A comunidade gamer não para de crescer. A Final Level quer ajudar sua marca a se comunicar com esse público

Diego Bargas - 8 mar 2021
A CEO Fernanda Lobão (no centro) e parte do time de influenciadores da Final Level.
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Os videogames hoje são uma indústria que movimenta quase 180 bilhões de dólares por ano. Segundo a consultoria IDC (via MarketWatch), as vendas do setor cresceram 20% em 2020, em meio à pandemia. Estima-se que 3 bilhões de pessoas se divirtam jogando no computador ou em frente à TV.

De Minecraft a LOL e Free Fire, cada jogo tem os seus astros, que viralizam com conteúdos em redes como YouTube, Instagram, TikTok e Twitch — despertando não só a atenção da comunidade gamer, mas das marcas de olho nesse público.

Plataforma de entretenimento gamer, a Final Level nasceu nesse contexto. Entre os sócios do negócio estão o youtuber Felipe Neto e o técnico de vôlei Bernardinho. Fernanda Lobão, 43, CEO e cofundadora, afirma: 

“Os gamers surgiram como ídolos do universo jovem, fazendo vídeos de gameplay de seus quartos e atraindo milhões de pessoas. Nosso propósito é reunir tudo o que os fãs de games buscam e desejam, com oferta infinita de conteúdo em diversas plataformas” 

Em fevereiro, a empresa anunciou um aporte de 8,5 milhões de reais coliderado por Atmos Capital, Outfield Capital, a inglesa 1st11, além de family offices, como a Kaducaio Holding (do gestor Kadu Cunha, sócio do Grupo Mantiqueira). 

OS CRIADORES DE CONTEÚDO GERAM 500 MILHÕES DE VIEWS POR MÊS

A Final Level se posiciona como um “ponto de encontro” da comunidade gamer, ao mesmo tempo que desenvolve projetos de branded content para marcas que querem se comunicar com jovens ávidos por tecnologia.

A empresa criou um hub de conteúdo (o Gameland), selecionando gamers creators com base no alcance de cada um na web e buscando representantes de comunidades de fãs de diferentes jogos. 

Esse coletivo de criadores conta com funBABE, Bainao, Cherryrar, Sheviii2k, Caio Pericinoto e Gab Araújo, entre outros. Juntos, eles reúnem 10 milhões de seguidores, que geram cerca de 500 milhões de views por mês. Segundo Fernanda:

“Somos o principal parceiro de negócios do mercado para criadores de conteúdo nos segmentos de games e eSports. Queremos nos aproximar ainda mais do consumidor final e fortalecer o desenvolvimento da cultura gamer” 

Para as marcas, a Final Level disponibiliza as redes de cada creator para inserções publicitárias, além das redes  da plataforma, que acumula números de respeito: o canal da Final Level no YouTube tem 5 milhões de inscritos; o perfil no Instagram está beirando os 2 milhões de seguidores. 

A IDEIA SURGIU NUM PAPO COM FELIPE NETO E JOÃO PEDRO PAES LEME

Fernanda tem no currículo mais de 20 anos liderando equipes multidisciplinares na área de comunicação, em empresas como Claro, Globo e Oi. 

“Liderei também a licitação olímpica internacional Rio 2016. Como CMO da [agência de marketing esportivo] Go4it, criei e estruturei a unidade de negócios da empresa, com o Prêmio eSports Brasil sendo o principal ativo”

Ela já conhecia João Pedro Paes Leme de uma passagem pela SporTV entre 2004 e 2007. Ex-repórter de Fórmula 1 da Rede Globo, ele havia enveredado uma carreira como diretor executivo de esportes da emissora.

Fernanda soube que JP estava deixando o Grupo Globo para empreender no universo digital junto com Felipe Neto. Os três marcaram uma conversa e, nas palavras dela, identificaram “sinergia” na maneira como enxergavam potencial entre os gamers e seus seguidores.  

