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Nasci em São Paulo, na Maternidade São Paulo, em 20 de setembro de 1961. Escrevo isso como quem abre uma conversa com alguém querido que não vejo há algum tempo, para compartilhar um pouco da caminhada, não como uma linha reta, mas como um conjunto de ondas que fui aprendendo a surfar.
Aos 15 anos, encontrei um livro de Preparação Física Militar das Forças Armadas Americanas. Meu pai, Coronel da Força Aérea Brasileira, havia retornado dos Estados Unidos com esse material, e aquilo me impactou profundamente.
Comecei a frequentar o Parque Ibirapuera, fazendo barras, paralelas, subindo corda, correndo… e nunca mais parei. Até hoje, sigo praticando essas atividades. Foi ali que plantei uma base que, anos depois, eu entenderia como essencial para tudo o que viria.
Também aos 15 anos, aprendi a surfar em Itamambuca, litoral norte de São Paulo. O mar entrou na minha vida e nunca mais saiu. De certa forma, todas as minhas escolhas sempre buscaram essa proximidade com a natureza, com o oceano, com o movimento
Em 1985, corri minha primeira maratona no Rio de Janeiro e me formei em Propaganda e Marketing pela ESPM-SP. No ano seguinte, fui trabalhar na Revista FLUIR, como diretor de arte.
Era um ambiente que respirava praias, ondas e liberdade criativa. Um lugar onde me senti em casa.
Em 1988, tive meu primeiro contato com os computadores Apple Macintosh e comecei minha carreira, por assim dizer. Comecei como freelancer na PPA (Profissionais de Promoção Associados), ligada ao Grupo MPM Worldwide, que na época era o maior grupo de propaganda do Brasil.
Desde então, nunca mais me afastei do universo Apple. Em 1990, desenvolvi o projeto gráfico da primeira revista de moda surfwear do Brasil, a FLUIR Index Surfwear.
No ano seguinte, me mudei para o Rio de Janeiro, trabalhei na Pró Varejo, agência do Grupo Mesbla, como um dos 12 Diretores de Arte, responsáveis pela criação dos encartes e tive contato com grandes fotógrafos e agências de modelos do eixo Rio-São Paulo. Fiz também um curso de Anatomia de Estúdio Fotográfico com um fotógrafo americano de destaque na época.
Ainda em 1991, assumi como Diretor de Arte do Jornal do Brasil, durante um momento histórico, o centenário do jornal e a Guerra do Golfo acontecendo. Foi um período intenso. Casei e me separei no mesmo ano. Pouco depois, saí do JB e montei minha própria agência de propaganda no Rio.
Tudo fluía bem até 1995, quando tive minha Experiência de Quase Morte (EQM). Aos 34 anos, tive uma bactéria no lado esquerdo do cérebro, do tamanho da unha do meu polegar. Isso me causou uma paralisia no lado direito, que evoluiu para uma paralisia total do corpo
Entrei em coma em junho de 1995. Eu me via no teto do quarto do Hospital do Campo dos Afonsos, conectado ao meu corpo por aquilo que descrevo como um “cordão de prata”. Ouvia meu pai conversando com os médicos, que diziam: “Coronel, já fizemos tudo possível. Agora depende da reação do seu filho”.
Eu tentava me mover, avisar que estava ali, consciente, mas não conseguia. Até que, em um momento, senti como se estivesse voltando. Incorporando novamente no corpo. Acordando aos poucos.
Foi uma experiência surreal. A paralisia era total. Mas a vontade de viver era maior.
Aos poucos, com fisioterapia e uma determinação muito forte, fui recuperando os movimentos.
A base física construída desde a adolescência foi fundamental. Perdi 20 kg nesse processo, reaprendi a andar, a me movimentar.
Fiquei três meses no hospital, reaprendendo meus movimentos, andando, escrevendo e fazendo exercícios de fisioterapia para me recuperar. Tive alta no início de outubro e voltei para São Paulo.
No mesmo mês, meu pai passou por uma cirurgia na aorta e faleceu no pós-operatório. Foi um impacto profundo. Precisei buscar forças para continuar minha recuperação física, mental, emocional e espiritual
Voltei aos poucos a treinar no Parque Ibirapuera, a correr, pular corda e pedalar. Em 1998, me tornei Diretor de Criação da Rede Record e participei da primeira corrida de aventura do Brasil, a Expedição Mata Atlântica. Também fiz um curso de Preparador Físico de Atletas.
