Verbete Draft: o que é Passaporte da Imunidade

Isabela Mena - 6 Maio 2020
Diversas startups do mundo todo já estão desenvolvendo tecnologias para “passaportes da imunidade”.
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

PASSAPORTE DA IMUNIDADE

O que acham que é: Carimbo no passaporte atestando imunidade ao novo coronavírus.

O que realmente é: Passaporte da imunidade é, ainda em teoria, um documento físico ou digital que atesta que um indivíduo foi infectado e já está imune ao coronavírus.

Políticos e autoridades de países como Alemanha, Chile, Estados Unidos, Itália e Reino Unido têm estudado sua criação, mas ainda não está em prática. No Brasil, a ideia foi levantada há cerca de um mês, pelo ministro da Economia Paulo Guedes, em uma videoconferência com representantes do setor de varejo.

Na maioria dos casos, os governos trabalhariam em parceria com startups de tecnologia já que seria preciso haver combinação de resultados de testes para a Covid-19 e documentos oficiais (como passaportes e carteiras de motorista) com ferramentas de reconhecimento facial e QR codes.

Objetivo: Permitir a pessoas que desenvolveram proteção contra o novo coronavírus possam sair da quarentena para retornar ao trabalho, viajar e quaisquer outras atividades impossibilitadas pela pandemia. A ideia central é a retomada da economia.

Negativas: No último dia 24, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em sua página oficial, o comunicado “Immunity passports” in the context of COVID-19, colocando-se contra a iniciativa por não haver evidências de que as pessoas curadas desenvolveram anticorpos para protegê-las de uma segunda infecção.

No texto, a OMS diz ainda que os testes rápidos de diagnóstico de imunidade podem dar resultados falsos uma vez que há uma série de complexidades envolvidas na questão da imunização aos vários tipos de coronavírus existentes que se cruzam com SARS-Cov-2.

Em entrevista ao Estadão no último domingo (link no item “Para saber mais”), o virologista Eurico Arruda, da Faculdade de Medicina da USP, explica como funciona a questão da imunidade nos coronavírus já estudados até então e por que é contra a ideia do “passaporte da imunidade”.

Anteontem, o The Lancet publicou um artigo de Alexandra Phelan, doutora em Ciência Jurídica e membro Center for Global Health Science and Security da faculdade de Medicina da universidade de Georgetow (link no item “Para saber mais”), que levanta, entre outros pontos negativos, a possibilidade de que pessoas se contaminem propositalmente já que imporia uma restrição artificial a quem pode ou não participar de atividades sociais, cívicas e econômicas. Em suas palavras, o documento “imporia um incentivo perverso para que os indivíduos procurassem a infecção”.

Falta de testes também pode ser um impedimento para que alguns países adotem a medida.

Efeitos colaterais: Por utilizar tecnologias que permitem rastrear e identificar a população, a ideia do “passaporte da imunidade” coloca em pauta, mais uma vez, as questões da restrição à liberdade e da vigilância de governos sobre seus cidadãos.

Startups de tecnologia: Diversas startups do mundo todo já estão desenvolvendo tecnologias para “passaportes da imunidade”. Dentre elas estão as inglesas Bizagi, Onfido, Yoti e OCL, a francesa Socios, a alemã IDnow e a lituana iDenfy.

Para saber mais:
1) Leia, no Estadão, ‘Os coronavírus não induzem uma imunidade duradoura, protetora’, diz virologista brasileiro.
2) Leia, no The Lancet, COVID-19 immunity passports and vaccination certificates: scientific, equitable, and legal challenges.
3) Leia, no Washington Post, Chile’s ‘immunity passport’ will allow recovered coronavirus patients to break free from lockdown, get back to work.
4) Leia, na Business Insider, Tech firms proposing designs for UK COVID-19 immunity passports are mulling a ‘shared database’ to track cases across borders.

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