• LOGO_DRAFTERS_NEGATIVO
  • VBT_LOGO_NEGATIVO
  • Logo

APRESENTA
APRESENTA

Laylla da Cruz domina qualquer meio-campo

Bárbara Caldeira - 26 jul 2019
Funcionária do Supply Chain da FCA, a Laylla bate um bolão.
Bárbara Caldeira - 26 jul 2019
COMPARTILHAR

A infância de Laylla da Cruz já prenunciava a habilidade que garantiria um lugar na Seleção Brasileira de Futebol: “eu arrancava a cabeça das bonecas para jogar futebol com elas”, revela, rindo. Muito antes de dividir o campo com a craque Marta – hoje a maior artilheira da história das Copas, depois de deixar para trás o alemão Klose com o gol contra a Itália no último dia 19 -, Laylla contava com o apoio da família para descobrir sua vocação.

“Meu pai jogou no Cruzeiro, mas não conseguiu se profissionalizar. O sonho dele foi interrompido, então acabou se realizando em mim.”

Quando criança, Laylla era figura recorrente nas partidas que o pai jogava e considera que sua aproximação com o esporte foi muito natural. “Ele nunca teve uma postura machista, de achar que futebol não era coisa de menina”, comenta. O preconceito ainda é muito comum em nossa sociedade, mas não na casa da ex-atleta, que nasceu em Ouro Branco, cidade do interior de Minas Gerais.

Quando tinha oito anos, Laylla passou a fazer escolinha de futebol. Aos 14, jogava tanto vôlei quanto futebol no colégio em que estudava, até que o final do campeonato dos dois esportes foi marcada para o mesmo dia. “A proposta dos treinadores foi fazer um sorteio, mas antes que isso acontecesse, tomei minha decisão”, lembra. Cerca de dois anos mais tarde, ela cavou uma oportunidade de jogar no Atlético, e foi aí que precisou se adaptar: do futebol de salão para os gramados.

Laylla em sua primeira partida pela seleção.

Em 2007, surgiu a oportunidade de fazer um teste para o time do Santos Futebol Clube, em São Paulo. Foi o Santos que abriu as portas para que Laylla começasse a atuar na Seleção Brasileira: com a camisa 5, ela era meia do time Sub 20. No final de 2009, ela recebeu uma aguardada proposta: a de fazer faculdade nos Estados Unidos. Passou a se dedicar aos estudos do inglês em tempo integral. Antes de partir para a Universidade do Texas em San Antonio, em agosto de 2010, ela ainda jogou pelo São José dos Campos (SP). A mãe de Laylla fez um combinado com a filha: ela poderia jogar futebol, mas nunca deveria parar de estudar. “Lá fora, jogava pelo time da universidade e tinha 100% de bolsa. Para ter um dinheirinho a mais, comecei a trabalhar em dois projetos: vendia ingressos de jogos de basebol e futebol americano e também atuava no escritório de admissão de novos estudantes”.

Conciliar todas as atividades com os treinos que ela fazia de segunda a sábado e com os jogos (sextas e domingos) exigia bastante disciplina, mas ela estava no caminho certo. Foi lá nos Estados Unidos que ela teve a oportunidade de jogar pela Seleção Brasileira principal pela primeira vez, em 2013, contra o time do país, em Orlando. A segunda partida foi em 2014, contra a França, em Lyon. “Voltei para o Brasil direto para a Granja Comary, centro de treinamento da seleção”, conta. Mas em 2015, uma lesão no tornozelo fez com que Laylla fosse cortada da convocação para as Olimpíadas de 2016.

Futebol na Suécia às vezes parece hockey!

Jogando no time sueco Östersund DFF, ela marcou um golaço de antes do meio-campo e virou notícia no mundo todo, deixando os brasileiros orgulhosos. Ela tinha certeza de que conseguiria voltar para a Seleção, mas uma nova lesão naquele mesmo tornozelo a impediu de novo. “É frustrante, porque isso depende muito do físico e, por maior que seja a dedicação, tem coisas que fogem do nosso controle”, conta.

Nesse momento, ela precisou tomar uma decisão difícil: encerrar a trajetória como atleta profissional e investir em uma carreira na sua área de formação, Administração e Gestão de Negócios Internacionais. Desde 2017 na área de Supply Chain da FCA no Polo Automotivo Fiat (Betim, Brasil), Laylla aplica no cotidiano profissional o que aprendeu nos gramados.

“Levo para a vida o entendimento de que as pessoas são diferentes, têm habilidades diferentes, e precisam jogar na posição em que entregam mais resultado.”

Ela revela que lidar com a pressão também foi algo desenvolvido nos tempos de atleta. Afinal, “você precisa escutar um estádio te xingando, vaiando, mas manter em mente que, se errou, na próxima vai acertar, até que isso aconteça”. O jeito muito direto de se comunicar em campo está sendo lapidado. “Quando você está jogando, precisa falar ‘passa a bola!’ em vez de ‘você poderia me passar a bola da próxima vez, por favor?’, porque é tudo muito ágil. Em uma empresa não dá para fazer o mesmo”, ri. Ela diz que também se sai bem nesse meio-campo, e entende o novo time de trabalho.

Mas e o futebol? Ficou para escanteio? Nada disso. Laylla não abre mão de jogar uma boa pelada, inclusive ao lado do pai e dos tios. No final do ano, toda a família se reúne para um grande jogo. Vendo as jogadoras do futebol feminino na Copa, Laylla se encheu de orgulho. “Elas trabalharam forte para chegar onde estão, e não é fácil”, diz.

O que Laylla deseja para o futebol feminino? “Está tendo mais visibilidade, a Copa foi transmitida pela primeira vez em TV aberta, mas minha torcida é que não pare por aí”, defende. Ela explica que Marta, Cristiane e Formiga, grandes nomes da seleção, em breve não estarão mais jogando, e é preciso formar mais uma geração de jogadoras com qualidade, o que só acontece com apoio e oportunidades. A Fiat é patrocinadora, até 2022, das Seleções Brasileiras de Futebol (de base, olímpicas e principais, masculinas e femininas).

 

Esta matéria pode ser encontrada no FCA Latam Stories, um portal para quem se interessa por tecnologia, mobilidade, sustentabilidade, lifestyle e o universo da indústria automotiva.

banner fca

 

APRESENTA
COMPARTILHAR
APRESENTA

Confira Também: