Está difícil faturar nas redes? Do futebol à maquiagem, a Stages ajuda criadores de conteúdo a monetizar seus vídeos online

Leonardo Neiva - 11 dez 2023
Tiago Maranhão, country manager da Stages.
Leonardo Neiva - 11 dez 2023
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Se as mídias sociais vieram para facilitar o contato direto com consumidores e fãs, nem sempre é fácil prever as melhores formas de atingir seu público-alvo nas redes. 

Afinal, influenciadores e marcas não têm total controle sobre questões como métricas, a maneira como seu conteúdo vai ser veiculado e quão abrangente será seu alcance. E, na maioria dos casos, faltam opções para monetizar aquilo que você posta.

Calculando que o sonho de muita gente é ter mais controle sobre o próprio conteúdo e gerir de perto esse contato com o público, a Stages surgiu no Brasil com a promessa de uma solução para esse mercado cada vez mais aquecido. 

De acordo com a Goldman Sachs Research, a chamada creator economy, liderada por criadores de conteúdo e influenciadores, hoje movimenta cerca de 250 bilhões de dólares no mundo. Até 2027, a projeção é que essa cifra salte para 480 bilhões de dólares.

A proposta da Stages é oferecer um software que facilite o processo geralmente complexo de criar um canal online próprio, um ambiente separado e com mais autonomia do que a que existe hoje nas principais redes sociais e em plataformas profissionais.

Segundo Tiago Maranhão, country manager da empresa:  

“A Stages surgiu dessa dor da creator economy, de não ter uma forma de monetização direta, com partilha de lucros, além de que ter um canal próprio acaba sendo um processo muito caro e restritivo… Somos muito rápidos, baratos e uma forma de ter total independência editorial, criativa e de algoritmos”

Voltado especificamente para quem quer produzir e veicular vídeos na internet, a plataforma promete ser um guia prático para interessados em lançar sua loja online de conteúdo audiovisual e um app próprio, seja para iPhone ou Android, tornando mais simples o processo de distribuir conteúdos exclusivos aos fãs e consumidores. 

Além disso, criadores e marcas têm acesso, através da Stages, a ferramentas que permitem monetizar esse conteúdo de diferentes formas, passando a assumir o controle sobre a relação com o público e o faturamento.

A empresa já nasceu com o foco em desenvolver algumas áreas específicas, a principal delas sendo o setor esportivo. Instituições como a Federação Paranaense de Futebol e a TVE, do Espírito Santo, vêm transmitindo jogos oficiais por meio de um canal criado com a Stages. 

Figuras conhecidas do público boleiro, como o ex-jogador Zico e o jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, também comercializam vídeos exclusivos usando a plataforma. 

“As lives parecem feitas para esporte, você assiste horas em determinado canal de transmissão”, diz Tiago. “E a Stages apresenta muita flexibilidade e possibilidades de monetização. Dá para cobrar ingresso, pay-per-view, um valor pelo campeonato completo, incluir link de produtos, de casa de aposta, opções que não existem em outros lugares.”

COMO DOIS RUSSOS DECIDIRAM APOSTAR NO MERCADO DE CRIAÇÃO DE CONTEÚDO DO BRASIL

Depois de deixar a Okko Sport, plataforma russa de mídia esportiva, onde ocupavam cargos de liderança, o empreendedor Mikhail Gershkovich e o desenvolvedor de software Alexey Golubev decidiram se juntar no início de 2021 para criar um novo negócio que aproveitasse os talentos de ambos.

Após um período de pesquisa, quebrando a cabeça para identificar nichos de mercado, a dupla de russos topou com as dores dos criadores de conteúdo na busca por mais autonomia. A solução que encontraram foi desenvolver uma plataforma que facilitasse esse processo e oferecesse a possibilidade de ter um canal próprio a preços razoáveis.

