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Oferecendo assinatura eletrônica gratuita, startup Contraktor quer divulgar sua solução online de gestão de contratos

Cláudia de Castro Lima - 6 dez 2019
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Atire a primeira bolinha de papel quem nunca maldisse a burocracia ao assinar um contrato de prestação de serviço com uma empresa. Imprimir, ir até o cartório para assinar e ter que enviar a papelada para a empresa por correio ou portador nos custa tempo, dinheiro e paciência.

Na outra ponta, gerir esses contratos também custa muito para as empresas. Elas enfrentam extravios de documentos, problemas com a organização de arquivos, funcionários perdendo horas em filas de cartórios e ainda prejuízos por eventuais perda de prazos.

Imagina se isso tudo pudesse ser feito digitalmente?

Pois os empreendedores Henrique Flôres e Bruno Doneda imaginaram.

Criada por eles em 2016, a lawtech Contraktor, uma das cinco startups selecionadas pela Estrella Galicia para o Programa de Empreendedorismo Colaborativo TheHop Brasil, oferece gestão de contratos em nuvem

Com o processo mais eficaz, as empresas economizam recursos – de acordo com os sócios, uma gestão ineficiente pode custar a um negócio até 9,2% de sua receita. Ou seja, é o caminho da transformação digital para organizações que buscam alta performance nesses processos internos.

Para divulgar suas soluções, eles passam a oferecer a partir de hoje um serviço de assinatura eletrônica gratuita. Qualquer pessoa ou cliente pode acessar um site, selecionar um arquivo, enviar para a parte interessada e recebê-lo em instantes assinado e validado. Normalmente um serviço como esse custa, em média, R$ 5 por documento.

BUDGETS ENXUTOS E VELOCIDADE NA ENTREGA

Henrique e Bruno conheceram-se na faculdade de Direito, em Curitiba, no Paraná. Uniu-os o fato de ambos acompanharem o mercado financeiro e terem certa predileção por administração, o que os levou a traçar um caminho natural em direção ao direito empresarial.

Entre a faculdade e o pós-diploma, Henrique trabalhou como assistente de departamento jurídico, consultor jurídico e advogado consultivo, especialmente na área de governança corporativa, e especializou-se em administração de empresas com ênfase em mercado financeiro.

Bruno, por seu lado, havia concluído seu LLB (Legal Laws Bachelor), espécie de MBA do Direito, na Fundação Getulio Vargas, e resolveu fazer gestão da tecnologia da informação enquanto trabalhava em um escritório de advocacia por alguns anos.

“Nessa época, eu estava atendendo uma startup da área médica de amigos, elaborando contratos societários e tributários. Eles estavam captando R$ 300 mil e, como eu conhecia a área, me convidaram para fazer o trabalho”, conta Henrique.

“Liguei para o Bruno e contei que estava fazendo esse projeto, mas que não poderia inseri-lo porque pagavam muito pouco. Ele riu e disse que também estava atendendo uma startup de marketplace e não poderia me incluir pelo mesmo motivo”, diverte-se o empreendedor.

“Já aprendemos que aquele era o cenário de startups. O budget é superenxuto e os empreendedores têm de se virar.” Ao mesmo tempo, os dois se interessaram por esse universo

“As startups nos valorizavam muito mais pela velocidade na entrega. Claro, talvez cobrássemos valores mais em conta, mas entregávamos rápido e com qualidade, e para eles era o que precisava. Não tinha aquela coisa de ficar avaliando nossa idade ou se nosso escritório de advocacia tinha ou não chão de mármore.”

Entre 2015 e 2016, Henrique e Bruno, empolgados com o ecossistema das empresas nascentes, resolveram atuar em sociedade oferecendo serviços de consultoria jurídica e de inteligência, com a elaboração de contratos B2B e B2C, societários, de operações, tributações e governança, entre outros.

