O primeiro projeto da fusão entre a Questtonó e a Bolha é um novo ventilador pulmonar para hospitalizados pela Covid-19

Dani Rosolen - 13 Maio 2020
Leonardo (à esquerda) e Nagib, sócios após a fusão entre a Questtonó e a Bolha.
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A consultoria de inovação e design Questtonó (que foi pauta aqui em 2018) tem em sua trajetória um histórico de fusões. A empresa surgiu da junção entre a Nó Design e a Questto Design. Depois, integrou-se com a Blue Pesquisa. E, em meados de fevereiro deste ano, anunciou a união com a Bolha (o estúdio de tecnologia e soluções digitais também foi destaque no Draft em 2017).

A incorporação é um caminho natural para agilizar o crescimento da consultoria, diz Leonardo Massarelli, CCO global da Questtonó:

“Sempre acreditamos na ​intimidade criativa. Isso quer dizer que, embora atuar em rede seja muito relevante, ter ao nosso lado, dentro do time, os conhecimentos necessários ao desenvolvimento dos conceitos que trabalhamos é muito importante”

Sobre os acréscimos que sua empresa pode trazer à nova parceira, ele afirma: “A Questtonó adiciona à Bolha o conhecimento de estratégia de marcas e negócios apoiados no profundo conhecimento do comportamento do usuário”.

Já Nagib Nassif Filho, CEO da Bolha, diz que seu negócio conseguiu aproximar o digital do físico através de uma das especialidades da nova parceira, o design.

“A Bolha é reconhecida pela inovação e tecnologia e trazer a disciplina do design da forma que a Questtonó atua faz todo o sentido para seguirmos com tudo o que acreditamos.” Ele afirma que “a Bolha acrescenta à outra empresa um domínio único e transversal da tecnologia, que se transforma constantemente a passos largos”.

O processo de fusão acontece em meio à quarentena, mas não desanima os envolvidos, que já começaram a tocar projetos juntos, dentre eles, um relacionado ao coronavírus. Trata-se da criação de um novo Sistema de Ventilação Pulmonar.

Os profissionais das duas empresas estão desenvolvendo um equipamento que atenda a essa demanda urgente, seguindo protocolos de segurança e utilizando para a fabricação materiais disponíveis no Brasil (a fim de diminuir o custo da produção e agilizar sua implementação).

Para isso, eles se associaram a especialistas ligados a instituições da área da saúde, como a Sociedade Brasileira de Anestesiologia e a Unifesp. Em menos de 30 dias, o grupo criou um protótipo que obteve sucesso em testes clínicos e agora trabalha para que o equipamento receba a certificação da Anvisa.

Além do projeto do ventilador pulmonar, juntas, as empresas passaram a atender clientes como Havaianas, Ford, Ambev, Google, Natura, LG, Energisa, entre outros que já eram parte do portfólio dos dois negócios.

A seguir, Leonardo e Nagib (que passou a ser sócio da Questtonó e assumiu a posição de CTO global ao lado dos outros sócios, Gustavo Rosa Silva, CSO global, e Levi Girardi, CEO) falamn sobre o projeto do ventilador pulmonar e contam como está sendo o processo de fusão num período tão desafiador como o atual.

O que essencialmente muda com a junção das duas empresas?
Leonardo: Muda tudo! Hoje temos corpo para ajudar diferentes clientes em seus processos de inovação e, o mais importante, na sua transformação digital, agora acelerada. O mais interessante é que, diferente de outros players, conseguimos entregar, em conjunto, significado à digitalização e à tecnologia.

Apesar de a tecnologia ser um driver importantíssimo dos negócios, não acreditamos que ela sozinha seja o ponto de transformação. Muitas empresas têm pecado nisso, de usar a tecnologia pelo novo, simplesmente. Nós, agora, temos condição de criar significado e conexão de valor para o consumidor

Quando partimos da pesquisa, passamos pela estratégia de Customer Experience e chegamos nos conceitos que devem ser pilotados pelo cliente. Temos todo o know how para desenvolver grandes sistemas de produtos e serviços, assim como físicos e digitais. Estamos alinhados com o desenvolvimento de software e hardware (IoT, Wearables, AI, Realidade Virtual e Realidade Aumentada), além de todo o conhecimento sobre industrial design, experience e estratégia de marca, já consolidados pela Questtonó.

Para se ter uma ideia, hoje somos uma empresa que consegue elaborar estratégia, prototipar e pilotar negócios novos em semanas. Temos um laboratório de grande porte com toda infraestrutura (ferramentas, eletrônica, fabricação digital) para se prototipar desde um carro a um novo formato de loja inteira.

