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Mulheres que Inspiram: conheça as selecionadas para o Programa Aceleração Itaú Mulher Empreendedora 2020

Fernanda Cury - 20 fev 2020
As 6 das 284 empreendedoras inscritas foram selecionadas por estarem à frente de negócios com alto potencial de transformação social ou ambiental e atenderem a critérios como maturidade do projeto e potencial de mercado.
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O programa Aceleração Itaú Mulher Empreendedora, iniciativa do Itaú em parceria com a IFC, com aceleração da Yunus Corporate e FGVCenn e seleção da Pipe.Social, quer impulsionar as mulheres a mudar o mundo por meio de negócios com alto potencial de transformação socioambiental.

Considerando critérios de adequação com o tema da chamada, negócios com alto potencial de transformação social ou ambiental, clareza na definição do problema endereçado e solução oferecida, maturidade do projeto e oportunidade comercial e potencial de mercado, 6 das 284 empreendedoras inscritas foram selecionadas, pois estavam mais alinhadas à pergunta proposta: Você tem um negócio e está disposta a aumentar o potencial transformador da sua empresa no mundo? Venha conhecer as participantes!

 

Geovana Conti de Sá

Fundadora da Youngers, metodologia inovadora que desafia pessoas em vulnerabilidade a gerarem renda (através de emprego e/ou novos negócios) a partir do trabalho realizado no aplicativo da startup.

“Nasci em Vitória (ES), e cresci com vários privilégios. Estudei em ótimas escolas, tive contato com a música, a dança e os esportes. Aos 23, me casei com um Curitibano do Sitio Cercado, que me proporcionou as experiências mais humanas, intensas e reais sobre nossa sociedade e nosso país. Enquanto eu crescia na carreira corporativa, ele crescia com projeto social de Jiu-Jitsu numa das comunidades mais violentas da cidade.

Foi conhecendo essas pessoas, suas realidades e suas dores que em maio de 2014, além de deixar a carreira corporativa internacional, nos mudamos com nossas duas filhas para a Vila Torres com uma ideia na cabeça e um propósito nas mãos: acreditar na juventude!

Assim nasceu a Youngers, nossa empresa social que funciona no nosso coworking na comunidade e oferece várias oportunidades de emprego e negócios a jovens, refugiados, imigrantes, egressos do sistema carcerário e todos os que desejam trabalhar de maneira digna.

Em 2019, 51 negócios surgiram no nosso espaço, com eles mais de R$60 mil circularam na vila. Mais de 70% do nosso público é feminino, e mais de 50% são negócios do ramo alimentício. Nossa empresa tem um modelo de negócios que gera renda para os alunos e para nós, por isso ainda sonhamos em replicar este modelo e alcançar comunidades carentes em vários estados do nosso país”.

 

Iana Chan

Fundadora da PrograMaria, startup de impacto social que empodera meninas e mulheres com habilidades em tecnologia e programação. Realiza eventos, oficinas, cursos de formação técnica e outras soluções para empresas promoverem mais diversidade e recrutarem mais mulheres na tecnologia.

 “Sou jornalista e sempre fui apaixonada por tecnologia. Para mim programação é poder dar vida às ideias, poder construir coisas. Desde pré-adolescente, quando tinha meu blog, adorava mexer nos códigos para deixar ele com ao meu jeito. Entendi que por meio da tecnologia, era possível me expressar e me comunicar com o mundo.

Mesmo assim, na hora de decidir um curso, optei pelo jornalismo, nem considerei que Engenharia ou Computação pudessem ser para mim, apesar de gostar muito das áreas e já estar estudando programação. Na minha carreira como jornalista, sempre trabalhei com os desenvolvedores e percebia como a afinidade com a área permitia uma relação muito mais produtiva com eles.

Logo fui alçada a gerente de projetos e comecei a sentir na pele os obstáculos de um ambiente majoritariamente masculino. Era sempre a única mulher na reunião e era comum me sentir desconfortável e enfrentar situações em que não me sentia pertencente àquele mundo. Compartilhei essa inquietação com uma amiga designer e, assim, surgiu a PrograMaria.

