Quer entrar no mercado de criptomoedas e não sabe como? A Monnos promete simplificar o caminho para novos investidores

Leonardo Maran Neiva - 24 fev 2021 Rodrigo Soeiro, cofundador da Monnos (foto: divulgação).
Rodrigo Soeiro, cofundador da Monnos (foto: divulgação).
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Em fevereiro de 2021, o Bitcoin alcançou o astronômico valor de mercado de 5,4 trilhões de reais, mais do que a soma das empresas listadas na B3, a antiga Bovespa.

Em 2020, a mais famosa moeda digital se valorizou 270%. Já no começo da pandemia, em março, com boa parte do planeta em lockdown, corretoras como as brasileiras Foxbit e BitcoinTrade, além da bolsa global de criptomoedas Binance, relataram aumento de 15% a 30% no número de clientes. 

A Monnos está de olho nesse público. A startup reúne serviços bancários, compra e venda de criptomoedas e uma rede social em que os usuários podem compartilhar estratégias de investimento, ajudando a gerar mais conhecimento sobre esse universo.

Segundo Rodrigo Soeiro, 41, CEO e cofundador, a fintech nasceu do entendimento de que o mercado de moedas digitais era visto como um bicho-de-sete-cabeças por quem estava de fora.

“Essa percepção nos orientou na criação da Monnos. Boa parte do que a gente propõe é mais simples do que a maioria das plataformas no mercado. E o objetivo é simplificar cada vez mais”

O foco da Monnos são esses clientes iniciantes no mercado. Inspirada na chinesa Binance e na israelense eToro, a plataforma fundada em 2019 conta hoje com 21 mil usuários, dos quais 16 mil ativos.

O PAPO ENTRE OS FUTUROS SÓCIOS MIGROU DO LINKEDIN PARA O STARBUCKS

Formado em administração com foco em finanças e marketing, Rodrigo trabalhou quase 10 anos na ABInBev, de onde saiu como gerente de vendas, em 2011.

Daí, começou a se inserir no mercado de tecnologia financeira. Em 2014, participou da criação da plataforma de investimentos Allgoo (da qual ainda é sócio). Também foi cofundador — e chegou a ser presidente — da Associação Brasileira de Fintechs.

Aos poucos, percebeu que empreendedores de criptomoedas não pareciam tão preocupados em facilitar a travessia para novos usuários. Esse olhar o aproximou de Felipe Grasnievicz. Em 2018, Felipe comentou um texto de Rodrigo sobre o tema, no LinkedIn.

Felipe tinha mais bagagem na área: havia fundado a Crypfy, startup de inteligência artificial focada no mercado de cripto. Do LinkedIn, o papo migrou para o Starbucks, onde os dois se encontraram e começaram a desenhar o negócio.

O investimento inicial, por volta de 1 milhão de reais, saiu do bolso de ambos. Por meio de uma IEO (Initial Exchange Offering) — espécie de IPO do mundo de criptomoedas —, captaram mais 1,7 milhão de reais. 

Durante dez meses, Rodrigo, Felipe e um time de tecnologia foram desenvolvendo o modelo do negócio e as funcionalidades da plataforma. E, em setembro de 2019, lançaram a Monnos. 

A STARTUP TEVE QUE AMPLIAR O FOCO PARA ATRAIR MAIS USUÁRIOS

Nem tudo foram flores. Houve dificuldade para decolar: naquele início, o foco do negócio estava todo na vertente de compartilhamento de estratégias financeiras. Segundo Rodrigo:

“Acabou sendo um grande desafio… Muitas pessoas não queriam seguir porque tinha pouca gente publicando estratégias. E outras não publicavam porque tinha pouca gente seguindo”

No início de 2020, os sócios realizaram pesquisas para entender o que os usuários mais valorizavam na plataforma. E a compra e venda de moedas despontou como uma das funções mais relevantes.

Assim, decidiram recalibrar a estratégia, fazer alterações no aplicativo e direcionar esforços maiores para essa funcionalidade, que ganhou destaque.

COMO A MONNOS ATUA (E COMO GANHA DINHEIRO)

Hoje a Monnos monetiza por meio de três frentes. 

A primeira é a compra e venda de moedas. A empresa oferece 40 tipos diferentes (incluindo sua própria criptomoeda, a MNS), e recolhe uma taxa sobre cada operação.

Outra fonte é o compartilhamento de estratégias, que estava no core desde o início. 

Cada usuário da Monnos pode dividir sua estratégia financeira e cobrar por isso. O valor mensal varia em média de R$ 0,50 a 10 reais por seguidor — e a Monnos recebe 20% do total.

Esse compartilhamento, diz Rodrigo, gera um “ciclo do bem”:

“Nossa ambição é prover conhecimento para nossos usuários, então o objetivo é ser um celeiro formador de experts. É como se fosse uma linha de montagem, em que você entra [como] iniciante e aprende com quem está compartilhando estratégias. Futuramente, se torna um compartilhador — e outro iniciante aprende com você”

Atualmente, a Monnos tem umas 100 estratégias públicas, segundo o CEO. “É uma funcionalidade em crescimento, há aspectos técnicos que iremos evoluir para potencializá-la.”

Por fim, a startup também recebe um percentual sobre as operações bancárias e de pagamento realizadas. Funções como pagamento de boletos, cashback e cartão digital devem estar disponíveis em breve, até março.

A COMPRA DA CRIPTOMOEDA DA MONNOS GERA DESCONTOS NA PLATAFORMA

Os percentuais cobrados pela Monnos em cada linha de receita caem conforme o usuário avança na plataforma e conquista descontos e bônus mensais.

E como se avança na plataforma? Por meio da compra das MNSs, a criptomoeda da Monnos. 

A ideia, segundo Rodrigo, é gerar um círculo virtuoso, em que o negócio e os ativos dos investidores se retroalimentam, com benefício mútuo: 

“O diferencial do MNS é que ela possibilita que nossos usuários cresçam conosco: a cada momento em que o nosso negócio ganha valor aos olhos do usuário, a demanda pelos tokens MNS aumenta — e todos aqueles que a têm ganham junto. Quem acredita, compra. É como se a criptomoeda fosse o óleo da nossa engrenagem, em que a comunidade participa do crescimento”

O MNS pode ser trocado por reais ou qualquer outra criptomoeda, via Monnos ou outras plataformas parceiras, como Probit, Latoken e Felixo

Na terça (23/2), a cotação estava em R$ 0,004. Havia então 548.995.112,77 MNS tokens públicos, disponíveis para compra e venda. 

“Nosso racional não envolve mineração. Trimestralmente, compramos MNS tokens com 20% do nosso faturamento do período e queimamos [esse estoque de moedas]. Faremos isso até termos somente 1,75 bilhão de tokens disponíveis no mercado.”

METADE DOS USUÁRIOS INVESTE APENAS NO MERCADO DE CRIPTOMOEDAS

A falta de conhecimento sobre o mercado de criptomoedas e a segurança do setor ainda são os principais motivos de preocupação para os usuários da Monnos, segundo pesquisas disparadas por meio do aplicativo (com uma adesão média de 20%).

A sensação de insegurança seria reforçada por notícias recorrentes envolvendo a ação de hackers e golpistas e o uso de Bitcoins. “Algo natural de acontecer num mercado não regulado e em amadurecimento”, diz Rodrigo.

Hoje, metade dos usuários da Monnos também investem no mercado tradicional. Os outros 50% são mais jovens, focados em criptomoedas. 

“Está surgindo uma nova geração que já está se organizando financeiramente e é 100% voltada para o mercado cripto”

Aos iniciantes, ele recomenda começar aplicando um valor pequeno, que a pessoa esteja disposta a perder, em torno de 100 ou 200 reais. 

Assim, por meio de funcionalidades da plataforma como o feed de notícias, cifras de rentabilidade e a rede de compartilhamento de estratégias, o usuário vai aos poucos conhecendo e aprendendo a navegar melhor no ecossistema de moedas digitais.

UMA META PARA 2021 É AUMENTAR A PRESENÇA NO MERCADO BRASILEIRO

Uma curiosidade: hoje, apenas 7% dos usuários ativos da Monnos estão no Brasil.

Esse número vem crescendo, diz Rodrigo. “Temos visto percentuais espantosos. Do mês passado para este, houve um crescimento de 600% na entrada de brasileiros.”

A startup se posiciona globalmente; o time, aliás, já trabalhava em home office e, nesse sentido, não foi afetado pela pandemia (há inclusive um nômade digital, que vive pulando de país em país).

Rodrigo fica baseado em São Paulo. E diz que o foco em 2021 é aumentar a presença no mercado brasileiro.

“Precisamos tratar o país como nosso quintal e ocupar a oportunidade que esse mercado apresenta.. Nosso objetivo é competir de igual para igual com as top 5 empresas de cripto do mundo, apoiados na comunidade brasileira

De olho em novos usuários, a fintech projeta mais novidades para março. Uma delas será a possibilidade de investir em tokens que representam frações das ações de gigantes como Tesla e Amazon. 

Será lançada também uma opção de criptopoupança, realizada por meio de um bot, que vai executar trades continuamente. “A rentabilidade e variabilidade serão totalmente transparentes para o usuário”, diz Rodrigo.

A EXPECTATIVA É ATINGIR O BREAKEVEN E FATURAR R$ 2 MILHÕES EM 2021

A Monnos ainda não atingiu o breakeven, mas os sócios esperam chegar lá até dezembro.

Em janeiro, dizem, o faturamento mensal cresceu 80% em relação ao mês anterior — e a projeção era fechar fevereiro com um novo crescimento, de 120%. A expectativa é fechar 2021 faturando 2 milhões de reais no ano.

Para Rodrigo, o que se vê hoje ainda é a “ponta do iceberg” do mercado de criptomoedas — que, ele imagina, deverá viver seus anos dourados em 2021 e 2022. 

Na visão dele, as criptomoedas representam uma possível solução para problemas de transparência e intermediação excessiva do mercado financeiro tradicional. 

“Como empreendedor, meu principal objetivo é causar impacto, ser lembrado, fomentar o ecossistema empreendedor. Acredito que seja a melhor forma de contribuir. Esse mercado precisa se desmistificar.”

 

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Monnos
  • O que faz: Plataforma de compra e venda de criptomoedas e compartilhamento de estratégias de investimento
  • Sócio(s): Rodrigo Soeiro e Felipe Grasnievicz
  • Funcionários: 12
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2019
  • Investimento inicial: R$ 1 milhão
  • Faturamento: R$ 2 milhões (previsão para 2021)
  • Contato: [email protected]
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