“É possível se reinventar e integrar vida pessoal e profissional”

Fredy Machado - 4 maio 2018
Após sofrer um mal súbito, Fredy Machado conta que começou a repensar o modo como lidava com o trabalho. Desta reflexão nasceu um livro lançado no final do mês passado.
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por Fredy Machado

Muitos me taxaram de maluco quando fiz a afirmação acima pela primeira vez. Ela acabou, inclusive, virando o título do livro que lancei no final do mês passado. Alguns ainda acham isso uma loucura e tenho que dizer que, para quem pensa assim, é melhor começar a trabalhar a mente, pois estará prestes a um profundo desencantamento com o mundo corporativo atual.

Quando nos deparamos com o dado (apurado para a minha publicação) de que 64% de um total de 341 empresários, executivos, empreendedores e profissionais de um modo geral, de 21 estados brasileiros e alguns expatriados, estão insatisfeitos com o que fazem hoje e gostariam, urgentemente, de fazer algo diferente para serem mais felizes, alguma coisa está profundamente errada.

Combinando de forma transversal os índices desta mesma pesquisa, chegamos à conclusão que a enorme maioria dos entrevistados está infeliz com a vida que leva e mais de 30% já tiveram alguma doença decorrente, especificamente, do trabalho que realizam.

As gerações mais antigas tendem a ter uma maior resistência com o que nos deparamos hoje em termos de ambiente de trabalho e respeito à capacidade e competência de cada um no cargo que desempenha.

Sou um profundo crítico ao tal Departamento de Relações Humanas, ainda muito sustentado por empresas mais tradicionais

Esses departamentos são induzidos ao erro por um comando, muitas vezes, tóxico, que faz com que cometam erros crassos já no início do processo, ou seja, no recrutamento e seleção. Pesquisa recente mostra que 81% dos entrevistados se sentem enganados pelo processo de R&S que já passaram (Isma-Br, Hay Group & Michael Page).

O livro acima é resultado da própria desilusão do autor com o mundo corporativo.

Aí, surgem as startups que nada mais são do que empresas em processo de implantação, iniciando suas vidas, engatinhando, e têm um processo seletivo que mais parece um vestibular. Não pelo processo em si, mas pela quantidade de talentos que estão ávidos para trabalhar nestas empresas. Na grande maioria delas não existe RH. Todos os líderes são o RH, assumem o papel de cuidar das pessoas e fazê-las se sentir bem dentro do ambiente de trabalho, respeitando-as acima de tudo.

Ao analisarmos os dados de insatisfação anteriores (de 64%) juntamente com a taxa de pessoas que efetivamente se intitularam infelizes com o que fazem, chegamos ao estarrecedor índice de 99,01% de infelicidade no mercado de trabalho. E aí, está bom para você, querido leitor? Acho que não está bom para ninguém, pois empresas estão perdendo valor de mercado e talentos um atrás do outro. As pessoas estão morrendo ou se matando por não aguentarem mais tanta infelicidade.

Falo isso porque aqui está toda a razão de existir do meu livro: mostrar aos leitores que é sim possível integrar vida pessoal e profissional e que não existe aquela velha e tão celebre frase: “Entro na empresa e coloco o chapéu de empregado, executivo ou dono; quando chego em casa, o papel de marido, esposa, pai ou filho; no clube, o papel X; na praia o papel Y; no golf o papel Z”. Meu deus, como ainda tem gente que pensa assim? Esta mentalidade me remete aqueles castelos de cartas que quando tiramos apenas uma cartinha desmorona todo.

Com uma vida integrada, você não precisará usar diversos “chapéus” ou máscaras para atuar conforme as necessidades

Você será uma pessoa integral e fiel ao seu propósito de vida, alguém inteiro e integrado e, consequentemente, mais feliz, produtivo e bem-sucedido em tudo o que fizer. Isto também é cientificamente comprovado: pessoas mais felizes produzem 33% a mais que as descontentes. O que sua empresa ou você precisa neste momento? Faça uma análise e responda no espelho.

Não tenho dúvidas que todas as respostas irão passar pelo que você leu neste artigo. Se está infeliz, mude já, para o seu bem, da empresa que você trabalha, dos seus colegas de trabalho, da família, dos filhos, dos amigos, dos parentes e de tudo mais. Até porque, posso te garantir que uma vida desintegrada não te levará ao lugar que você sempre idealizou um dia para sua aposentadoria.

Bom, só estou aqui hoje escrevendo isso para vocês porque estive neste hall dos “doentes infelizes”. No momento em que resolvi parar e falar a mim mesmo que era possível, em 2013, eu estava em uma cama de hospital, fora do Brasil, longe dos meus familiares e amigos amados, com um problema no coração que, depois, fiquei sabendo se tratar de uma angina e com um diagnóstico de infelicidade.

 

Fredy Machado, 43, é palestrante, empresário e consultor. Após um mal súbito, começou a se  preocupar com a saúde e com a qualidade de vida e, hoje, oferece serviços de mentoria, consultoria e palestras para conscientizar outras pessoas”afundadas” na vida profissional.

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