Quais são os próximos passos após a fusão?
Nagib: Fazer o que sempre fizemos de melhor: continuar trabalhando, focados em nossas entregas, sempre robustas e completas. Não se trata de ser uma empresa “super cool“, mas de ser uma empresa que surpreende cada vez mais no dia a dia com suas habilidades e entregas complexas.

Vamos avançar em novas áreas, como financeira, médica e varejo com ofertas alinhadas ao universo atual, principalmente na construção de cenários criativos e prototipagem de novos negócios para nossos clientes

Por qual frente cada empresa ficará responsável no atendimento aos clientes?
Leonardo: Temos como cultura um funcionamento muito híbrido entre as diversas áreas. Isso quer dizer que as posições de liderança podem atender qualquer cliente em qualquer desafio, pois estamos sempre alinhados e temos compreensão do todo.

Afinal, nosso mantra é que “o todo é maior que as partes” e é isso que tentamos oferecer. Os sócios têm posição fundamental nos projetos em que atuamos e a compreensão sistêmica é uma condição para trabalharmos.

Quais os benefícios para os clientes dessa fusão?
Leonardo: Os clientes se beneficiam pela agilidade e coerência que entregamos em conjunto. Agilidade, pois como citado, retiramos do processo idas e vindas e todas as demais fricções em um processo que reúne diferentes parceiros. Coerência, pois trabalhamos desde o início de um desafio todos em conjunto e alinhados

Isso quer dizer que nossos pesquisadores e estrategistas acompanham até o final o desenvolvimento e a implementação de um produto ou serviço, colaborando para a fluidez do processo e atuando como “guardiões do consumidor”. Ao mesmo tempo, nossos criativos também participam da pesquisa, tendo acesso à “temperatura” do campo e da vida dos nossos usuários. É uma integração muito potente.

Como está sendo desenvolvido o primeiro projeto em parceria, o do ventilador pulmonar?
Nagib: O desafio de desenvolver um novo ventilador pulmonar é o símbolo da nossa fusão e demonstra, na prática, as vantagens da verticalização e da intimidade criativa.

Em menos de 40 dias, trabalhando remotamente, redefinimos e simplificamos o sistema de ventilação pulmonar, seguindo o princípio dos 4As da Organização Mundial da Saúde [Availability, Accessibility, Appropriateness e Affordability].

Os times Questtonó e Bolha, em conjunto com uma rede de parceiros e especialistas, desenvolveram hardware, software, design de serviço, UX/UI e a cadeia produtiva para colocar um novo ventilador pulmonar no mercado.

O equipamento está em fase de certificação na Anvisa e a previsão é de que consiga produzir até 6 mil unidades em junho. Essa é a representação dessa união

A pandemia afetou de alguma forma o processo de fusão e os planos futuros?
Nagib: A pandemia nos deu aquele susto inicial, mas rapidamente se mostrou uma excelente oportunidade. Estamos conversando com diferentes empresas e ajudando essas organizações a se reinventarem sob os pilares da inovação, a criar panoramas estratégicos a partir dos novos comportamentos emergentes. E o mais importante: estamos prototipando essas reinvenções.

Muitos clientes estão sendo forçados a tirar projetos da gaveta para colocá-los em prática e estamos lado a lado facilitando esse processo

Como ficou o processo de aceleração de startups (Venture Design) feito pela Questtonó com o surgimento da crise?
Leonardo: Continuamos com o processo de Venture Design, mas seguimos seletivos desde o início. Atualmente estamos com duas startups em desenvolvimento na casa. Uma delas é uma fintech bastante inovadora, que temos certeza que fará grande sucesso. A outra é uma startup do setor de saúde e bem-estar, focada na parentalidade e na primeira infância.

Nosso ponto crucial sobre as startups é que não temos fôlego para investir em 20 ou 30 por ano. Acreditamos que esse é o futuro para nosso modelo de negócios e estamos conversando com diferentes fundos de investimentos e aceleradoras estruturando um modelo de colaboração que chamamos de Design Driven Startups.

Esse é um ponto de extrema importância para investidores e empreendedores já que ambos querem diminuir as chances de fracasso e aumentar as chances de sucesso, lembrando que o design cria o mais importante elo de um negócio com seus consumidores: experiências com significado.

Como andam as demandas do mercado publicitário, um dos focos da Bolha, nesse momento de incerteza?
Nagib: Em um ritmo mais lento, mediante todo o cenário de pandemia em que estamos vivendo. Porém, acredito que quanto tudo isso melhorar, teremos um novo mundo para trabalhar e o que fazemos na Bolha, ainda mais agora junto à Questtonó, pode ser a grande resposta para encontrarmos estes novos caminhos.

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