Verbete Draft: o que são Coronaspeck, Covidient, Zumping…

Isabela Mena - 22 abr 2020
"Zumping" parece ter sido o primeiro neologismo de amplo uso relacionado à pandemia, mas você sabe o que significa?
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

GÍRIAS DA PANDEMIA (COVIDIENT, ZUMPING, QUARENTENERS…)

O que são: Neologismos formados a partir de contrações, corruptelas e traduções propositalmente erradas de termos e temas relacionados à pandemia de Sars-Cov-2.

A prática não é novidade na internet e, e de dez anos para cá, com a prevalência das redes sociais, tem se tornado cada vez mais comum. Embora muita coisa seja descartável, há o que se aproveitar já que ao nomear novos comportamentos as expressões permitem que sejam colocados em discussão. Os neologismos podem ser também fruto de brincadeiras com a língua e, ainda, ferramentas de ironia ou denúncias políticas.

Histórico: Não é possível determinar o primeiro neologismo surgido no contexto mundial da pandemia. O primeiro a ser amplamente divulgado parece ter sido zumping, junção de Zoom (nome da plataforma de videoconferência) com o sufixo da palavra dumping (neste contexto, levar ou dar um fora em um relacionamento amoroso).

No texto “Zumping: the rise of Zoom breakups”, publicado no último dia 13 (link no item “Para saber mais”), o jornal inglês The Guardian destaca que o ponto de partida foi um tuíte em que uma americana chamada Sarah Moser perguntava: “sou a primeira pessoa a tomar um fora pelo Zoom?”.

A seguir, compilamos e explicamos alguns dos neologismos, em uso no Brasil e no mundo:

 

No Brasil:

Alquingel:

Apelido da substância desinfetante capaz de matar o Sars-Cov-2. É composta de gel e álcool etílico hidratado 70º INPM (Instituto Nacional de Pesos e Medidas), também chamado de álcool 70%. No começo da pandemia, o álcool em gel sumiu das prateleiras por causa dos covidiots.

Confinastê:

Saudação yogue entre confinados em isolamento social. Vem de Namastê (o deus que habita em mim saúda o deus que habita em você) e tem como explicação “a pessoa confinada aqui saúda a pessoa confinada aí”, mas não rima. São necessariamente covidients.

Coronga:

Apelido jocoso para o novo coronavírus. Deriva, talvez, de “mocoronga”, expressão pejorativa usada para zoar pessoas lerdas e/ou atrapalhadas. Não faz o menor sentido quando aplicada ao novo coronavírus.

Covidiota:

1. Como na versão em inglês, pessoa que não segue as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como usar máscara ao sair na rua, higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel e fazer isolamento social, contribuindo para a disseminação do coronavírus.
2. No Brasil, o termo é usado também para definir pessoas que, durante a pandemia, têm se manifestado a favor da volta do regime militar e do AI-5.

Quarenteners:

1. Forma como alguns habitués do Instagram — os que já costumavam postar selfies, fotos com gatos, posturas de yoga, e looks do dia — referem-se a si mesmo durante o confinamento. Abarca todo tipo de instagramers, dos Faria Limers aos Santa Cecilers. Têm postado #tbts de viagens em parques em outros dias da semana que não na quinta-feira. São necessariamente covidients.
2. Hashtag no Instagram para agrupar os usuários descritos acima.

Romófice:

Local de trabalho que virou o novo normal durante a pandemia. Surge do aportuguesamento da expressão “fazer home office”, originada e muito utilizada por empreendedores disruptivos de startups.

 

Gírias pelo mundo:

Coronaspeck:

Ganho de peso durante a pandemia. O neologismo é alemão e segue outras palavras já existentes na língua como winterspeck (ganho de peso durante os meses muito frios do inverno) e kummerspeck (ganho de peso depois de episódios tristes como separações e luto, em que as pessoas comem para tentar aliviar a dor).

Covidient:

1. Pessoa que respeita as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como usar máscara ao sair na rua, higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel e fazer isolamento social.
2. Pessoa que respeita o isolamento social durante a pandemia.
3. Contrário de covidiot.

Covidiot:

1. Pessoa que não segue as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como usar máscara ao sair na rua, higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel e fazer isolamento social, contribuindo para a disseminação do coronavírus.
2. Nas primeiras semanas de disseminação do vírus no mundo, o termo era usado para definir pessoas que faziam estoques de produtos como papel higiênico, desabastecendo os supermercados.
3. Nos Estados Unidos, emprega-se o termo para apontar negacionistas da pandemia e pessoas que veem a quarentena como medida de privação de liberdade individual.

Quarantini:

Palavra formada a partir dos termos quarantine e martini, designa o consumo de coquetéis ou quaisquer outras bebidas alcoólicas durante o período da quarentena.

WFH:

Sigla de Working From Home (“trabalhando de casa”).

Zoom-Bombing:

Ataque hacker em uma reunião de Zoom que trava a plataforma e pode divulgar os conteúdos ali acessados.

Zumping:

Ato de terminar um relacionamento por meio da plataforma de videoconferência Zoom (ou qualquer outra).

 

Para saber mais:
1) Leia, no The Guardian, Zumping: the rise of Zoom breakups.
2) Leia, na revista 1843, do The Economist, Do you speak corona? A guide to covid-19 slang.

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