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O tempo que você gasta no celular não tem volta. Mas e se a sua atenção, ou pelo menos uma fração dela, fosse recompensada em dinheiro?
A ideia está por trás do BORA. A plataforma de engajamento recompensa usuários que interagem com marcas parceiras através de atividades gamificadas. As recompensas são pagas em unidades de um utility token que pode ser trocado, no aplicativo, por dinheiro ou vouchers de desconto em produtos e serviços diversos – do Uber ao McDonald’s, passando por farmácias, petshops e supermercados.
Segundo Ricardo Podval, chief strategy officer do BORA:
“A pessoa já tem o hábito de estar com o telefone pelo menos quatro horas por dia nas redes sociais, seja indo ou voltando do trabalho, em casa, na hora do lazer… O que a gente quer é que ela gaste dois, três minutos interagindo no BORA – e ganhe dinheiro com isso”
Quando apareceu aqui no Draft em 2018, Podval havia acabado de cofundar, com Patricia Villela Marino, o CIVI-CO, hub de negócios de impacto localizado em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Uma iniciativa que, segundo ele, “ninguém acreditava que daria certo”:
“Em um ano a gente já estava com 58 startups instaladas, dando mentoria, ajudando a acelerar, conectando as startups com outras mais maduras”, diz. “Por lá passaram grandes projetos, como Pipe.Social, Quintessa…”
Em 2019, Podval deixou a operação do CIVI-CO e a capital paulista: “Fui para Juiz de Fora [MG] desenvolver o Moinho, um hub de inovação focado em empreendedorismo para cidades de até 1 milhão de habitantes”.
Na paralela, ele se uniu a Victor Bermudes e Tom Ricetti para empreender a Onii, startup de lojas autônomas para condomínios. “Colocamos a primeira loja em 2019 no Damha, em São Carlos [SP], um condomínio fechado.” Com a pandemia, a empresa acelerou. “Hoje a gente tem mais de 600 lojas pelo Brasil, uma joint venture com a Minha Quitandinha.”
Agora, o foco de Podval está no BORA. Lançada em 2025, a plataforma vem sendo alavancada pela integração ao programa de fidelidade UAU Caixa. Leia a entrevista a seguir:
O que é o BORA? Pelo ponto de vista do usuário, como e por que utilizar a plataforma?
O BORA é uma joint venture entre a Minu e a Wibx. A Minu é uma empresa de marketing de recompensa que, através de uma tecnologia de solução própria, ajuda empresas a se relacionarem melhor com seus clientes. Ela é pioneira no marketing de recompensa do Brasil.
Para se ter uma ideia, em 2020, a Minu entregou mais de 1 bilhão de recompensas através do marketing digital. Ela tem mais de 200 parceiros e 600 ofertas na sua nuvem de recompensas.
Do outro lado, a Wibx, um utility token desenvolvido por brasileiros em parceria com o ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], com mais de 3,2 bilhões de movimentação ao longo da sua história. E através dessas duas empresas, a gente criou o BORA, uma plataforma de engajamento 100% tokenizada.
Uma das principais missões no BORA é trazer uma parte da verba de marketing das empresas, através da plataforma, transformando pessoas em micro influenciadores – ou seja, aproximando as marcas às pessoas
O Brasil, hoje, tem 183 milhões de pessoas conectadas. Ou seja, 86% da população brasileira tem um smartphone, está conectada à internet e gasta [cerca de] quatro horas em redes sociais, gerando uma audiência absurda no ecossistema.
O ponto é que o dinheiro dessa audiência não fica para as pessoas, fica em grandes grupos, como Meta, TikTok, entre outros.
Como funciona a plataforma?
O usuário baixa o app, se cadastra e tem uma conexão direta com o ecossistema das marcas. Acessa experiências e benefícios exclusivos, cria um senso de pertencimento… Ele evolui de consumidor para membro da comunidade.
Dentro do aplicativo tem circuitos e uma série de projetos gamificados, como “Assista e ganhe”, “Indique e ganhe”, “Responda e ganhe”. Quanto mais ele vai interagindo na plataforma, mais ele vai ganhando WIBX, e esses WIBX se transformam em produtos ou Pix – dinheiro no bolso final.