Começamos como um clube de programação para mulheres que queriam aprender a programar. Reunimos outras mulheres, designers, jornalistas e programadoras para aprendermos juntas! Quando vimos que as dificuldades e barreiras entre nós e a tecnologia era um problema de muitas outras mulheres, decidimos criar um projeto com a missão de empoderar mulheres com tecnologia e programação”.

 

Laís Xavier

Fundadora da Mídias Educativas, Edtech que aumenta a eficiência do uso dos recursos públicos aplicados à educação, assim como melhora o processo de ensino-aprendizagem.

Meu caminho e o empreendedorismo parecem que andam lado a lado. Tenho um pai empreendedor, que é minha inspiração, desde pequena escuto sobre negócios, clientes, decisões e aquele sempre foi o lugar em que gostaria de estar, pois conseguia ver uma capacidade de transformação impressionante.

Quando era criança tudo me fazia pensar em negócio. Abri uma banca, empresa de dança e por último uma biblioteca. Sempre brinquei disso.

Ao crescer fui descobrindo minhas habilidades técnicas e com elas minha inclinação pela computação. Nesta formação sempre recebi muitos estímulos para empreender. No sétimo período abri uma startup com 3 amigos do estágio e foi uma experiência incrível. Tinha três expedientes (faculdade, estágio e empresa) e achava tudo aquilo fascinante! Tinha muita motivação, pouco sono, muito cansaço e muita felicidade.

Passei quase um ano nessa! Quase terminando a faculdade estava com muitas demandas acadêmicas e precisei sair da empresa. Foi difícil, sofri bastante, pensei que não iria mais empreender e que seguiria pelo caminho que grande parte dos meus colegas seguiram, seria funcionária pública.

Um ano se passou e meus colegas do trabalho começaram a pensar em empreender. E eu lá vendo aquele frisson, a mosca azul picou uma vez, sempre enfeitiçada. Abri uma nova startup, a Mídias Educativas. Hoje ela tem 11 anos de mercado e sou uma CEO feliz em acordar todos os dias e com sangue nos olhos para transformar a vida de um monte de gente”.

 

 Marília Lara

Fundadora da Stattus4, iniciativa que tem por missão acabar com a escassez de água nos centros urbanos – utilizando IA (Inteligência Artificial) e IoT (Internet das Coisas) para detectar automaticamente vazamentos de água, e fazer sensoriamento de pressão em larga escala.

“Nasci em uma família de empreendedores e sempre tive o perfil de querer entender o todo da administração das empresas. Nunca consegui ficar “presa” em um quadradinho – tipo, só cuidando das contas a pagar, ou só cuidando de fornecedores e etc.

Quando criança estudei em uma escola que transmitia aos alunos a ideia de que os empresários não eram honestos. Tive bastante dificuldade de me integrar com professores e colegas de sala porque meus pais eram empresários e eu nunca entendi que isso fosse algo ruim. Por outro lado, também entendo que temos empresas que não geram impactos positivos ambientais e/ou sociais. Tendo esse background em vista, resolvi trilhar a estrada do empreendedorismo (que sempre fez muito sentido para mim e para o meu perfil), mas focando em uma empresa que tivesse o objetivo de resolver uma dor importante e que gerasse um impacto positivo no meio em que ela estivesse inserida.

Entendo que quando se tem um propósito maior, que é verdadeiramente compartilhado por muitas pessoas, é muito mais fácil empreender, pois todos querem colaborar para que essa meta seja alcançada.

Ao me deparar com a oportunidade de trabalhar com perda de água, vi a possibilidade de realizar esse projeto – trabalhando com um recurso tão importante e crucial”.

  

Priscila Veras

Fundadora da Muda Meu Mundo, negócio que ressignifica a alimentação sustentável através do fortalecimento da agricultura familiar e de um mercado justo. Para isso são criados Clusteres de Alimentação Sustentável com agricultores familiares escoando sua produção, pagando até 200% acima do mercado e barateando o preço do produto orgânico no supermercado.

