Verbete Draft: o que são Super Apps

Isabela Mena - 19 fev 2020
O chinês WeChat é o primeiro Super App do mundo. Aqui no Brasil, o Magalu está em vias de entrar para essa categoria.
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

SUPER APPS

O que acham que é: Aplicativos de super-heróis.

O que realmente é: Super Apps são aplicativos já consolidados em uma função que passam a integrar, na própria plataforma, outras opções de serviços. Dessa forma, no mesmo app que usa para conversar com amigos, o usuário pede uma refeição, faz uma reserva aérea, um depósito bancário ou usa o metrô .

As funcionalidades descritas acima são apenas algumas das oferecidas pelo chinês WeChat, exemplo clássico quando se fala em Super Apps. Lançado em 2011, como app de troca de mensagem (no mesmo esquema do WhatsApp), vem incorporando tantos serviços ao longo dos últimos anos que está entrelaçado à vida prática do cidadão. Segundo a Business Insider (link no item “Para saber mais”), hoje, é praticamente impossível existir na China sem ter acesso ao WeChat, que começa também a ser usado como identidade virtual pelo governo chinês (a fonte citada é o South China Morning Post).

Allen Oberleitner, coordenador do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Centro Universitário FIAP, afirma que o conceito de Super App está ganhando força e notoriedade, e o modelo é uma tendência mundial. “Mas é bom salientar que não se trata de um avanço tecnológico, mas, sim, de um movimento comportamental associado a uma estratégia comercial.”

Sim: a tecnologia que permite o pagamento pelo contato da tela do celular com outras telas ou superfícies (como em supermercados, lojas e catracas de metrô, por exemplo), é o velho e conhecido QR Code, e foi criada há décadas. As demais, como a utilização de aplicativos para pagar contas, fazer transferências bancárias, alugar bicicletas e patinetes, embora não tão antigas, já estão aí há um bom tempo. O que os Super Apps fazem é integrar tudo em um mesmo lugar.

Os Super Apps podem criar seus próprios serviços (lançando concorrentes ao mercado) ou fazer parcerias com outras empresas, que funcionam dentro de seu aplicativo mas ainda independentes.

Brasil 1: Uma pesquisa online feita pela Google com 500 brasileiros e apresentada em agosto no App Summit, evento empresarial voltado à indústria de aplicativos, revelou que 81% dos entrevistados desconheciam os Super Apps. Quando apresentados ao conceito, 45,8% afirmaram estar dispostos a baixá-los, dentre os quais, 20,3%, a fazer o download imediatamente.

Os três serviços mais procurados em um Super App, segundo a pesquisa, são troca de mensagens (44,8%), compras (30,3%) e delivery (29,2%). Em quarto lugar estão compra de passagens aéreas e agendamento de consultas médicas (28,1%), seguidos de serviços de mobilidade (26%) e aplicações financeiras (22,1%).

Brasil 2: O Magazine Luiza anunciou que este ano fará com que seu app seja semelhante ao WeChat. Uma das ferramentas para isso é a Magalu Pay, uma carteira digital com sistema de pagamento via QR Code, função de saques e depósitos, transferências, pagamentos de boletos e integração com o cartão de crédito da própria empresa. Outra ferramenta é a Magalu Pagamentos.

Também no intuito de se transformar em Super App, o Banco Inter colocou uma nova aba em seu aplicativo na qual os clientes têm acesso a empresas como Netshoes, Submarino, AliExpress, Renner, Nextel, HP e Lojas Americanas e podem efetuar suas compras sem sair dali. A ideia é expandir ainda mais.

O Mercado Livre, que começou como uma plataforma para divulgar anúncios de venda, passou a funcionar como Super App ao agregar o Mercado Pago (sistema de pagamento), o Mercado Envios (gerenciamento e entregas), o Mercado Shops (ferramenta para criação de lojas online) e o Mercado Livre Publicidade (para propaganda).

No resto do mundo: No universo dos Super Apps, a China é a precursora (vale destacar também o gigante AliPay) e a América Latina é o mercado emergente.

Nesse caminho está também a Rappi, companhia colombiana de delivery com mais de 200 mil couriers em nove países. Segundo a Bloomberg (link no item “Para saber mais”), o Super App da Rappi oferece a seus usuários cerca de 100 mil serviços tão diferentes quanto manicure, seguro de veículo e aluguel de patinete. A marca é também parceira da Grin.

De acordo com o Finantial Times (link no item “Para saber mais”), a Uber está na corrida para se tornar um Super App e seu CEO disse à publicação querer que a companhia seja o sistema operacional do dia a dia das pessoas. A ideia é fazer aquisições.

A Indonésia tem a Gojek, que começou como aplicativo de motocicletas, em 2015, e hoje, com dinheiro da Visa, da Google e da Tencent (empresa da WeChat), oferece 20 serviços diferentes, incluindo streaming de vídeo e pagamento digital.

O que o consumidor ganha: Praticidade de encontrar diversos serviços em um mesmo aplicativo e familiaridade na navegação de seus aplicativos preferidos.

Outra vantagem, segundo Oberleitner, é a economia de espaço na memória do smartphone ou outro dispositivo utilizado. “Em média, uma pessoa usa cerca de 300 apps ao longo de cinco anos. Com os Super Apps, esse número reduziria consideravelmente.”

O que o consumidor perde: Poucas empresas dominando o mercado.

Para Oberleitner, essa é uma importante desvantagem comercial. “Não havendo espaço para as pequenas empresas e startups, a livre concorrência pode sofrer um grande revés. Isto nos levaria a uma segunda desvantagem: muita informação em poder de poucas empresas. A centralização de poder não é favorável ao desenvolvimento tecnológico e econômico.”

Para saber mais:
1)
Leia, na Business Insider, This Chinese super-app is Apple’s biggest threat in China and could be a blueprint for Facebook’s future. Here’s what it’s like to use WeChat, which helps a billion users order food and hail rides.
2) Leia, na Bloomberg, The Brains Behind Rappi, Latin America’s Super App.
3) Leia, no TechCrunch, The emergence of super apps in Latin America.
4) Leia, no Financial Times, Uber’s quest to become the west’s first super-app.

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