Vida Wireless: como vive o casal que trabalha cada dia de um “escritório” diferente do mundo

Aline Vieira - 1 jan 2015 Adriano e Glau em Bangcoc, na Tailândia, exercendo os 50% de tempo ao turismo a que se dão direito a cada viagem.
Adriano e Glau em Bangcoc, na Tailândia, exercendo os 50% de tempo ao turismo a que se dão direito a cada viagem.
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Conte 10 países visitados, 193 horas dentro do avião, 51h30 em tempo de espera em conexões, 5 meses e meio fora do Brasil. Tudo isso só em 2014 – e trabalhando muito! É assim que o casal Adriano Dias e Glau Gasparetto, criadores do projeto Vida Wireless neste ano, escolheu viver. Nem tudo é um mar de rosas como pode parecer a quem os segue pelo Instagram (as fotos são incríveis!), mas eles garantem: com planejamento prévio e organização impecável em todas as tarefas, é possível passar por cima das dificuldades e levar a vida que você sempre quis ter.

Adriano, 42, e Glau, 38, se conheceram em um Carnaval na praia, no Paraná, em 95, mas só se casariam nove anos depois. Ele veio para São Paulo em 1996 e ela em 2003, depois de algumas idas e vindas do namoro. Ambos tinham tido, até este momento, uma vida profissional inteiramente dedicada às corporações. Glau, que é jornalista, foi a primeira a mudar esta condição. Ela deixou o cargo de editora no portal M de Mulher, da editora Abril, em março do ano passado e começou a trabalhar de casa. Já Adriano, que era consultor de tecnologia no mesmo site, saiu alguns meses depois, em dezembro, para se dedicar a uma empresa que os dois tinham aberto antes, para eventuais trabalhos como freelancers.

“Tínhamos aberto a empresa há alguns anos, quando a Glau pegava algum freela enquanto trabalhava em redação ou quando eu também fazia algo extra. Quando saímos da Abril, no ano passado, começamos pra valer e criamos a Infomedia, uma agência que hoje oferece um pacote editorial-digital para empresas de todo o país”, conta Adriano.

A união de expertises (Glau coordena textos e fotos e Adriano é mestre em tecnologia) foi essencial para que os clientes encontrassem tudo em um só lugar. A agência, que hoje tem um cliente grande e fixo, oferece a produção de todo o conteúdo digital e editorial que uma empresa necessita, incluindo aí desde a produção de aplicativos, sites e mobile-sites até a parte jornalística e também os publieditoriais. Entre os clientes estão o portal Globo.com, o site da Editora Abril e alguns títulos da editora como Elle, Placar e Capricho, além do portal M de Mulher e do Guia do Estudante.

Glau em sua rotina 100% conectada, emoldurada pela na Costa Amalfitana, na Itália.

Glau em sua rotina 100% conectada, aqui emoldurada pela na Costa Amalfitana, na Itália.

“Oferecemos desde o conteúdo até a plataforma de tecnologia que a empresa vai precisar. Nosso diferencial é ua rede muito grande de fotógrafos, jornalistas, entre outros profissionais, para ajudar em tudo o que precisarmos. E o mais legal: muitas dessas pessoas têm um estilo de vida bem parecido com o nosso”, contam.

O estilo de vida a que se referem é uma união do útil ao agradável: trabalhar de lugares diferentes do mundo enquanto se faz turismo. E como isso é possível? Com bastante organização, acima de tudo, e claro: com um trabalho que possa ser feito remotamente de qualquer lugar. “Tenho reuniões com clientes uma vez a cada 30 ou 45 dias, praticamente. O trabalho do Adriano pode ser feito pela internet. Fazemos planilha de entrega de tudo e quando marcamos uma viagem, já estamos planejando a seguinte, sempre baseados no nosso calendário de trabalho”, afirma Glau.

SEMPRE DE MALAS PRONTAS

Adriano e Glau sempre gostaram de viajar. Quando levavam uma vida corporativa parecida com a de qualquer pessoa “normal”, o que faziam para aplacar a vontade de partir era fracionar os 30 dias anuais de férias em dois ou três blocos para, assim, conseguirem conhecer o máximo de destinos possíveis. Antes de passarem a viver “wireless”, já tinham estado em 17 países diferentes, além dos destinos nacionais. São 11 anos de parceria e de pé na estrada. O casal não tem filhos, o que facilita, e muito, o estilo de vida que abraçaram (Adriano tem dois filhos, de relacionamentos anteriores, que não moram com ele).

A experiência do casal pode ser acompanhada em três diferentes endereços online, todos recém-lançados: o Vida Wireless, o Escritório do Dia e o Travel Sweet Travel. O Vida Wireless surgiu justamente para fazer um apanhado de todas as experiências que o casal teve com trabalho e para dar dicas de como viver “sem fio”. O Escritório do Dia traz pílulas mostrando lugares diferentes onde é possível trabalhar. Já o Travel Sweet Travel é mais focado em turismo, com alguns highlights das viagens do casal.