Apesar de tão distante da Rússia, o Brasil se tornou o foco inicial da plataforma para Mikhail, atual CEO global da Stages, e Alexey, CPO. Pesaram na escolha, segundo Tiago, o tamanho do país, o potencial do público nacional e a rápida aceleração do mercado de criação de conteúdo por aqui:

“Lançar primeiro no Brasil foi uma escolha tomada pelo hábito de consumo do brasileiro e porque o país tem tradição de adotar cedo e experimentar novidades nas redes sociais. É um mercado muito ligado às redes, que são o topo do funil e, para muita gente, o único lugar onde vale a pena estar”

A partir da decisão, os sócios começaram a montar um time global de desenvolvedores e profissionais responsáveis por lançar as bases tecnológicas da Stages, além de afinar a proposta e apresentá-la ao mercado. 

A DUPLA RECRUTOU O DIRETOR DE PODCASTS DA AMAZON MUSIC PARA TOCAR A OPERAÇÃO

Após um longo período de desenvolvimento, era setembro de 2022 quando Tiago, então diretor do setor de podcasts na Amazon Music, recebeu o convite para integrar a equipe brasileira da plataforma como diretor de conteúdo.

“Eu estava há mais de três anos na Amazon e nunca tinha tido experiência em startup”, diz o country manager, que tinha passagens por veículos da mídia tradicional como Globo, Sportv e Editora Abril. 

“Eles precisavam de alguém para colocar a Stages na conversa, apresentando desde para que serve a plataforma e seu lugar na economia de conteúdo até as ferramentas disponíveis, as formas de monetizar e crescer”

Um dos primeiros desafios de Tiago foi ajudar a estabelecer os rumos e o foco da plataforma, assim como realizar o primeiro contato com influenciadores. Para isso, coordenou um teste com mais de mil criadores de conteúdo brasileiros das mais diferentes áreas. 

A ideia era definir quais nichos funcionavam melhor na plataforma. “Ali a gente viu quem de fato encontrou valor na Stages e conseguiria ganhar dinheiro”, diz Tiago.

A PARCERIA COM UMA CRIADORA DE CURSOS DE MAQUIAGEM AJUDOU A ALAVANCAR A STAGES NO PAÍS

Naquele momento, ganhar dinheiro com os conteúdos ainda não era tarefa fácil, já que a marca ainda era praticamente desconhecida para os consumidores. A principal aposta então eram influenciadores que já tivessem um contato bastante próximo com suas comunidades.

Além de canais voltados para o esporte, uma parceria que deu resultado logo no início foi com a criadora de conteúdo Jéssica Brazil, que criou uma página para vender seus cursos de maquiagem e edição de vídeos sobre o tema. 

Parte do time da Stages.

Segundo Tiago, o sucesso dela, que já tinha uma forte relação de confiança com os seguidores, acabou atraindo outras influenciadoras para a plataforma, tornando o ramo um dos principais focos de atuação da Stages.

Outro campo de destaque foi o de criação de conteúdo fitness, que ganhou força na pandemia com a necessidade de se manter ativo confinado entre quatro paredes. 

No entanto, apesar do crescimento acelerado do setor, Tiago lembra que o mercado já estava ficando saturado, com uma fatia cada vez mais fina dos ganhos para os criadores de conteúdo. 

Dessa forma, avaliou que estar num canal próprio seria muito mais interessante para esse público do que entrar numa das grandes plataformas fitness hoje estabelecidas no mercado.

O FEEDBACK DOS USUÁRIOS AJUDA A APRIMORAR AS FUNCIONALIDADES DA PLATAFORMA

Segundo a Stages, desenvolvedores espalhados pelo mundo (Espanha, Chipre, Coreia do Sul, Alemanha e Dubai) arregaçaram as mangas para montar a plataforma. Depois de uma etapa de testes, a Stages foi lançada no mercado brasileiro em fevereiro de 2023. 

Hoje, no Brasil, ficam as equipes responsáveis pela parte comercial, marketing, conteúdo, comunicação, redes sociais e o setor financeiro. A plataforma, diz Tiago, segue em evolução; o visual e as funcionalidades já mudaram desde a estreia.

