Conheça o Apptite, aplicativo especializado em comida caseira que busca ajudar chefs autônomos a vender suas refeições

Leonardo Maran Neiva - 14 jan 2021
Guilherme Parente, fundador do Apptite (crédito: Foto a Rolê).
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O delivery virou tábua de salvação para muitos restaurantes durante a pandemia. O problema é que, entre gastos como aluguel, salários e fornecedores, os custos fixos das plataformas de delivery podem ser altos demais para alguns estabelecimentos.

Por outro lado, um sistema de entregas pode ser decisivo para chefs autônomos — ou simplesmente pessoas com habilidade na cozinha que viram ali uma forma de equilibrar as contas durante a crise. 

O Apptite aposta nesse público. Criado em 2016, o aplicativo faz a ponte entre cozinheiros à frente de pequenos negócios de comida caseira e seu público consumidor. Já são mais de 6 mil chefs cadastrados na base. Juntos, por meio da plataforma, eles vendem 100 mil pratos por mês na cidade de São Paulo. Guilherme Parente, 41, fundador e CEO da startup, explica: 

“Surgimos com o formato de um marketplace, um canal para esses cozinheiros que faziam suas vendas de forma precária, via Facebook e Whatsapp, sem um suporte de logística ou marketing. A ideia era organizar e potencializar esse mercado, passando a vender por meio do nosso app”

O serviço de delivery, diz Guilherme, não é necessariamente o foco do negócio. “Temos um aplicativo, mas não somos só um app de delivery. Nosso objetivo é nos tornarmos um grande restaurante virtual feito só de pessoas que cozinham em suas próprias casas.”

A IDEIA SURGIU NUMA CONVERSA CASUAL COM O FUTURO SÓCIO E SUA ESPOSA

Com formação em economia e marketing e passagens por empresas como Vivo e Telefonica, Guilherme já tinha empreendido a plataforma fitness DNA Plus e o aplicativo Active Plus, com proposta similar. Acabou fechando as empresas, que não evoluíram como ele esperava.

A ideia do Apptite surgiu em 2015, numa conversa com o amigo (e hoje sócio) Roberto Kanitz e sua esposa, chef de cozinha.

“Ela disse que não sabia fazer logística, odiava marketing e não queria cuidar da parte administrativa, só cozinhar. É o que querem todos os chefs. Foi aí que nasceu a ideia. Em janeiro de 2016, o negócio já estava implementado e rodando”

Outros dois sócios embarcaram no negócio: Marcelo Monteiro, que atua como COO, e depois o executivo Ricardo Kobayashi, hoje no papel de CTO da startup. O investimento inicial, de 300 mil reais, saiu do bolso dos quatro e de investidores anjo, e permitiu montar a plataforma.

MOBILIZAR UMA REDE DE MOTOBOYS SE PROVOU ESSENCIAL PARA O NEGÓCIO

Os primeiros seis meses de operação foram difíceis, diz Guilherme. Sem uma base formada de clientes, como atrair e manter engajados os chefs que queriam vender seus pratos?

Um dos erros foi não oferecer a logística do delivery desde o início. “Nossa ideia [naquele momento] era que o cliente buscasse a comida na casa do chef, por meio de um agendamento.”

A estratégia não engrenou. Assim, os sócios decidiram mobilizar um time de motoboys autônomos. Aí, sim, o negócio ganhou tração. “O paulistano, assim como o mundo inteiro, quer a conveniência do delivery”, diz o CEO. 

Mesmo sem dinheiro para investir na aquisição de novos clientes, Guilherme afirma que os números subiram graças à recorrência e ao boca a boca, um indicativo, diz ele, da alta qualidade do serviço.

“É muito diferente pedir comida de um chef que vai atender só 10 ou 20 pedidos, em comparação com um restaurante. A comida e a experiência são muito superiores. Não à toa, a cada dez clientes que pediam, oito continuavam com a gente”

Ainda em 2018, a empresa recebeu um investimento de 1 milhão da SuperJobs Ventures e foi acelerada pela 500 Startups nos Estados Unidos.

“Foi uma experiência incrível, nos ensinou muito na parte comercial, sobre como fazer um pitch, conseguir investimentos e formatar o negócio para deixá-lo mais atrativo.”

OS CHEFS PASSAM POR UMA AVALIAÇÃO PARA ENTRAR NO APLICATIVO

A base de chefs do Apptite inclui desde amadores a profissionais com alguma experiência. E, com a demanda, esse volume também começou a crescer. 

Hoje, são 6 mil cadastrados na plataforma, dos quais 900 ativos.