Com tanto tempo curtindo cruzar mares, Adriano teve que desenvolver uma habilidade específica: a de encontrar boas promoções de passagens aéreas e estadia. Todas as viagens são possíveis por causa do planejamento prévio. “Fico de olho direto no Melhores Destinos. Quando surge promoção, não pode pensar muito. Tem que comprar na hora”, diz.

O casal no festival das lanternas em Chiang Mai, na Tailândia.

O casal no festival das lanternas em Chiang Mai, na Tailândia.

Quando Adriano e Glau receberam o Draft em seu home office, no começo de dezembro, contaram que, no primeiro semestre de 2015, só não vão viajar em fevereiro – ainda. Os bilhetes são comprados com antecedência e somente quando as companhias aéreas fazem promoções especiais. “Acabamos de comprar passagens para Madri. Nem sabemos o que vamos ver por lá, mas compramos numa promoção em que os preços estavam baixíssimos”, diz Adriano.

Eles se hospedam geralmente em hoteis ou alugam quartos diretamente dos proprietários por meio do Airbnb. Isso rende boas surpresas (na Costa Amalfitana, eles tinham a vista mais incrível do lugar e hospedagem excelente por um valor inacreditável), e às vezes alguns problemas. “No Chile, alugamos um quarto pelo Airbnb e tivemos que desmontar a cama nheco-nheco no terceiro dia e passamos a dormir com o colchão no chão”, conta Glau.

WIFI LOVERS FOREVER

Além de acomodação, o fator mais importante nas viagens do casal é pesquisar a tecnologia disponível nos países desconhecidos. Adriano sempre checa em fóruns e sites de viagem os melhores lugares para se adquirir um 3G caso o Wi-Fi do hotel ou do quarto não sejam bons. Adriano explica essa necessidade:

“É muito da nossa personalidade estar conectado o tempo inteiro. Se não estivéssemos trabalhando, ia ser assim. A gente já incorporou tanto que nem sente. A gente relaxa trabalhando e trabalha relaxando. Trabalho continua sendo trabalho. O que mudou foi o escritório”

No mínimo 50% do tempo durante as viagens é sempre trabalhando. A conexão, por sua vez, ocupa 100% das horas em que estão ativos. Glau conta: “Fico conectada 24 horas por dia, todos os dias. No começo eu era mais encanada, achava que as pessoas iam ver as minhas fotos e pensar que eu não estava trabalhando. Mas fui me acostumando e, também, conversando mais com as empresas que nos contratam. Quis deixar claro que estou viajando, mas que estou cumprindo com as minhas tarefas do mesmo jeito que estaria se estivesse aqui no Brasil”.

Glau, aqui, em uma pousada na Turquia.

Glau, aqui, em uma pousada na Turquia.

Apesar de já estar acostumada com o dia-a-dia do trabalho, ela diz que a preocupação em entregar o trabalho é tanta que ela só desconecta quando está dormindo. “Uma vez que uma freela disse: ‘Não acredito que você está no Camboja me respondendo email’. E eu pensei: ‘Ela que não sabe que estou no Cambodia, dentro de um tuk-tuk, indo comer num restaurante’. Mas é nesse nível. Se eu estou acordada, fico na internet.”

O dinheiro para viajarem o mundo vem, além dos clientes da agência, das economias que o casal faz ao controlar o consumo no dia-a-dia em São Paulo. “Nós gostamos da vida que levamos. Usamos transporte público sempre que já, não trocamos de carro todo ano, não saímos muito para jantar fora, nem durante as nossas viagens, porque eu sempre cozinho”, conta Glau.

Eles admitem, por exemplo, que adorariam viajar de primeira classe, mas que isso não faz falta. “Se a gente conseguir um negócio que pague nossas contas, a gente fica sossegado e aí tudo o que entrar é lucro”, afirma Glau. Adriano completa o raciocínio:

“A gente não tem a pretensão de ser rico. Dinheiro e tempo têm um mercado próprio dentro de cada pessoa. Tem gente que prefere ter mais dinheiro. Na minha cotação pessoal, tempo vale muito mais”

Voltar a trabalhar em uma empresa convencional, tendo que ir e voltar de casa para o trabalho todos os dias, não é bem o que o casal quer, mas eles não descartam a possibilidade. “O ruim das empresas é que muitas vezes elas te obrigam a ser uma pessoa que você não é”, afirma Adriano. “Mas, se a gente vir que não tem mais cliente, voltaremos, sem problemas, a ter uma vida corporativa normal”, diz Glau.

O próximo destino do casal Vida Wireless será Portugal mas, dessa vez, aproveitando o recesso de fim de ano. Eles planejam só curtir mesmo. Será que conseguirão? “A gente sempre viaja, mas nunca está de férias, né?”

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