O papo terminou com a ideia da Final Level e o compromisso de lançá-la em 29 de agosto (de 2018), Dia Internacional do Gamer. Em 2019, Fernanda se tornou a CEO. Do trio de sócios fundadores, ela é única que permanece no dia a dia operacional — Felipe e JP atuam mais como “mentores de conteúdo”.

“UMA INDÚSTRIA MAIOR DO QUE A MÚSICA E O CINEMA SOMADOS”

Dois fenômenos comportamentais inspiraram a estrutura sobre a qual a Final Level se ergue, explica Fernanda.

Primeiro, os games se firmaram globalmente como a maior indústria de entretenimento do mundo, maior do que música e cinema somados — e crescendo dois dígitos ano a ano. E segundo, o crescimento do consumo de conteúdo audiovisual, principalmente no YouTube, nos últimos cinco ou sete anos

A fidelização desses consumidores de games como comunidade engajada à Final Level e aos seus creators é encabeçada pela produção de conteúdo para YouTube, Instagram, TikTok, Twitter, Facebook, Spotify e Telegram. 

Esse material audiovisual inclui gaming (transmissão do jogo), vídeos sobre games e gaming lifestyle. 

Outra inovação, segundo a CEO, é a busca por novos pontos de contato, como experiências e produtos físicos, estendendo o alcance do negócio ao mundo analógico — “uma visão completa de ecossistema”, nas palavras de Fernanda.

UMA AÇÃO DA SMARTFIT VISAVA QUEBRAR O SEDENTARISMO DOS GAMERS

O Final Level já surgiu com “forte alavanca de receita” antes mesmo do primeiro conteúdo ir ao ar. Oi, Subway, Reserva e a rede de academias Smartfit embarcaram logo de cara, como patrocinadores do projeto.

Hoje, a empresa tem em seu portfólio trabalhos para marcas como Oi, Coca-Cola, Elma Chips, iFood e Netflix. As marcas entram com a verba e a startup desenvolve ações customizadas, que miram essa comunidade de 10 milhões de jovens seguidores dos gamers creators.

Um exemplo de ação: a Smartfit queria incentivar os gamers a praticar atividade física, quebrando o sedentarismo de quem costuma passar horas e horas jogando, com os olhos grudados na tela. 

Assim, a empresa construiu uma academia dentro da Gameland, o hub de criação de conteúdo da Final Level, incorporando a atividade física à rotina dos gamers creators. Ao estimular o time da Final Level a se exercitar, a marca visava inspirar o público a fazer o mesmo. 

O FORMATO ESTÁ SENDO EXPORTADO PARA A ESPANHA

Todo dia há um vídeo novo no YouTube e conteúdo inédito nas redes sociais. Desde o início da pandemia, a sede física da Gameland foi desativada — os conteúdos são hoje gravados em diferentes locais, incluindo as casas dos creators. “Mas não deixamos nenhum dia sem vídeo novo no ar”, diz Fernanda.

O time todo está em home office. Além dos creators, a Final Level se divide em áreas de novos negócios, brand solutions, marketing & comunicação e uma diretoria de inovação, que tem a missão de adicionar tecnologia e data insights para ajudar a expandir o negócio no caminho do D2C

“Temos desafios relacionados à dinâmica veloz da indústria, à produção, ao entendimento dos data insights, algoritmos e dinâmica de cada uma das plataformas sociais”

Para exportar o formato, a Final Level fechou uma parceria com a produtora espanhola Grupo Xanela Producciones, que vai, segundo Fernanda, copiar o que a brasileira tem feito. 

O território do gaming lifestyle é absolutamente virgem. O consumo hoje é 100% em gaming e vídeos relacionados”, diz Fernanda. “A nossa missão é criar novos pontos de contato — e expandir o ecossistema Final Level com novos produtos e serviços que ampliem a experiência dos fãs”.

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DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Final Level
  • O que faz: Plataforma de entretimento gamer
  • Sócio(s): Fernanda Lobão, Felipe Neto, João Pedro Paes Leme, Bernardinho e Marcus Vinicius Freire
  • Funcionários: 35
  • Sede: Rio de Janeiro
  • Início das atividades: 2018
  • Investimento inicial: NI
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected]
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