O modelo de negócio é semelhante ao de outras do ramo de entrega de alimentos. O Apptite embolsa 25% do valor de cada prato vendido pela plataforma.

“Alguns restaurantes acham absurdo pagar uma porcentagem para um app, porque suas margens são muito apertadas. No nosso modelo, os chefs não pagam aluguel e trabalham no máximo com um ajudante, então a comissão cabe no bolso. Está até barata, temos margem para aumentar um pouco”

Para se tornar um chef Apptite o candidato deve ser MEI e apresentar um certificado do curso de boas práticas da Anvisa. A seleção inclui ainda uma avaliação dos pratos por parceiros da empresa.

Guilherme diz que, caso o chef não alcance média de nota superior a 4,7 nos primeiros 20 pedidos (na avaliação dos clientes na plataforma), seu perfil é automaticamente bloqueado.

O EMPREENDEDOR NÃO VÊ IFOOD E UBER EATS COMO CONCORRENTES DIRETOS

O Apptite já vinha crescendo, mesmo antes da pandemia. Para Guilherme, uma das razões foi a falta de concorrentes. Na sua visão, a startup não bate de frente com gigantes como iFood e Uber Eats, que teriam propostas diferentes.

“Quando começamos, em 2016, não existia nenhum app de chefs independentes. Hoje no Brasil há o Eats For You, focado em cozinheiros amadores que fazem marmitas populares para empresas. A proposta é parecida, por trabalhar com chefs caseiros, mas eles começaram a fazer delivery só agora”

O empreendedor ainda enxerga como o principal desafio quebrar o preconceito de consumidores contra a comida feita em casa — e considera a qualidade do serviço essencial para superar essa questão.

Só estamos crescendo em meio a esses gigantes porque a experiência do nosso delivery é muito superior. Senão, não conseguiríamos.”

O FATURAMENTO DA EMPRESA DOBROU EM 2020 COM A PANDEMIA

Hoje, o Apptite tem 25 funcionários, todos momentaneamente em home office. Por conta da Covid-19, o escritório na Avenida Faria Lima, em São Paulo, está fechado. 

A startup oferece a opção do delivery sem contato físico e confere um selo de verificação para cozinhas parceiras — um time faz uma ronda pelos estabelecimentos e avalia se os chefs-empreendedores seguem as recomendações sanitárias.

Além de demandar novos protocolos, a pandemia acelerou um crescimento que já vinha em curso. Entre 2019 e 2020, as vendas dispararam, com novas opções como marmitas e pratos congelados. O faturamento dobrou.

“Antes, crescíamos entre 10% e 15% ao mês. Na pandemia, esse número saltou para 20%, principalmente da segunda quinzena de março até maio”

Depois de maio, com a reabertura de alguns serviços em São Paulo, esse crescimento deu uma refreada — mas ainda se manteve em patamar superior ao período pré-pandemia, diz Guilherme. O app da empresa, segundo ele, contabiliza mais de 400 mil downloads.

PARA EXPANDIR O NEGÓCIO, A STARTUP APOSTA AGORA NO SISTEMA DE FRANQUIAS

Uma das apostas do Apptite é no setor de franquias. Para os interessados, estão disponíveis três categorias: hambúrguer, massas e sushi. 

O valor inicial para adquirir uma franquia é de 15 mil reais, nos quais já estão incluídos os 5 mil reais do primeiro estoque de insumos. Os itens ultracongelados são vendidos ao cliente pela empresa, que fornece também um treinamento aos franqueados.

Para operar no Apptite, os donos de franquias devem pagar mensalmente uma fatia de 25% do faturamento. Também é possível operar em outros aplicativos, o que gera uma taxa extra de 6,50 reais por pedido a ser paga à franqueadora.

O modelo é recente, começou a funcionar em dezembro de 2020; por enquanto, há apenas três franqueados. Os sócios do Apptite, porém, preveem usar as franquias como alavanca de expansão do negócio para outras cidades — não só do Brasil, mas da América Latina em geral.

“Sabemos o que as pessoas mais buscam em cada região, então por que não aproveitar essa informação para criar culinárias com apelo e atratividade comercial?”, diz Guilherme. “É uma possibilidade de os clientes terem um giro maior do que como chefs autorais e de o negócio chegar a lugares que não atendia antes.”

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Apptite
  • O que faz: Aplicativo de delivery de comida caseira
  • Sócio(s): Guilherme Parente, Marcelo Monteiro, Ricardo Kobayashi e Roberto Kanitz
  • Funcionários: 25
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 300 mil
  • Faturamento: NI
  • Contato: [email protected]
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