Sempre segui buscando conhecimento como forma de fortalecimento. Em 2004, conheci um salva-vidas brasileiro que havia trabalhado no Havaí por 12 anos e participado da introdução da moto aquática em operações de resgate e tow-in.
Entrei para a equipe Jet Resgate e começamos a treinar bombeiros salva-vidas no Brasil para resgates em condições extremas com jet ski, inicialmente em Maresias
Participei da produção do primeiro ORMA (Manual do Operador de Resgate com Moto Aquática) e comecei a fotografar as operações, além de atuar no marketing da empresa. Em 2009, nos mudamos para Florianópolis e ampliamos a atuação da empresa, que passou a se chamar Jet Power.
Em 2014, participamos de um simulado com a Petrobras para aplicação do jet ski na contenção de vazamentos de petróleo no mar. Dois meses após enviarmos a proposta, o cenário mudou completamente com o início do Petrolão, e o projeto foi interrompido. A empresa acabou sendo desmontada.
Ali, eu me vi recomeçando. De novo.
Em 2014, em Florianópolis, sem trabalho e sem empresa, morando na Lagoa da Conceição, eu remava SUP todos os dias.
Foi quando me lancei um desafio: correr 500 km nas dunas da Joaquina. Fazia cerca de 12 km por dia. Em 40 dias, completei o desafio. Usei as atividades físicas para me manter operacional.
Entre 2015 e 2017, montei uma SUP School no Ribeirão da Ilha. Fiquei três meses trabalhando com surdos que chegavam para remar.
Foi uma experiência linda ensinar pessoas que se sentiam excluídas a subirem numa prancha e remarem no mar… Depois, fui morar no Campeche. Foi ali que começou mais uma virada
Em 2014, eu havia investido em um equipamento fotográfico profissional, uma Nikon D300S com lente Nikkor 80-400mm, ideal para esportes de ação.
Caminhando pela praia, em direção ao restaurante Natú Floripa, vi um rider surfando de kite em um dia clássico de vento nordeste. Eu estava com minha câmera e fiz algumas fotos. Quando ele saiu da água e viu as imagens, ficou impressionado.
No dia seguinte fui até o Riozinho, em frente a Ilha do Campeche, às 6h30 da manhã fotografar a galera do surf. Tinha dez fotógrafos na areia e 100 surfistas na água.
Percebi que no surf eu seria apenas mais um fotógrafo, enquanto que no kitesurf eu era o único fotógrafo e o público do kitesurf é outro estilo.
A partir daquele momento, decidi me especializar em fotografar kitesurf. Enquanto o surf já tinha muitos fotógrafos, identifiquei ali um nicho. Nos últimos nove anos, acumulei cerca de 280 mil cliques, sendo mais de 250 mil dedicados ao kitesurf
A reinvenção aconteceu de forma natural. Depois de décadas trabalhando com direção de arte e projetos gráficos, em 2023 lancei a revista digital FLORIPAKITE Lifestyle, que em 2024 passou a se chamar BRASILKITE&WING.
A revista se tornou phygital, física e digital, alcançando cerca de 40 mil visualizações. Moro a 100 metros de um dos principais pontos de decolagem de kitesurf da Praia do Campeche. Vivo isso diariamente. Desde 2020, tenho ido ao Nordeste todos os anos.
Em 2024, passei 90 dias no Maranhão, com pouco conhecimento prévio dos lugares e das pessoas, e produzi uma revista de 156 páginas com o primeiro atleta olímpico do Brasil na capa.
Em 2025, lancei uma edição especial FLORIPA–CAMPECHE, com 180 páginas, trazendo o campeão mundial de Kitewave de 2024 na capa.
Foi nessa época que conheci o flow, o estado de fluxo, e passei a entender que esse é, para mim, o melhor estado mental em que posso estar. Um lugar onde tudo se alinha: foco, presença, ação e intuição
Comecei a estudar o flow, pessoas de alta performance e, com o tempo, fui percebendo algo muito interessante no meu dia a dia, principalmente fotografando os riders de kite. Aprendi a identificar quando cada um deles entra no flow. É visível.
