É difícil encarar a realidade quando ela ecoa dizendo que pode demorar 167 anos para a igualdade racial no mercado de trabalho ser alcançada. Recentemente, o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), do qual sou fundadora e Diretora Executiva, realizou um estudo que ressalta a urgência de implementar ações afirmativas eficazes para acelerar esse processo e promover uma mudança significativa na trajetória desigual que enfrentamos.
Os números apresentados na pesquisa são inquietantes, mas também são um chamado à ação. A renda de 80% dos profissionais negros não ultrapassa dois salários-mínimos. Este dado levantado pela Oxfam, evidencia a necessidade de medidas que rompam com essa estrutura desigual. Em um país onde o empreendedorismo negro e indígena muitas vezes é um ato de sobrevivência, as ações afirmativas se tornam ainda mais cruciais.
A desigualdade racial na educação é uma fonte significativa de desperdício de talentos, com cerca de 40% dos jovens até 24 anos não concluindo o ensino médio. Esta evasão escolar não apenas impacta negativamente a renda futura, mas forma um ciclo persistente de desigualdade. É crucial interromper esse ciclo por meio de ações na educação, criando oportunidades reais e promovendo inclusão.
No âmbito dos desafios de gênero, as mulheres enfrentam obstáculos adicionais, desde a evasão escolar até dilemas como maternidade versus mercado de trabalho.
Apenas 54% das mães entre 25 e 49 anos, com crianças de até 3 anos, estão empregadas, conforme dados do IBGE. Nesse contexto, as ações afirmativas devem abranger diversas interseccionalidades, incluindo LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, refugiados e outros grupos sub-representados. Essa abordagem é essencial para construir oportunidades inclusivas e equitativas para todos. O estudo revela um aumento de 10% na diversidade étnico-racial que resulta em quase 4% de crescimento na produtividade das empresas.
O potencial transformador das ações afirmativas vai além do campo social, impulsionando a inovação, enriquecendo ambientes organizacionais e promovendo o crescimento econômico. Reforço a importância crucial do mercado de Diversidade e Inclusão (D&I) como um catalisador poderoso para a mudança. Neste cenário, em que o D&I se projeta para alcançar US$ 24,3 bilhões até 2030, é imperativo enxergá-lo não apenas como uma tendência, mas como um instrumento estratégico para desencadear transformações significativas.
Como diretora do ID_BR, destaco como esse investimento ativo em D&I pode desafiar e encurtar drasticamente o tempo necessário para alcançar a igualdade racial.
Ao fomentar ambientes de trabalho mais inclusivos, as empresas não apenas prosperam em termos de rentabilidade, produtividade e inovação, mas também se tornam protagonistas na construção de um futuro onde a igualdade racial é não apenas uma visão distante, mas uma realidade imediata.
Nossa missão é transformar o presente para redefinir o futuro, e o mercado de D&I é nossa ferramenta fundamental para alcançar essa mudança inadiável. Não podemos esperar 167 anos para a igualdade racial se tornar uma realidade.
Chegou o momento de agir e moldar um Brasil onde talentos negros e indígenas não sejam mais desperdiçados, mas cultivados e celebrados.
**Luana Génot é publicitária com mestrado em Relações Étnico-Raciais no CEFET-RJ. Foi bolsista do Programa Ciências Sem Fronteiras pela Capes na Universidade de Wisconsin – Madison nos Estados Unidos e, em 2019 lançou o livro “Sim à Igualdade Racial”. É fundadora e diretora-executiva do ID_BR (Instituto Identidades do Brasil).
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