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Uma gigante em busca de soluções para seus desafios: nova plataforma da BRF quer conexão com ecossistema de inovação

Cláudia de Castro Lima - 16 mar 2020
O evento Emerge Hub, ocorrido em 10 de março, apresentou 16 tecnologias desenvolvidas por cientistas com uso prático na indústria alimentícia: com a plataforma BrfHub, a companhia busca mais parcerias no ecossistema de inovação aberta
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Maior produtora de aves e suínos do país, a BRF serve, todos os dias, aproximadamente 70 mil refeições nos refeitórios de suas instalações fabris para os colaboradores. Como reduzir a quantidade de alimentos descartados, diminuindo o desperdício e a geração de resíduos – e, claro, com baixo ou nenhum impacto ao meio ambiente?

Trinta e cinco mil entregas de cargas de produtos para clientes são feitas diariamente pelo setor de logística da companhia. É possível planejar rotas mais eficientes e assertivas, além de usar sistemas de reprogramação em tempo real para reduzir os custos de transporte?

Esses são apenas alguns dos vários desafios que a maior exportadora global de frangos do mundo e dona de marcas icônicas, como Sadia, Perdigão e Qualy, enfrenta para colocar seu portfólio de mais de 4 mil produtos nas casas de seus consumidores em mais de 140 países.

É para acelerar o desenvolvimento de novos negócios – e para encontrar soluções tecnológicas para os desafios estratégicos que a empresa enfrenta – que a BRF busca uma maior conexão com o ecossistema de inovação do país e do mundo.

O canal para isso é o BrfHub, composto por uma equipe de especialistas em inovação aberta que tem como uma de suas missões fazer o contato com startups, scale-ups, pesquisadores e empreendedores que já tenham desenvolvido tecnologias inovadoras. Para isso, o Hub acaba de lançar uma nova plataforma.

“A nova plataforma do Hub é o canal da BRF que faz a conexão com esse ecossistema através de iniciativas de inovação aberta”, afirma Stephanie Blum, Gerente de Inovação da BRF. “É nela em que o Programa de Desafios 2020 da BRF está publicado”, diz ela sobre os desafios que diversas áreas da empresa priorizaram e para os quais a companhia busca soluções – a exemplo dos dois que abrem este texto. “Vamos também abastecê-la com notícias, entrevistas e podcasts”, explica.

Na nova plataforma, o Programa de Desafios é direcionado para o perfil do usuário

“A ideia é encontrar parceiros que tenham soluções tecnológicas de ponta, que possam ser aplicadas para áreas tão distintas e, ao mesmo tempo, complementares como ingredientes, processos, aplicações, maquinário, indústria 4.0, segurança alimentar, entre outras”, afirma Sérgio Pinto, diretor de inovação da empresa. A grande diferença é que a BRF dialoga com todos os players do mercado: startups, scale-ups, setor acadêmico. É um modelo que consegue, ao mesmo tempo, ser único e atender a todos os atores.”

As inscrições para os desafios já estão abertas na plataforma – e podem ser feitas até 30 de abril. Eles são direcionados conforme o perfil de quem acessa o site. “A plataforma identifica quem está conectado e propõe os desafios corretos para o segmento em que atua e para o nível de maturidade do empreendimento”, afirma Sérgio.

Para os futuros parceiros da BRF no Programa de Desafios, os benefícios são vários: além do amplo campo de aplicação de suas tecnologias, já que abrange toda a cadeia produtiva – do agronegócio à logística de entrega e experiência com o consumidor – há ainda a oportunidade de trabalhar com marcas líderes de mercado e de obter mentoria de executivos e pesquisadores para o projeto-piloto. Não é só. A BRF conta ainda com uma estrutura completa de plantas, laboratórios e equipamentos, além da possibilidade de atuação no mercado internacional.

Colaborando com cientistas

O novo Programa de Desafios 2020 que o BrfHub lançou vem na esteira da experiência – recém-saída do forno – do Emerge Labs, um programa da BRF com universidades e centros de pesquisa que começou no final de 2019 e teve no último dia 10 de março, em São Paulo, um Showcase com a apresentação de seus resultados.

Com o objetivo de unir ciência e empresa, o Emerge Labs buscava tecnologias desenvolvidas a partir de pesquisas científicas nas áreas de redução de desperdício e segurança de alimentos.

Cento e vinte e cinco projetos de universidades públicas e particulares foram inscritos inicialmente. No evento, foram apresentadas as 16 tecnologias finalistas com potencial para depósito de patente ou que já têm patente depositada.

Uma delas, de pesquisadores da Universidade de São Paulo, usa um ingrediente funcional obtido a partir de bananas, sem valor comercial, para ser aplicado em produtos alimentícios – aumentando, assim, a quantidade de fibras e reduzindo o teor de gordura de produtos que o utilizam. A tecnologia está sendo testada em hambúrgueres e ainda ajuda a resolver outro problema: o do desperdício na produção de bananas, já que, no país, 40% pode se tornar descarte.

Outra das tecnologias apresentadas é um biocomposto fúngico que substitui embalagens de isopor, um dos grandes problemas ambientais do nosso tempo. O evento ainda revelou um biorreator que trata efluentes enquanto gera receita (já que o subproduto pode ser comercializado), revestimentos sem toxicidade para aumentar a proteção antimicrobiana de embalagens e alimentos e aditivos para ração que melhoram a saúde intestinal dos porcos e, assim, reduz o tempo de abate, entre várias outras soluções.

“É surpreendente o quão prolífico e profundos são os estudos acadêmicos que o país produz”, afirma Sérgio.

“Sabemos como é difícil conectar o setor acadêmico com o privado e estamos conseguindo gerar agora um diálogo corrente entre as duas áreas, para que ambas enxerguem valor”, diz ele.

“Trazemos escala, expertise e campo de trabalho para os cientistas e vemos neles uma oportunidade de dar à ciência um uso de mercado, que vai trazer vantagem competitiva não só para a BRF, mas para o país.” Importante ressaltar, afirma Sérgio, que o programa é equity free. E é com os aprendizados do Emerge que ele e seu time mergulham agora no Programa de Desafios 2020 do BrfHub.

“Vivemos hoje um fenômeno que pode ser observado em vários mercados: o consumidor/sociedade questiona as grandes instituições, sejam elas públicas ou privadas, questiona as grandes empresas, as grandes marcas”, diz Sérgio. “Isso acaba resultando num modelo empreendedor muito bom, de startups às já scale-ups. Mas o construtor dessa nova linguagem percebe que muitas vezes a colaboração com uma grande empresa traz escala, segurança e respaldo para ir mais longe, mais rápido. É nesse modelo de cooperação que nós entramos.”

Segundo Rubens Pereira, VP de Estratégia, Gestão e Inovação da BRF, a meta da BRF é que 10% da receita bruta da companhia até 2023 seja proveniente de iniciativas de sua área. Mais do que isso, essas estratégias estão alinhadas à missão da empresa. “Nossa essência é melhorar a vida dos consumidores, oferecendo alimentos de qualidade, saborosos e práticos. A inovação é necessária para cumprir isso”, afirma.

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