A BUSCA POR UM MODELO DE NEGÓCIO SUSTENTÁVEL

Em um ano, a Seed, como batizaram a empresa, atendeu mais de 50 startups de áreas tão diversas como beleza, fintechs e marketplaces. A consultoria atuava muitas vezes em conjunto com o escritório de advocacia que eles também abriram, o Doneda e Flôres, para tratar de serviços jurídicos.

Pensando em dobrar a base de clientes para 2017 e expandir o atendimento além do Paraná, os sócios perceberam que não conseguiriam escalar a consultoria. “Pelo motivo de que consultoria não é escalável, já que ela depende muito de nosso capital intelectual”, relembra Henrique.

Henrique Flôres, sócio da Contraktor, em uma das dinâmicas do programa TheHop Brasil

“E ainda não existia ninguém formado em Direito das Startups, um curso que havia acabado de ser criado por institutos como FGV e Insper. Vimos que, apesar da oportunidade, não haviam outros profissionais para serem contratados e atender à demanda.”

Nessa mesma época, a Seed era representante de um sistema do Vale do Silício, o Tracxn, de análise de big data. Os sócios tentaram vender a startup para alguns fundos de investimento, mas não conseguiram emplacar o produto no Brasil. Nem tudo estava perdido. “Conseguimos acessar uma base bem interessante de legaltechs, as startups da área jurídica, e entender o que estava acontecendo fora do país, porque aqui esse tipo de negócio era muito restrito, quase não existia”, afirma Henrique.

Pesquisando sobre isso, eles tomaram conhecimento da Lawgeex, uma startup de Israel que, usando um sistema de inteligência artificial, fazia pré-análises de contratos. Isso os ajudaria a ganhar tempo e atender mais clientes, com preços competitivos.

“Pensamos inicialmente em estruturar a tecnologia proprietária do escritório em nossa consultoria jurídica, para que a gente pudesse replicar o modelo por dentro mesmo, elaborando mais contratos, aumentando nossa capacidade de produção intelectual”, diz Henrique sobre a ideia inicial.

Foi nesse momento que o nome Contraktor surgiu – segundo o empreendedor, “de uma conversa informal, como as boas marcas nascem, sem muito processo de branding”

Outro desafio, no entanto, apareceu. “Ficou evidente naquele momento que, se já tínhamos dificuldade de encontrar profissional que entendesse de contrato, no ramo consultivo, e que entendesse de startup, seria muito difícil escalar também nosso negócio.”

Foi quando eles participaram do primeiro processo de aceleração, do Founder Institute, do Vale do Silício, voltada a moldar empreendedores. “Aprendemos lá toda a metodologia de startup. Embora a gente já trabalhasse com o ecossistema, no fim do dia a gente era advogado, o que é bem diferente de ser empreendedor de startup.” Foi nesse programa que eles entenderam que aquele não era de fato o modelo.

O CAMINHO DA RESILIÊNCIA E DA PIVOTAGEM

Até chegarem ao modelo de negócio atual, os dois sócios ainda tentaram outra solução: entregar os sistemas para escritórios de advocacia, que gerenciariam os contratos de seus clientes. Não funcionou. “O mercado jurídico engatinhava no processo de educação de tecnologia e ainda tinha muito medo da inteligência artificial. Não a entendiam como um benefício, mas achavam que iria substituí-lo”, conta Henrique.

Chegada a hora de pivotar. “Fomos buscar novos caminhos, novos mercados. Aprendemos que não podíamos ser tão apaixonados pelo produto. Por mais que a gente quisesse ser a Lawgeex brasileira, tínhamos que resolver um problema brasileiro. Só assim o produto pararia de pé.”

Durante o processo todo, os recursos vinham da própria consultoria. “Estávamos no modelo bootstrap. A consultoria sustentava essa, de certa forma, nossa aventura.” Foi quando veio o estalo.