“Eu tive a sorte de descobrir meu propósito de vida muito cedo. Desde adolescente eu sabia que havia nascido para ajudar as pessoas a saírem da pobreza. Como o caminho mais claro a ser trilhado para isso era através do 3º Setor, comecei a ajudar projetos sociais desde os 14 anos de idade, enquanto estava na escola. Trabalhei enquanto cursava a faculdade de Pedagogia e Ciências Políticas, tinha pressa, não podia perder tempo enquanto haviam tantas pessoas em pobreza no nosso país.

Eu me formei aos 22 e casei aos 24 anos, comecei a trabalhar em grandes ONGs do país e sempre ia crescendo de cargo. Em 2012 eu tive meu filho, eu sonhava em amamentá-lo, mas infelizmente não pude. Naquela época eu prometi a mim mesma dar a ele a melhor alimentação que uma criança poderia ter.

Quando eu voltei a trabalhar, ele já tinha 5 meses, eu comecei a me deparar com crianças que simplesmente não podiam ter uma alimentação saudável. E eu chegava em casa e via meu filho consumindo alimentos orgânicos, aquele contraste mexeu comigo e a me fez pensar sobre o real impacto que meu trabalho causava no mundo.

Eu não queria gastar milhões em doação e me conformar com uma pequena mudança!

Em 2016 eu e minha irmã começamos um Negócio de Impacto, uma empresa que se propõe a resolver um problema social. Porém em 2018 precisei assumir a empresa sozinha e demos uma reviravolta no nosso modelo de negócio, o que fez a Muda meu Mundo ser quem ela é hoje.

Eu descobri meu propósito cedo, e tenho o privilégio de ter uma empresa gerando riqueza e trazendo um mercado justo para agricultores familiares que vivem em situação de pobreza. Isso me motiva a todos os dias dar o meu melhor e construir um mundo diferente”.

 

Raíssa Assmann Kist

Fundadora da Herself, negócio de impacto que desenvolve calcinhas e biquínis absorventes ecológicos para a menstruação e incontinência urinária leve, abrangendo tamanhos all-size e fabricados com a valorização da economia local.

 “Desde a década de 30 não víamos uma real inovação nos protetores menstruais – que levassem em conta tanto o bem-estar das mulheres quanto do planeta. Você já se questionou por que estávamos há mais de 70 anos sem inovação? Será que basta simplesmente absorver a menstruação, sem se preocupar como as mulheres de fato se sentiam usando os protetores disponíveis até então. Como que se sente uma menina que vai ter a primeira menstruação e descobre que vai passar 40 anos da sua vida usando algo que lembra uma fralda de bebê ou geriátrica?

Esse desafio é superimportante para mim, pois eu vivia exatamente esse tabu com a menstruação com a minha família e sentia na pele as consequências da falta de produtos que realmente atendessem às necessidades das mulheres durante o período menstrual. Em 2016 eu me questionava de onde havia surgido tanto constrangimento para falar sobre esse assunto, porque algo tão natural para a mulher é visto como tão errado? Queria ressignificar a relação da mulher com sua menstruação, fazer a diferença na minha vida e na vida de outras mulheres, e assim nasceu a Herself.

Queremos transformar a realidade da menstruação no Brasil e no mundo. A partir do diálogo e da educação sobre menstruação e higiene feminina conseguimos de fato entender a realidade da menstruação no nosso país, dessa maneira podemos orientar meninas e mulheres para que se desenvolvam plenamente, descubram suas potencialidades e resgatem sua autoestima. Tenho como missão trazer o aspecto social e político da menstruação no desenvolvimento das mulheres, o impacto e ao mesmo tempo a potência que temos em nós e que precisa ser ressignificada para gerar ainda mais transformação”.

 

Esta matéria  pode ser encontrada no Itaú Mulher Empreendedora, uma plataforma feita para mulheres que acreditam nos seus sonhos. Não deixe de conferir (e se inspirar)!

 

 

 

 

 

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