Verbete Draft: o que é Solopreneur

Isabela Mena - 2 out 2019
Segundo um levantamento do GEM, 53% dos empreendedores brasileiros atuam por conta própria.
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

SOLOPRENEUR

O que acham que é: Termo que define um modismo do universo empreendedor.

O que realmente é: Solopreneur é um acrônimo, em inglês, formado pela palavra solo e pelo sufixo da palavra entrepreneur (empreendedor) e um termo utilizado para definir uma pessoa que abre e toca um negócio sem sócios e/ou funcionários.

Embora possa parecer uma afetação do universo do empreendedorismo, o neologismo, que foi adicionado mês passado ao dicionário americano Merriam-Webster, serve, na verdade, para definir um tipo de negócio que vem crescendo no mundo. Mas é o Brasil — que utiliza mais comumente a expressão em português “empreendedor solo”— o país que ocupa o topo de um levantamento publicado este ano pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM).

Segundo a GEM, 53% dos empreendedores brasileiros atuam por conta própria (sem cofundadores, funcionários ou previsão de contratação), seguidos pelos de Madagascar, cuja porcentagem é de 30%. O fato de o Brasil ser uma economia em desenvolvimento é levado em conta pelo report, o que permite interpretações óbvias como desemprego e péssimas condições de trabalho entre as razões para o alto índice apurado por aqui.

Mas há outras, principalmente entre os Solopreneurs de classe média, e eles conversam com muitas histórias que contamos diariamente aqui no Draft. Como, por exemplo, o sonho de serem donos do próprio negócio, fazendo o que realmente gostam — um dos motivos também apontados por Deniane Bezerra, CEO e fundadora da Vibratto, consultoria especialista em gestão financeira para startups e PMEs.

“Isso fica perceptível pelo fato de muitos empreendedores solo escolherem abrir um negócio relacionado à sua área de atuação profissional”, diz. “Há ainda aqueles que se motivam pela liberdade de controlar o próprio barco, ou seja, ser seu próprio chefe, fazer seu horário e ter liberdade para realizar outras atividades.”

O motivo do empreendedor Murillo Alcantara vai na mesma linha: timing. A ideia de criar a EasyMovie, plataforma que conecta produtores audiovisuais a clientes de todo Brasil, surgiu em maio 2016; em agosto de 2017 nascia a startup. “Quando decidi empreender, percebi que aquele era o meu momento de vida, a hora certa”, fala.

Essas perspectivas podem ter a ver com outros dados reportados pela GEM o que, segundo o próprio estudo, surpreende: a frequência do empreendedorismo individual em economias europeias. Na Holanda, há 23% de Solopreneurs e na Espanha, no Reino Unido, na Itália, na Alemanha e na Suécia há 15% de empreendedores começando jornada solo e dizendo que continuarão operando dessa maneira.

Origem: Segundo o Merriam-Webster, o termo surgiu em 1992, já com o sentido que tem hoje, mas não há menção à autoria. Por ser bastante literal, é possível que mais de uma pessoa tenha tido a ideia de juntar as duas palavras e o acrônimo tenha se espalhado pelas redes.

Desafios: Solidão e não dominar outras áreas além do core do negócio. Ambos os fatores podem estar relacionados, já que além de afetar pessoalmente o Solopreneur, causando estresse, a solidão pode levá-lo à impossibilidade de dirimir dúvidas, desafios ou até mesmo de gerir sua empresa.

Renata Caetano, fundadora da Dog Vila Lobos, empresa do setor pet, conta que no início dominava apenas o conhecimento técnico sobre seu negócio. “Faltava experiência na parte de gestão empresarial, que fui aprendendo aos poucos, com tentativas e erros.”

Ainda assim, o desafio de se manter solo persiste. “Você não tem com quem compartilhar as decisões mais importantes da empresa, como planejamentos de marketing, planos de expansão e crescimento, análise de resultados, abertura de franquias etc.”, conta Caetano.

Para Alcantara, o maior obstáculo é desempenhar tarefas fora de suas próprias habilidades como, por exemplo, ter que encarar programação sem nunca ter feito isso antes. “Empreender sozinho exige que você esteja disposto a aprender algo novo sempre, mesmo atividades que nunca se imaginou fazendo.”

Em relação à solidão, diz que não ter com quem compartilhar ou debater no dia a dia é algo que tira o sono. “Refletir e decidir sozinho é difícil. Muitas vezes o simples fato de falar para alguém já me permite olhar a questão por outro ângulo e resolvê-la”, conta.

O que pode ajudar: Resiliência é um fator subjetivo, mas faz parte da realidade de praticamente todo empreendedor, principalmente do solo. Tirar dúvidas com conhecidos pode parecer óbvio, mas nem sempre é possível. Para isso, há ajuda também de desconhecidos em redes de apoio e projetos que visam fomentar negócios. Para os que têm recursos, há saídas como a contratação de consultorias ou cursos nas áreas em que o déficit é maior.

Caetano conta que usou tudo o que tinha à mão. “Tive auxílio de pessoas próximas na parte financeira e de RH, e após certo período, senti necessidade de me aprofundar mais e fui atrás de cursos de gestão.”. Ela prossegue: “Um dos momentos mais importantes dessa caminhada foi ter ganhado do Itaú um curso de empreendedorismo da FGV pelo projeto Itaú Mulher Empreendedora. Foi um grande avanço para o meu conhecimento em gestão.”

Entraves: A carga tributária é o pior deles, segundo Bezerra. “Os impostos são desmotivadores, ainda mais no início”, afirma. Ela cita ainda a falta de incentivos financeiros e a burocracia.

Alcantara diz que o próprio meio empreendedor pode se mostrar hostil ao Solopreneur. “Percebo de potenciais clientes parceiros ou investidores dúvidas em relação à competência e entrega de qualidade em razão do negócio ser tocado por um empreendedor solo”, conta. “Além disso, conseguir investimento ou negociar parcerias com grandes empresas pode ser doloroso e desafiador. É preciso estar preparado para ser subestimado ou até ignorado, simplesmente pelo fato de estar empreendendo sozinho.”

Para saber mais:
1) Leia, na Forbes, os textos Millions of Americans Diveinto Solopreneurship, Often En Route to Scaling Up e 13 Tips For Combating The Challenges Of SolopreneurLife.
2) Leia, no Inc., The Psychological Risks of Being a Solopreneur (and How to Deal With Them).
3) Leia, na Folha de S.Paulo, Empreendedor solo deve saber quando é hora de terceirizar.

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