“A ferramenta evolui internamente uma vez por semana. Para o cliente, em termos de melhorias que ele consegue visualizar no dia a dia, é pelo menos uma vez por mês. Estamos numa fase acelerada de aprimoramento”

O período de teste grátis dura sete dias. A partir daí, o usuário paga R$ 49,90 por mês — o valor pode aumentar no caso de criadores de conteúdo ou empresas com audiência elevadíssima, como na transmissão de jogos estaduais. Por outro lado, o valor conseguido na venda de conteúdo fica todo para o usuário. 

Segundo Tiago, as ferramentas disponíveis para monetizar esse conteúdo são flexíveis. É possível, por exemplo, um preço por vídeo visualizado ou por pacote, como num curso inteiro sobre o mesmo tema. O cliente consegue cobrar uma mensalidade para que o usuário tenha acesso a todo o conteúdo do canal. Também dá para vender produtos e fazer lives gratuitas com botão de doação voluntária.

Apesar de todo o planejamento, algumas questões que podem parecer óbvias também foram surgindo pelo caminho, graças ao feedback dos usuários. Tiago diz que logo no começo, os usuários perguntaram: “mas não aceita PIX?”. Não, não aceitava – mas agora aceita.

“Outro usuário queria linkar o chat do Whatsapp e, como mais pessoas falaram disso depois, a gente também incluiu. Só assim vamos encontrar o melhor produto. Temos essa mentalidade forte de startup, de evoluir constantemente. Se achar que já está bom, corre risco”

Divulgar o canal na Stages, diz Tiago, ainda é um desafio para a maioria dos criadores de conteúdo, mas usar as redes sociais tem sido a principal estratégia. 

A empresa ainda oferece aos clientes conteúdo para facilitar essa tarefa, desde cursos com especialistas em gestão de tráfego até pesquisas sobre as principais tendências e material de precificação e alcance, na seção Stages Academy.

A PLATAFORMA “RUSSO-BRASILEIRA” SE PREPARA AGORA PARA DAR INÍCIO À INTERNACIONALIZAÇÃO

Hoje, entre os clientes, a startup cita a empreendedora Monique Evelle (que foi pauta aqui no Draft), jurada do Shark Tank Brasil, e a dupla Titi Müller e Marimoon, que apresentam juntas o podcast Acessíveis — com conteúdos exclusivos que saem toda semana no canal do programa desenvolvido com a Stages.

A empresa não divulga o número de usuários recorrentes, mas informa que mais de 50 mil profissionais já testaram a plataforma, seja no modelo pago ou no freemiuma versão-aperitivo gratuita, válida por apenas sete dias.

As metas, agora, são atingir uma média de 1 milhão de reais de faturamento ao mês até o final deste ano e dar início à expansão da plataforma para outros países. os primeiros passos dessa internacionalização são abrir o software a novas moedas e definir, até meados de 2024, uma região para testar esse movimento:

“A gente tem se apresentado em outros mercados, participando de eventos internacionais para criadores de conteúdo em diferentes áreas, e também feiras grandes como a Sportel, em Mônaco, focada em tecnologia, transmissão e direitos esportivos”

O country manager admite que o negócio inclui um certo risco, pois depende de uma reeducação do consumidor, no sentido de pagar por conteúdo premium. Ele reforça, porém, aquele que considera o principal direcionamento da Stages: evitar que as pessoas “construam em terreno alugado”. Ou seja, impedir que publiquem seu conteúdo em plataformas de terceiros – e se tornem dependentes deles.

“A gente nasceu disso, de ver criadores de conteúdo com 1 milhão de seguidores que não conseguem pagar a conta de luz. Não tem como o público de vários estádios lotados não resultar em dinheiro grande”, diz Tiago. “É legal ter seguidores, mas mais legal ainda é ter seguidores pagando pelo seu conteúdo.”

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Stages
  • O que faz: Plataforma que oferece ferramentas para criar uma loja online ou app de conteúdo em vídeo
  • Sócio(s): Mikhail Gershkovich e Alexey Golubev
  • Funcionários: 60
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2021
  • Investimento inicial: US$ 20 milhões
  • Faturamento: R$ 1 milhão mensal (meta para 2023)
  • Contato: [email protected]
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