Mandaê, a startup que encontrou o sucesso oferecendo o jeito mais fácil de enviar qualquer coisa pelo correio

Renata Reps - 15 out 2014 Mandae
Marcelo (de óculos), Karim (de camiseta branca), e a equipe Mandaê, no escritório em Pinheiros
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A Mandaê é uma empresa que, seguindo uma tendência mais em voga nos Estados Unidos, se esmera em cuidar de todas as etapas do envio de encomendas pelo correio. Lançada oficialmente em abril deste ano, em apenas seis meses de atividade já tem 300 clientes fixos — e é uma prova de que a inovação muitas vezes significa simplesmente solucionar problemas óbvios do cotidiano.

Ir ao correio não costuma ser, por assim dizer, a experiência mais agradável do mundo. Especialmente se é algo que você precisa fazer ou com muita frequência, ou quando quer mandar um objeto maior, ou uma encomenda que pede uma embalagem especial. Além de não ser barato – as tarifas subiram 7,85% em junho – o deslocamento até a agência, as filas e a procura pelo pacote ideal causam aborrecimentos a quem depende do sistema.

Marcelo Fujimoto, administrador paulistano de 36 anos que viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos, enxergou nessa dificuldade uma oportunidade de negócio. Depois de começar sua carreira na área de logística e transporte do banco multinacional JP Morgan e adquirir conhecimento em pequenas empresas na companhia Prospect Partners, onde trabalhou na área de private equity – capital privado de financiamento para instituições que não investem na bolsa – ele decidiu voltar para o país e lançar sua própria startup. Isso quatro anos atrás.

“Larguei meu trabalho e estava procurando uma ideia, um projeto. Pesquisei o mercado brasileiro e vi que uma das áreas promissoras por aqui era a de roupas infantis”, conta. Marcelo lançou a Babycup, e visava montar um banco de clientes que receberiam uma caixinha de roupas sortidas de criança uma vez por mês, como um serviço por assinatura. Os kits eram enviados por correio.

“O maior problema era a logística. Eu tinha que embalar e levar as caixas para os correios todos os dias, perdia muito tempo com isso. E pensei que muitas outras pessoas deviam se incomodar também, principalmente quem depende dos Correios, como as lojas de e-commerce”

A dificuldade com uma empresa (ele acabaria vendendo sua participação na Babycup) se revelou a semente do sucesso da outra. A Mandaê tem um único objetivo: ser o jeito mais fácil de se enviar o que você quiser pelo correio. O usuário baixa o aplicativo, tira uma foto do que quer enviar e, dentro do prazo de uma hora, equipe Mandaê busca o objeto onde ele estiver e faz o envio. Não é preciso nem se preocupar com a embalagem, basta entregar o objeto ao motoboy e pronto. As embalagens da Mandaê são muito bem tratadas e, além da comodidade, o cliente paga exatamente a mesma tarifa que pagaria indo até a agência dos Correios.

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O cuidado com as embalagens é um dos diferenciais da empresa

O atrativo do preço é o segredo do modelo de negócio criado pelo empreendedor. O desconto só é possível graças a uma parceria com os Correios: a Mandaê paga uma taxa mensal para ter descontos nos envios de mercadorias, variável de acordo com a quantidade de itens despachados no mês. Assim, um envio que custa 10 para a pessoa comum, custará em média 7 reais para a Mandaê. Esta diferença é a margem de lucro da empresa.

Mas, antes de criar o aplicativo, Marcelo e seus sócios, Karim Hardane e Leo Simões, testaram o serviço que iriam oferecer em quatro lojas de e-commerce no Rio de Janeiro. Buscaram diversificar ao máximo o tipo de encomenda, para ganhar traquejo: uma das lojas vendia eletrônicos, a outra, produtos aleatórios no Mercado Livre, a terceira vendia livros e a última comercializava sex toys.

Deu supercerto. “Propusemos a esses comerciantes cuidar da logística de entrega, para ver se a ideia da Mandaê poderia realmente funcionar. Ainda não tínhamos nenhum sistema de aplicativos, fazíamos o contato com o comprador por e-mail. E ainda assim, foi um sucesso”, conta Marcelo.

