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Composteira monitorada por aplicativo? Conheça a ideia premiada na mostra de ciências e tecnologia do Instituto 3M

Marina Bessa - 19 mar 2021
O aplicativo SmartHummus monitora o estado do composto e ainda facilita a interação entre os usuários
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Você tem uma composteira? Se já gerenciou uma dessas caixas de reciclagem de lixo orgânico sabe que a solução é eficiente, mas exige dedicação — e o resultado nem sempre é um adubo de boa qualidade. Imagine, então, uma composteira automatizada, que passa informações para um aplicativo no seu celular, em que se monitora o estado do composto, facilitando o seu cuidado e garantindo hummus e composto líquido excelentes.

Esse foi o projeto executado por três estudantes do Colégio Técnico de Campinas, o Cotuca. O projeto, batizado de SmartHummus, foi inscrito na 8ª Mostra de Ciências e Tecnologia do Instituto 3M, levou o primeiro lugar na categoria engenharia e ganhou uma vaga na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), a maior do gênero no Brasil.

CIÊNCIA ALIADA À TECNOLOGIA

Mateus, Vitor e Gabrielle são alunos do curso de informática do Colégio Técnico de Campinas, o Cotuca

O projeto foi o trabalho de conclusão de curso dos amigos Gabrielle Barbosa (17), Mateus De Padua Vicente (18) e Vitor Ramos (17). Estudantes do curso técnico de informática, eles queriam trabalhar com um tema relevante, resolver um problema prático e oferecer uma solução acessível e útil. Interessados no tema da sustentabilidade, acabaram esbarrando no problema do lixo. “No Brasil, o lixo orgânico representa mais da metade do descarte total de lixo, e boa parte não recebe o descarte e o tratamento adequado, liberando gases e líquidos tóxicos ao ambiente”, explica Vitor. Foi assim que chegaram à ideia de incrementar o funcionamento da composteira doméstica.

“Nossa intenção era usar o conceito de IOT, a internet das coisas, e automatizar o gerenciamento das caixas de reciclagem”, explica.

Durante um ano, os três estudantes trabalharam nesse projeto, desde a ideação até o protótipo final. O processo envolveu pesquisa científica, consultoria com biólogos, construção de um cronograma de trabalho, busca por melhores soluções técnicas, programação de hardware e desenvolvimento do aplicativo, com direito a logotipo e projeto gráfico.

Chegaram a um protótipo em que sensores monitoram a liberação de gases, a acidez, a temperatura e a umidade. Os resultados são comparados ao ideal e, se houver algum indicador inadequado, o sistema sugere soluções. Além disso, o aplicativo traz um feed de notícias sobre sustentabilidade e aceita interação entre os usuários para compra e venda de adubo (veja a apresentação do projeto no vídeo abaixo).

Apesar da pandemia, Gabi, Vitor e Mateus trabalharam o tempo todo juntos — por vídeo chamada. Dividiam o trabalho, compartilhavam os achados. “O maior aprendizado foi aprender a trabalhar juntos”, diz. Mas não só isso. “Aprendemos a nos organizar, a realizar uma ideia, a falar em público. E aprendemos muito sobre sustentabilidade.”

ALUNOS PREPARADOS PARA A VIDA

O Cotuca sempre incentivou os alunos a fazerem projetos que, de uns tempos pra cá, passaram a ter uma vertente científica mais apurada. “Depois que fizemos o curso de formação dos professores do Instituto 3M, vimos como é importante que os projetos tenham embasamento teórico, sigam uma metodologia científica, comparem resultados”, conta Sérgio Luiz Marques, o professor que coordenou o projeto do SmartHummus.

A prática combinada com a teoria, segundo o professor, só traz benefícios.

“Os alunos aprendem a fazer pesquisa, desenvolvem o pensamento científico, entram na faculdade muito mais preparados e motivados para a ciência”, diz.

A participação em feiras como a Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto 3M motiva alunos e professores. “Sempre pedimos que eles busquem soluções diferentes das que já aprenderam em sala de aula. Dessa forma, a gente acaba estudando e aprendendo junto”, diz Sérgio.

UM PAÍS COM FUTURO

A Mostra de Ciências e Tecnologia do Instituto 3M recebeu 204 inscrições em sete categorias de conhecimento. Três das equipes premiadas foram indicadas para a Febrace.

“Em 2020 tivemos que trabalhar com a classificação ‘com resultados’ e ‘sem resultados’ porque os alunos não tiveram acesso aos laboratórios. Por isso, alguns projetos ainda não foram testados. Nesses casos, os avaliadores analisaram as ideias dos alunos”, explica Liliane Moura, supervisora do Instituto 3M. “Fizemos isso para incentivar esses estudantes a continuar trabalhando, já que nesse ano as dificuldades em desenvolver projetos de ciência foram ainda maiores.”

Também por conta do cenário de pandemia, essa edição foi realizada em um modelo 100% digital. “Apesar de tudo, o evento foi um sucesso. Em um ano tão atípico, a Mostra do Instituto 3M foi um presente muito bem-vindo para coroar o trabalho dos alunos no final do ano”, diz Liliane.

Faltou contato, mas sobrou empolgação. “Eventos como esse mostram que esse país tem futuro”, diz Sérgio. Vitor concorda. “É muito bom ver nossas ideias gerando frutos. No nosso caso, literalmente!”

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