A conexão com o momento, a precisão dos movimentos, a leitura do vento, da onda… tudo muda. E mais do que observar, eu passei a acessar esse estado de forma consciente. Quando vou fotografar, já entro no flow antes mesmo de chegar. No caminho, uso meus decretos, comandos e declarações, uma forma de alinhar mente e energia, que me colocam no meu melhor estado.
Chego com foco total, presença absoluta, e começo a trabalhar de forma intuitiva. Configuro meu equipamento quase sem pensar. E, nesse estado, faço entre 2 mil e 3 mil cliques em cerca de três horas, um tempo que, para mim, parece passar em minutos
Esse aprendizado não veio só da fotografia. No SUP, por exemplo, vivi experiências muito fortes de flow. Atravessei diversas vezes a Lagoa da Conceição em dias de vento nordeste, saindo da Avenida das Rendeiras até a antena do outro lado da lagoa, em condições extremas, e saía seco, sem cair. Totalmente presente. Totalmente conectado.
Correndo na areia da praia, é a mesma coisa. Na edição de fotos, também: quando entro no flow, consigo editar mil imagens em um único dia, algo que normalmente levaria dois ou três dias fora desse estado.
Com o tempo, entendi que o flow não é só produtividade. É também fisiologia. Esse estado ativa neurotransmissores que me fazem muito bem, que aumentam minha energia, minha clareza e minha capacidade de execução.
Hoje, procuro acessar o flow em tudo: seja jogando um frescobol, seja trabalhando em situações difíceis. É um recurso que me permite me superar, dar o meu melhor e alcançar resultados que, muitas vezes, parecem improváveis
Um exemplo desses resultados: produzir praticamente sozinho uma revista phygital inteira, como essa nona edição da BRASILKITE&WING que está saindo agora, em português e em inglês.
O flow, para mim, é mais do que teoria. É prática diária. É presença. É viver no momento, no meu melhor estado.
Completei 64 anos em setembro de 2025. Brinco que é como se fosse 4.6, uma inversão que traduz como me sinto: jovem.
Durante muito tempo, disse que minha idade espiritual era 35 anos, como se tivesse renascido após a experiência de “Quase Morte” em 1995.
Hoje estou com 70 kg e busco voltar aos 73 kg, meu peso natural, meu corpo atlético construído ao longo de décadas de prática esportiva. Sigo ativo: surf, SUP, bike, corrida na praia, calistenia… E, agora, aprendendo kitesurf
Sempre fui um leitor voraz, estimo já ter lido cerca de 2 mil livros. Sou um eterno aprendiz. Amo fotografar. A natureza, os esportes, as pessoas, modelos ou anônimos, todos têm histórias, energia, presença.
A partir das fotografias que faço, comecei uma empresa de artigos de decoração de interiores, com fotos Fine Art, aplicadas em quadros, almofadas, cortinas, canecas de café, canecos de chopp, luminárias, e pretendo fazer esta empresa crescer e desenvolver um novo mercado em Floripa.
Vivo no momento presente. Cada edição da revista começa com páginas em branco e vai ganhando forma com entrevistas, fotos, vídeos e, hoje, também com o apoio da inteligência artificial.
Uso o que aprendi ao longo da vida para construir algo novo a cada ciclo. Renasci. Me reinventei muitas vezes. A cada edição continuo me reinventando. Estou sempre em movimento
Amo o meu lifestyle. E morar em Floripa me permite viver assim, desse meu jeito. Financeiramente, ainda não estou confortável, embora eu saiba que as revistas e os produtos de decoração irão se tornar rentáveis. Estou no processo confiando no meu trabalho e no meu talento.
E sigo assim: cuidando do corpo, da mente e do espírito. Me alimentando bem, treinando diariamente, meditando e mantendo Deus no coração.
Escrevo isso para você como quem compartilha não apenas fatos, mas sentido. Porque, no fim, o que fica além do que aconteceu, é como surfei cada onda e vivenciei cada momento!
Paulistano radicado em Floripa, Alex Mello, 64, é fotógrafo, editor e criador da BRASILKITE&WING. Ex-diretor de arte, atleta e surfista, transformou superação em propósito, movimento e estado de flow diário no mar e na vida ativa.
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