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“O maior inimigo da mulher que empreende não é a falta de capacidade. Muitas vezes, é o mito silencioso do equilíbrio perfeito”

Brunna Farizel - 20 mar 2026 Brunna Farizel, cofundadora da Splash Bebidas Urbanas e do SEEDS Experience.
Brunna Farizel, cofundadora da Splash Bebidas Urbanas e do SEEDS Experience.
Brunna Farizel - 20 mar 2026
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Em 2021, escrevi para o Draft contando sobre a minha transição do CLT para o CNPJ e os aprendizados que vinham junto com a construção da Splash Bebidas Urbanas.

Naquele momento, eu ainda estava atravessando a curva intensa de quem decide empreender, com tudo o que isso implica. De lá para cá, muita coisa aconteceu.

A Splash amadureceu sua operação, expandiu presença e hoje já está em treze estados do país, além de ter cruzado fronteiras com uma operação em Portugal.

Olhando em retrospecto, no entanto, percebo que a maior expansão não foi apenas do negócio. Foi de consciência, de estrutura emocional e de visão sobre o que significa, de fato, crescer.

CONCILIAR O LADO PESSOAL E O PROFISSIONAL É UM DESAFIO AINDA INVISIBILIZADO

Essa clareza não veio de um grande evento isolado. Veio de cenas muito reais do dia a dia.

Como o dia em que meu celular vibrou no meio de uma reunião estratégica. Era uma chamada de vídeo da minha filha. Ela chorava porque não queria que a babá arrumasse seu cabelinho para ir à escola. Queria a mamãe.

Eu estava apresentando números, projeções e decisões importantes. E, ao mesmo tempo, ali estava eu, olhando para aquela tela pequena, tentando acalmar quem realmente importa.

Essa é uma cena silenciosamente comum na vida de muitas mães empreendedoras, mas que quase nunca entra nos relatórios de crescimento

Desde o dia um, eu e o Lucas, meu esposo, construímos a Splash juntos. E seguimos, até hoje, nessa dinâmica muito real de equilibrar pratos entre o profissional e o pessoal.

Nada por aqui é estático. É ajuste fino diário, com a consciência de que crescimento sustentável exige presença nas duas frentes.

DEIXAR O REGIME CLT PARA ABRAÇAR O EMPREENDEDORISMO FOI UMA ESCOLHA DE VIDA

No ano em que fundamos a Splash, em 2018, eu era mãe apenas da Helena. Logo depois, chegaram a Sophia e o Enrico. E essa linha do tempo diz muito sobre as escolhas que fiz no caminho.

A transição do CLT para o empreendedorismo não foi apenas uma decisão profissional. Foi uma decisão de vida.

Se eu tivesse permanecido presa ao horário comercial rígido do regime tradicional, sinceramente não vejo como teria conseguido viver a maternidade da forma que escolhi viver

E mais do que isso, não vejo como teria existido espaço emocional, logístico e de agenda para a chegada da Sophia e do Enrico.

Provavelmente, a decisão de ter mais dois filhos teria sido atravessada por um peso muito maior. Ou adiada indefinidamente…

Eu não queria sair para trabalhar com meus filhos dormindo e voltar para casa quando eles já estivessem dormindo novamente. Eu queria presença real — mesmo sabendo que presença, no mundo real, não significa perfeição

Foi aí que uma verdade começou a se consolidar dentro de mim. Ser dona da própria agenda muda completamente a forma como a vida se organiza.

ENTENDI QUE O TEMPO É A MOEDA MAIS VALIOSA QUE EXISTE

Essa escolha veio acompanhada de novos pesos e responsabilidades. Porque nem tudo são flores, e é importante dizer isso com a mesma honestidade com que se celebram as conquistas.

Existe um contraste muito claro entre os dois mundos. No regime CLT, o décimo terceiro chega e naturalmente se transforma em plano de viagem ou em alguma conquista pessoal.

No empreendedorismo, a lógica é outra. Antes de qualquer celebração, existe planejamento para honrar compromissos, sustentar a operação e garantir que a engrenagem continue girando.

