Verbete Draft: o que é Design Generativo

Isabela Mena - 14 set 2016 A luminária Dahlia, do artista finlandês Janne Kyttanen, é um exemplo da aplicação do design generativo.
A luminária Dahlia, do artista finlandês Janne Kyttanen, é um exemplo da aplicação do design generativo.
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

DESIGN GENERATIVO

O que acham que é: Alguma coisa que só interessa a designers.

O que realmente é: Design Generativo é o processo que usa programação (portanto, computadores) para potencializar a criação de produtos, imagens etc. Ele oferece a designers gráficos e de produtos, arquitetos, artistas e projetistas a possibilidade de inventar novas e mais eficientes opções, indo além da capacidade humana. Segundo Raul Arozi, técnico especialista em manufatura da Autodesk (empresa que desenvolve softwares), o Design Generativo começa com o estabelecimento dos objetivos do projeto e, em seguida, explora todas as possíveis permutações de uma solução para encontrar a melhor opção. “Usado a computação em nuvem, o software avalia milhares de escolhas de design e projeto, testando configurações e aprendendo, a partir de cada interação, o que pode ou não funcionar”, diz.

Gil Barros, professor do departamento de Tecnologia da Arquitetura da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) conta que, basicamente, Design Generativo tem a ver com projetar algo sem pensar diretamente no objeto final, mas, sim, nas regras que podem gerar esse objeto e, então, “brincar” com essas regras para a obtenção de muitas variantes de objetos finais. “A partir daí pode-se fazer uma seleção e retroalimentar o processo com novas regras ou modificando valores (parâmetros) para gerar novos objetos. E fazer isso sucessivamente como uma forma de ‘encontrar’ um produto final que seja adequado.”

Ainda segundo Barros, o Design Generativo utiliza de forma satisfatória a capacidade do computador que pode gerar alternativas incansavelmente. “Se pedirmos para o computador cruzar 100 opções com outras 100, gerando 10 000 variantes, ele não reclama e o faz de forma obediente. Usar a inteligência humana para isso não seria a melhor opção.”

Um trabalho acadêmico de graduação publicado no site da FAU, Design Generativo – Estudo exploratório sobre o uso de programação no Design, dá uma ideia do que é esse processo aplicado a peças visuais. Uma delas, por exemplo, simula o crescimento natural de algumas plantas, fungos, cristais, raios (descarga elétrica) e minerais.

Quem inventou: Não se sabe ao certo. O arquiteto italiano Celestino Soddu, professor de Generative Design na universidade Politecnico di Milano é considerado um dos precursores do processo.

Quando foi inventado: Não se sabe ao certo. Em 1986, Soddu desenvolveu seu primeiro software de Design Generativo para criar modelos de indefinidas variações em 3D de típicas cidades medievais italianas.

Para que serve: Para explorar infinitas possibilidades em questões de design ou arquitetura. De acordo com Barros, ao combinar a capacidade do computador com alguns algoritmos que geram padrões semelhantes aos padrões vistos na natureza, também pode-se gerar formas orgânicas e únicas, baseadas em uma mesma regra. “Ou seja, temos uma aleatoriedade similar à da natureza, onde todas as folhas de uma árvore são parecidas entre si, mas são únicas, de estrutura individual.”

Arozi diz que o Design Generativo está mostrando novas soluções para desafios do dia-a-dia que dificilmente seriam possíveis sem o uso da tecnologia. “Ainda estamos aprendendo como e onde podemos aplicá-lo. A cada dia, vemos diferentes aplicações e muitos ganhos. Mas, basicamente, o Design Generativo serve para melhorar a eficiência de um produto.” Ele diz também que é possível, com o processo, usar menos material para a criação de um produto, mantendo suas características mecânicas e, na área da medicina ortopédica, desenvolver próteses com maior aceitação e fixação em implantes ósseos.

Quem usa: Empresas que trabalham com produtos de alta tecnologia são os principais usuários do Design Generativo. Os exemplos são de áreas distintas, como a Airbus, a MX3D (tecnologia robótica em 3D) e a Under Armour (vestuário para atletas).

Barros diz que profissionais que buscam padrões aleatórios e orgânicos usam o processo, ainda que ele também possa ser utilizado em situações nas quais o resultado final não é orgânico. “Por exemplo, em um infográfico complexo podemos pedir para o sistema gerar variantes para analisar como o sistema se comporta e, a partir dessa análise, ir modificando novamente o processo”, diz.

Efeitos colaterais: O computador “dominar” o criador que não tiver conhecimento pleno das ferramentas e a busca da forma pela forma e não para resposta de um problema. Além disso, a geração de formas complexas e orgânicas pode virar um fetiche. Este tipo de formalismo gratuito pode gerar efeitos negativos e são analisados no livro Arquitetura na era digital-financeira, de Pedro Fiori Arantes.

 

Quem é contra: Nenhum dos especialistas diz conhecer quem seja contra. Barros diz que há quem seja contra seu uso relacionado aos efeitos colaterais. “Mas isso acontece com qualquer postura projetual que perca o controle do processo ou que acaba em meros formalismos superficiais.”

Para saber mais:
1) Leia, no TechCrunch, Creating life through generative design, que relaciona Generative Design com biologia.
2) Assista, no Vimeo, ao vídeo Generative Design, do estúdio de arte digital e design de Berlim Onformative, gravado na Campus Party 2012. São quase 50 minutos sobre o tema.
3) Veja (e leia), no Fast Co.Design, 9 Groundbreaking Examples of Generative Design. Além das imagens, há um texto explicando a falta de literatura sobre o assunto, por ser avant-garde.
4) Leia, no B9, O Grande Gatsby redesenhado na Era do Jazz, sobre o projeto Gatsby Generative que recria a tipografia do clássico da literatura de acordo com batidas e ritmos do jazz.

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