Faltou um item para o jantar? Acabou o sabão? Não precisa de delivery: a Nutricar leva a mercearia para o seu prédio

Dani Rosolen - 7 jun 2021
Os sócios da Nutricar (a partir da esq.): Bernardo Fernandes, Vinicius Rocha e André Audi.
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Sabe aquela fome que bate no meio da tarde? O administrador Bernardo Fernandes, 31, cansou de ver os colegas da empresa de tecnologia onde trabalhava recorrendo a uma solução nada nutritiva: salgadinhos, chocolates e outras guloseimas oferecidas em um carrinho que desfilava pelo escritório.

Dessa observação ele teve a sacada de criar um negócio de alimentação saudável no ambiente corporativo. Assim nasceu a Nutricar, fundada por Bernardo e dois amigos de infância, o engenheiro de produção André Audi e o administrador Vinicius Rocha. 

Com um investimento de 100 mil reais, a startup começou a operar em 2015, inicialmente nesse esquema de carrinho (pense no serviço de bordo dos aviões). Mais tarde, incorporou os mercadinhos de autoatendimento, em que o cliente/colaborador da empresa pega o que quiser e paga por um aplicativo — seguindo a lógica do “self check-out e do honest market”, diz Bernardo. 

Ao longo do tempo, a Nutricar expandiu e passou a instalar também lanchonetes e cafeterias no ambiente corporativo, conquistando 400 clientes na Grande São Paulo — incluindo Grupo Edenred, Itaú BBA, QuintoAndar e XP.

O HOME OFFICE FEZ O FATURAMENTO DO NEGÓCIO CAIR A ZERO

A Nutricar ia muito bem. Em 2018, faturava 3 milhões ao mês. Em 2019, duplicou esse resultado — e chegou a 2020 com a expectativa de dobrar novamente e fechar o ano com um faturamento de 40 milhões. 

Mas aí veio a pandemia. Com o home office, os contratos corporativos foram colocados em stand-by.

“Vimos nossa receita cair para zero num intervalo de dez dias. Tínhamos cerca de 200 funcionários e tivemos de cortar 150 num período de 60 dias”

Ou a startup se reinventava urgentemente, ou sucumbia de vez. A sorte é que os empreendedores da Nutricar já tinham um plano B.

“Há uns três anos, a gente tinha criado um projeto de micro mercado residencial autônomo a pedido de uma incorporadora, para oferecer produtos de mercearia e higiene e limpeza”, diz Bernardo. “Porém, a Nutricar vinha numa batida forte de crescimento no corporativo e optamos [na época] por não segui-lo.”

EM POUCO TEMPO, O MODELO RESIDENCIAL SE MOSTROU UM SUCESSO

Com a receita zerada, era hora de desengavetar o projeto e facilitar a vida daquele morador que precisava, de repente, de um ovo para completar uma receita ou queria um lanchinho ou uma cerveja no meio da madrugada.

A Nutricar pôs o plano em prática. E deu certo. 

“Já temos mais de 120 lojas rodando e 150 lojas vendidas, aguardando inauguração na Grande São Paulo. Estamos num ritmo de quatro a cinco lojas inauguradas por semana”

Se não chegou a alcançar os 40 milhões de reais previstos pré-pandemia, a startup vem prosperando no novo esquema e fechou 2020 com 10 milhões de reais de faturamento. 

“A ideia é concluir 2021 com 200 lojas e faturamento de 50 milhões de reais”, diz Bernardo. O quadro de colaboradores também voltou a subir — hoje, são 95 pessoas.

SEM CUSTO PARA O PRÉDIO, O MERCADINHO CABE ATÉ NUMA PAREDE

Para dispor de um minimarket da Nutricar, o condomínio precisa ter no mínimo 150 apartamentos e um espaço para a instalação da estrutura do mercadinho. 

Nada muito grande, segundo Bernardo.

“Trabalhamos com estruturas totalmente modulares. Temos lojas implantadas no subsolo, no hall de prédio, dentro de antigos espaços de brinquedoteca ou salas de cinema. O tamanho mínimo é de 7 metros, no caso de uma parede linear; e de 15 metros quadrados, num espaço fechado”

A Nutricar também aposta em mercadinhos em contêineres (de 6 x 2,40 metros) para condomínios de casas e prédios sem um espaço interno adequado. Hoje, já são 14 contêineres instalados.