Então, [por exemplo] vou indicar aquela marca ou aquele filme para cinco, dez pessoas na minha rede; e cada vez que eu indico, ganho os WIBX correspondentes àquela interação.
E aí se torna o boca a boca digital. Maximizando o impacto de marketing, valorizando o nano influenciador, gerando um engajamento orgânico… A gente cria um efeito em cadeia
Por que o WIBX? Por ser um utility token, tenho toda a rastreabilidade do processo, uma garantia de segurança na operação. E ela [a pessoa que usa o app] pode entrar no shopping da plataforma e trocar por produtos: alimentação, cinema, supermercados – e até um pix na conta dela.
Esse nano influenciador impacta diretamente seus amigos e familiares: [junto] aquelas pessoas que a seguem, ele tem uma credibilidade e uma força extremamente grandes. Então a gente usa pessoas comuns como influenciadores da marca.
A cotação do WIBX varia diariamente?
Varia como uma criptomoeda. Então, tem uma flutuação maior ou menor ao longo do dia. E as recompensas também variam, porque também são em valores de WIBX.
Para se ter uma ideia, um WIBX hoje [18 de fevereiro, dia da entrevista] deve estar em torno de 0,8 a 1 centavo. Pense que, numa interação, [o usuário] vai ganhar [cerca] de 5 a 15 reais – cada campanha vai ter um valor de recompensa estimado.
Quantos usuários ativos tem o BORA atualmente?
Hoje, a gente já tem mais de um milhão de pessoas interagindo com a gente quase diariamente: respondendo, indicando, repostando e participando dos projetos de gamificação dentro do BORA. E criando assim uma comunidade que todo dia está engajando com as marcas.
Muitos [usuários] vêm por meio do UAU, o programa de fidelidade da Caixa, que concentra 153 milhões de pessoas espalhadas pelo Brasil inteiro. É uma plataforma white label da Caixa, mas que roda através do BORA
Temos um mapa por região, mas [há] bastante gente de São Paulo, do Norte e do Nordeste. É bem equilibrado. E, lógico, eles são ativos à medida que a gente tem as campanhas acontecendo.
Então, quando as campanhas estão acontecendo, você tem uma interação muito grande de pessoas querendo participar, resgatar e fazer parte do projeto. O interessante é o volume de pessoas que entram diariamente para ver se tem campanha ou não. Isso começa a se tornar um hábito.
Vocês divulgaram uma ação recente no Complexo do Alemão junto com o Raull Santiago, influenciador e liderança local. Como foi essa ação e o que ela gerou de resultado?
O Raull é nosso parceiro e nosso sócio local no Rio de Janeiro. A gente criou uma campanha que foi levada para Davos, inclusive.
No [Complexo do] Alemão, todo mundo tem um smartphone. E a gente divulgou o BORA lá dentro: as pessoas baixavam e resgatavam o prêmio.
O movimento foi rápido, a interação e a aceitação foram gigantescas entre mototáxis, comerciantes locais, moradores, o pessoal da feira…
A gente teve, em poucas horas, 6 mil pessoas baixando o aplicativo e engajando na campanha.
Em termos de estratégia para ampliar a base, o que você pode contar? E quais os principais desafios do BORA daqui pra frente?
Além da Caixa, a gente tem conversado com o Filipe Bartholomeu, CEO da Almap [AlmapBBDO], de trazer os grandes clientes da agência para dentro do BORA, para ter uma interação direta entre marcas e pessoas comuns das comunidades se tornando influenciadores das marcas.
Vale lembrar que a Core, empresa de mídia do grupo [a holding ARKA, que também inclui a Minu], é especializada em conectar marcas ao Brasil real. Então o BORA acaba se tornando esse super app que conecta marcas e pessoas através da plataforma da Core e dos clientes da agência.
O grande desafio é realmente trazer as marcas e fazer as campanhas. O importante é que a gente tenha campanhas acontecendo o tempo inteiro. Sem campanha, não tem recompensa na ponta
Quanto mais marcas, mais campanhas a gente gera. E quanto mais campanhas, a gente consegue influenciar mais pessoas na ponta, dar mais benefícios e ter um número cada vez maior de interações.
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