Os testes aconteceram em 2013, e já no mesmo ano eles começaram a contatar possíveis investidores. Com a facilidade de contatos de Marcelo nos Estados Unidos, conseguiram financiamento da transportadora internacional DHL Express USA. Em seguida, a empresa francesa de seed funding, Kima Ventures também entrou no negócio. Com a ajuda de mais dois investidores anjos, eles conseguiram o capital para montar as operações da Mandaê na cidade de São Paulo: 200 mil dólares.

Em abril deste ano, a empresa iniciava oficialmente sua operação. Em apenas seis meses, já tem 300 clientes fixos, 60% deles formados justamente por pequenas empresas de e-commerce. “O Brasil tem mais de 30 mil lojas de e-commerce, e este número cresce 25% a cada ano. Isso faz com que nossos serviços sejam necessários e facilitem muito a vida das pessoas”, diz Marcelo.

O aplicativo tem um simulador de preço que dá uma noção de qual será o valor final daquela remessa, e o cliente pode optar por Sedex ou correio tradicional. O prazo de entrega é o mesmo dos Correios, e a encomenda só é enviada após o pagamento. “Quando o objeto chega ao escritório, nós o embalamos e pesamos, e informamos o valor final ao cliente, por email. O valor varia da mesma forma que na tabela das agências”, explica.

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Bom clima: uma vez por semana, acontece um café da manhã coletivo na firma.

A Mandaê cobra uma taxa fixa, de 10 reais, para envios de um único item (suprimida caso o cliente envia mais de uma encomenda). Isso ajuda a cobrir os custos variáveis da empresa, que hoje faz cerca de 1 000 remessas por semana, incluindo envios nacionais e internacionais. Atualmente, eles cobrem 80% da capital paulista, ou seja, em alguns lugares da cidade a Mandaê ainda não vai. Isso porque a empresa têm três colaboradores para isso: dois motoboys e um motorista que usa um carro para transportar objetos maiores. “O único ponto de contato entre a Mandaê e o cliente são os nossos colaboradores, e esta tem sido a melhor parte do serviço até agora, para falar a verdade”, diz Marcelo.

“Nossos motoboys e nosso motorista trabalham com muita alegria por sentir que fazem parte de algo que realmente serve para melhorar a vida das pessoas. Isso é um diferencial importante, que a gente não esperava”

Além dos sócios e colaboradores, a Mandaê tem mais seis funcionários: um programador, dois especialistas que cuidam do desenvolvimento dos aplicativos e sistemas operacionais para Android e iPhone, dois ajudantes de empacotamento e uma estagiária estudante de administração. Mesmo com esta equipe relativamente grande, a demanda atual ocupa todoas as horas de funcionamento do time, das 9h às 18h. No final do dia, a transportadora dos Correios vai até o escritório, que fica em Pinheiros, buscar as mercadorias para envio.

A parte mais complicada do seu negócio, segundo Marcelo, é gerenciar as atividades internas. Controlar entrada e saída de mercadorias, organizar a rotina dos colaboradores tentando uma distribuição inteligente dos deslocamentos na cidade, entre outras tarefas bastante práticas. Mas o empresário elege a burocracia brasileira uma das principais dificuldades enfrentadas pela Mandaê. “Trazer dinheiro dos investidores dos Estados Unidos para cá foi muito complicado e demorado. A indústria de transportes brasileira tem muitas regras e complicações burocráticas, e implementar mudanças nesse sistema é algo bastante desafiador”, diz.

Até o meio de 2015, a empresa pretende investir em branding e em execução, para cobrir a maior parte possível da cidade de São Paulo. Futuramente, a ideia é implantar o serviço em outras cidades, começando por Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “Sempre pergunto para as pessoas se elas acham que vão enviar mercadorias da mesma forma que o modelo tradicional daqui a dez anos. A resposta é não, e nós sabemos que temos uma opção que pode mudar totalmente a vida de todo mundo no futuro”, diz Marcelo.

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