O cliente — no caso, o condomínio — não tem custo para abrigar o mercadinho. “Pelo contrário”, explica Bernardo: 

“A Nutricar investe em média 50 mil reais para a instalação do ponto, com margem de lucro de 25% e payback de até 5 meses. Do outro lado, 5% do faturamento bruto é revertido para o condomínio, como uma receita extra.”

NO MODELO RESIDENCIAL, A OFERTA DE PRODUTOS MAIS DO QUE DOBROU

Bernardo explica que cada loja da Nutricar tem um perfil de consumo, de acordo com o poder aquisitivo, os gostos, a região e outras especificidades dos moradores do condomínio. 

Os minimercados são instalados em condomínios com 150 apartamentos ou mais.

Marcas como Danone, Nestlé e Kibon estão entre os fornecedores. Bernardo afirma ainda que tem parcerias exclusivas (nesse segmento de mercadinhos residenciais autônomos) com Bacio di Latte e Iceburguer

A startup conta ainda com uma marca própria, a 24 por 7, com opções de lanches e refeições prontas.

No modelo corporativo, a Nutricar costumava disponibilizar cerca de 400 itens, geralmente para o consumo imediato (como barrinhas de proteína, castanhas, salada de frutas, sanduíches e sucos).

No modelo residencial, essa oferta se expandiu. Os minimercados chegam a contar com mais de 900 produtos no catálogo — incluindo arroz, azeite, massas, molhos, vinhos e cervejas.

GRANDES REDES ESTÃO DE OLHO NESSE SEGMENTO

O funcionamento e o ticket médio são diferentes nas duas operações. No corporativo, os serviços da Nutricar operavam de segunda a sexta, no horário comercial; e cada colaborador gastava em média 9 reais por dia. 

No residencial, a operação é de segunda a segunda, 24 horas por dia; e a média de gasto per capita é de 15 reais.

Segundo Bernardo, na maioria das categorias o preço dos produtos é similar aos de um supermercado. 

“Apenas em alguns casos não conseguimos manter o mesmo valor, porque não temos o poder de barganha de uma grande rede… Mas são centavos de diferença.”

Redes como AM&PM, Carrefour e Hirota estão entrando nesse mercado, mas num esquema de franquias, segundo o empreendedor. 

“O nosso plano estratégico de crescimento consiste em operar todas as nossas lojas para garantir o padrão de qualidade do começo ao fim.”

O PLANO É CHEGAR EM ACADEMIAS, CLUBES E UNIVERSIDADES

Dos mais de 400 clientes corporativos que a Nutricar tinha pré-Covid, 10% fecharam de vez seus escritórios e anunciaram a adoção definitiva do home office. 

A Nutricar já tem 14 contêineres instalados em condomínios horizontais.

Os outros 90% estão com o contrato em suspenso, esperando a pandemia passar para reabrir o escritório — e, espera-se, retomar a parceria com a startup.

Enquanto isso, os sócios pensam em expandir seu modelo residencial para Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. 

Outro foco neste momento é aprimorar a tecnologia, diz Bernardo:

 “Queremos otimizar o pagamento via app e implantar o reconhecimento facial em loja para identificar perfil de consumo do nosso público por CPF, seguindo as normas de LGPD”

Outro projeto é melhorar a comunicação nas lojas, implementando “uma espécie de Nutricar TV”. 

“Vamos ter uma rede de monitores dentro dos minimercados para nos comunicarmos com o consumidor final em tempo real, falando de promoções e novidades em relação ao mix de produtos.”

Bernardo afirma que a Nutricar tem negociações em andamento com dois clubes em São Paulo. Na sequência, deve mirar academias, escolas e universidades. 

“A ideia é manter uma operação híbrida, com mercadinhos no meio corporativo e no residencial, atingindo diferentes ambientes onde haja circulação de pessoas.”

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DRAFT CARD

Draft Card Logo
  • Projeto: Nutricar
  • O que faz: Soluções de alimentação saudável e mini mercados autônomos em empresas e condomínios
  • Sócio(s): André Audi, Bernardo Fernandes e Vinicius Rocha
  • Funcionários: 95
  • Sede: Alphaville (SP)
  • Início das atividades: 2015
  • Investimento inicial: R$ 100 mil
  • Faturamento: R$ 50 milhões (previsão para 2021)
  • Contato: [email protected]
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