Empreender exige uma maturidade financeira e emocional que nem sempre aparece nos bastidores bonitos das redes. Ainda assim, quando eu paro e olho para trás, a conta fecha com clareza

Mesmo com todos os desafios de empreender, eles são superados pela história que fomos capazes de construir e, principalmente, pela possibilidade de sermos donos do nosso tempo.

Hoje, tenho muita convicção ao dizer que o tempo é a moeda mais valiosa do mundo. E foi essa consciência que passou a pautar muitas das minhas decisões desde a fundação da Splash.

CRIEI UMA COMUNIDADE DE EXPERIÊNCIAS IMERSIVAS PARA MULHERES EMPREENDEDORAS

Ao longo desses últimos anos, outra coisa ficou muito evidente para mim. As dores das mulheres empreendedoras são muito mais parecidas do que parecem à primeira vista.

Foi dessa escuta — feita em conversas, palestras, no programa de rádio que participo com conteúdo empreendedor e em trocas reais — que floresceu o SEEDS Experience, um clube de experiências criado para fortalecer o ecossistema feminino empreendedor

O interesse tem crescido de forma muito consistente. Justamente porque a entrada no SEEDS passa por um processo de curadoria cuidadoso. Não se trata apenas de participar, mas de garantir a qualidade das trocas e a profundidade das conexões.

Hoje, fazem parte do clube fundadoras de negócios de impacto nacional, mulheres que lideram operações relevantes em diferentes setores.

A diversidade é uma das maiores riquezas do grupo. Ali convivem desde médicas empreendedoras até donas de redes de alcance nacional.

PRESENÇA, ESCUTA E CONSTRUÇÃO COLETIVA: OS DIFERENCIAIS DO SEEDS

O que mais me chama atenção é a velocidade com que as conexões acontecem. Em alguns encontros, negócios já começaram a nascer no primeiro dia. Porque, quando você reúne mulheres que vivem desafios reais, o nível da conversa simplesmente muda.

As experiências do SEEDS têm um papel muito claro. Criar um ambiente fora do comum da rotina dessas empreendedoras para trabalhar pontos de inflexão, desbloqueios e também potencializar fortalezas que, muitas vezes, ficam adormecidas no dia a dia operacional.

Sempre existe troca real. Sempre existe profundidade. Sempre existe movimento. Ali é um ambiente seguro para aprender, ensinar e também fazer networking de forma orgânica e qualificada

E talvez uma das maiores diferenças do SEEDS em relação ao que vemos hoje no mercado esteja justamente no formato. Não é sobre consumo passivo de conteúdo, como acontece em muitos cursos online. É sobre presença ativa, escuta qualificada e construção coletiva.

Não é assistir e ir embora. É sentar à mesa, trocar, provocar e sair diferente.

NÃO DÁ PARA QUERER EQULIBRAR TUDO SOZINHA

Hoje, olhando para trás, existe uma convicção que se consolidou em mim.

O maior inimigo da mulher que empreende não é a falta de capacidade. Muitas vezes, é o mito silencioso do equilíbrio perfeito. Ele promete controle absoluto, mas, na prática, entrega culpa constante

O que aprendi vivendo, e não apenas estudando, é que não existe equilíbrio estático. Existe integração consciente. Existe ajuste fino de prioridades. Existe presença possível dentro da vida real.

A Splash continua crescendo. Eu e o Lucas seguimos empreendendo juntos. Nossa história ganhou destaque na Babson College, referência mundial em empreendedorismo, um lembrete importante de que histórias reais, com falhas, tensões e recomeços, produzem conhecimento relevante.

O ecossistema feminino segue se fortalecendo. E eu sigo aprendendo, diariamente, que empreender e maternar não são caminhos paralelos. São caminhos que se entrelaçam

E foi exatamente quando eu parei de tentar equilibrar tudo sozinha que meu negócio e a minha vida começaram, de fato, a crescer juntos.

 

Brunna Farizel é cofundadora da Splash Bebidas Urbanas e do SEEDS Experience, palestrante e mãe de Helena, Sophia e Enrico. Ao lado do marido, Lucas, é autora do livro Pra Cima!, em que compartilham como casais podem transformar sonhos em realidade.

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