“Eu já tinha conhecimento das dores das empresas relacionadas a contratos: os extravios de contratos físicos, empresas que começavam os trabalhos sem contratos assinados por causa da demora do processo e do trâmite físico de coleta de assinatura e de cartório, multas por descumprimento, perda de equipamentos por esquecimento do prazo de renovação”, enumera Henrique. Eles sabiam que, com tecnologia, existia um problema que poderia ser resolvido.

Sentaram com três investidores-anjos e fizeram sua primeira rodada de captação, de R$ 120 mil. Alguns ajustes no produto mais tarde e em um mês a Contraktor já tinha cinco clientes

A startup oferece hoje uma solução completa na gestão de contratos na nuvem, automatizando todo o ciclo de vida deles, de ponta a ponta. Com a plataforma, que cobra assinaturas de seus clientes a partir de R$ 350, é possível criar, editar ou importar contratos em questão de minutos, enviá-los para assinatura digital e eletrônica (evitando correios, cartórios ou motoboy), rastreá-los e gerir os dados e indicadores de desempenho.

A Contraktor afirma que sua solução reduz o tempo de tramitação de documentos em até 97% na empresa. Ela pode ser aplicada em todos os departamentos, do comercial ao jurídico, passando pelo financeiro e RH. Em 2018, a receita da startup cresceu incríveis 1000%. Para este ano, a expectativa é de aumento de 600%. A cada seis meses o valuation da empresa dobra.

UMA PARCERIA QUE TRIPLICOU A RECEITA EM CINCO MESES

Os sócios fizeram mais duas rodadas de captação, com crowdfunding, que levantou R$ 450 mil na primeira, investidos todos no produto em si, e R$ 600 mil na outra, empregados em estrutura de marketing, administrativa, operacional e comercial. “Não dava para estar em uma reunião com o cliente respondendo ao suporte do outro e ainda voltar para o escritório no fim do dia para resolver a área financeira”, explica Henrique.

Vinte e cinco pessoas fazem parte da Contraktor atualmente. A startup tem 40 investidores, está caminhando para o break even e dialogando com fundos de investimento para uma nova rodada. E passou por alguns processos de aceleração – um deles, da Visa em parceria com a Kyvo, ajudou, no fim de 2018, a empresa a triplicar sua receita em cinco meses.

Esse foi um dos motivos para Henrique e Bruno terem procurado o TheHop Brasil, Programa de Empreendedorismo Colaborativo da Estrella Galicia, que tem a Kyvo como parceira. Os sócios estão passando por semanas de mentorias e bootcamps e estão baseados no coworking Spaces Vila Madalena, em São Paulo, com os representantes das demais startups contempladas. Lá, trabalham no desenvolvimento de uma estratégia com a cervejaria espanhola.

A Contraktor conta atualmente com 165 clientes. A Associação Comercial do Paraná, por exemplo, começou com uma de suas associadas usando a plataforma. Hoje são 60. Ela relatou para a startup ganhos de eficiência e redução de 80% a 90% dos custos com deslocamentos, além de economia na agilidade e no tempo dos processos. Hoje, 60% dos contratos são processados em um mês – antes, isso podia levar até 120 dias.

A 99 App calculou em 75% a otimização no tempo no envio de contratos e 80% de economia no uso de papel. A Sambatech, 84% de economia no custo de tramitação total de documentos e 97% no de tramitação de contratos. A Brasil Cap, 80% menos gasto na coleta de assinatura física e 100% dos prazos monitorados.

Com o serviço de assinatura eletrônica gratuito, que entra hoje no ar na landing page assinaturagratis.com, o objetivo da Contraktor é democratizar esse serviço no país. Mas é também cair na boca do povo

“Nosso negócio é fazer a gestão de ponta a ponta do negócio do cliente”, afirma Henrique. “Não é um trial, é um serviço gratuito mesmo. Pretendemos, assim, que o usuário nos conheça e que, quando tiver um volume interessante de contratos e sentir a dor da gestão, ele venha trabalhar com a gente.”

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