check-in dos participantes. Também é possível gerenciar os canais de venda de forma integrada e acompanhar os resultados das ações por relatórios em tempo real.

O segredo da plataforma da Sympla é ter funcionalidades fáceis de entender e controlar.

O segredo da plataforma da Sympla é ter funcionalidades fáceis de entender e controlar.

O modelo de negócios da Sympla se baseia em uma taxa cobrada a cada ingresso vendido. Nos eventos gratuitos, não há taxa. Nos eventos pagos, 10% do valor do ingresso ficam com a plataforma (o faturamento vem daí, serem descontados custos de processamento dos pagamentos e outras deduções). Além disso, há uma opção de soluções customizadas para eventos de médio e grande porte, contratados por meio do Sympla Pro.

Desde o início das operações, a empresa cresce mais de 160% ao ano. Para se ter ideia, em 2016, a plataforma movimentou 118 milhões de reais em vendas online — um crescimento de 180% em relação ao ano anterior.

CRESCER, CRESCER

Como em qualquer startup, a regra aqui também é crescer, crescer. Em junho do ano passado, a Sympla recebeu um aporte de 13 milhões de reais da Movile, multinacional brasileira líder em mobile commerce na América Latina (detentora do iFood e da PlayKids, entre outras startups) e viu na Sympla um futuro interessante. O investimento será usado para desenvolver novas funcionalidades e em melhorias na tecnologia já empregada. Além de aquisições, como a da concorrente. Rodrigo fala da estratégia:

“A compra da Eventick é um passo muito importante no fortalecimento do mercado de plataformas de eventos no Brasil e consolida uma jornada de crescimento do setor”

Para ele, a chegada da nova empresa vai permitir à Sympla levar a ainda mais produtores e compradores pelo país uma experiência de compra e gestão de eventos “moderna, simples, ágil e confiável”.

A Sympla tem sede em Belo Horizonte, mas está presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e  Goiânia. Ao todo, emprega 130 funcionário. Ainda este ano, a plataforma deve expandir sua atuação em outras duas cidades do País, especialmente na região Sul. No médio prazo, Rodrigo vislumbra a Sympla atuando em dez novos municípios no Brasil (triplicando a presença, portanto). E, para este ano, a expectativa do CEO é ver sua empresa movimentar 250 milhões de reais. “Essa perspectiva foi traçada com base em nosso crescimento orgânico. Não está em nosso radar fazer novas aquisições”, afirma.

Apesar da meta ambiciosa ele pondera. Diz que a vida em uma startup é muito dinâmica e, portanto, é difícil fazer um planejamento mais detalhado de ações. “Para este ano queremos consolidar a nossa participação no mercado brasileiro. Temos fôlego para crescer muito ainda”, conta. Não vão faltar eventos.

DRAFT CARD

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  • Projeto: Sympla
  • O que faz: Plataforma para venda de ingressos e gestão de eventos online
  • Sócio(s): Rodrigo Cartacho, Marcelo Cartacho e David Tomasella
  • Funcionários: 130
  • Sede: Belo Horizonte
  • Início das atividades: 2012
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected]
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