Conheça a tese de investimento da DNA Capital, que está atrás de startups capazes de virar o jogo da saúde no Brasil

Marina Audi - 3 jun 2021
Luiz Henrique Noronha, sócio da DNA Capital, gestora de venture capital focada em healthtechs.
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O papo começou com uma curiosidade. Quebrando a etiqueta, em reuniões formais com estrangeiros não-nativos em português, ele nunca usa o sobrenome pelo qual é chamado aqui no Brasil. “É uma complexidade pedir para alguém nos EUA falar Noronha (risos)!”

Luiz Henrique Noronha, 34, sócio da DNA Capital, gestora de fundos de investimento focada em saúde, acompanhou 19 dos 20 investimentos de venture capital realizados em startups até aqui. Seis dessas empresas são brasileiras, as demais estão nos EUA e Inglaterra.  

A gestora tem também mais cinco investimentos em private equity, no Brasil, totalizando 6 bilhões de reais distribuídos em sete fundos. Dois deles são específicos para VC: um no Brasil e um off shore. Hoje, 22 colaboradores – cinco baseados nos EUA – acompanham as companhias do portfólio.

Luiz entrou para a indústria de venture capital em 2011, quando terminava a faculdade de engenharia mecânica. Chegou à DNA Capital em meados de 2017 para estruturar e tocar a área de venture capital. 

A empresa já existia desde 2012, quando foi fundada por Pedro Bueno, presidente da Dasa, após sua família vender a Amil para a United Health. Nesse evento de liquidez, Pedro teve a ideia de ajudar outros empreendedores de saúde a fazerem uma trajetória de sucesso parecida com a da Amil”, diz Luiz. “Uma forma de perpetuar o aprendizado.”

Na sequência, outros investidores – fundos soberanos vindos de outros países, Family Offices locais e pessoas físicas – se uniram aos fundos abertos pela DNA Capital.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

 

Onde você nasceu e cresceu?
Em São José do Rio Preto (SP). Nasci numa família bem simples, mas com muito amor. Minha mãe era professora e me passou a essência do professor: digerir coisas complexas e colocar de forma mais fácil para outras pessoas. Eu carrego isso. E meu pai era um cara que falava muito que se você tem um problema, vá lá e resolva. Ele me dava as ferramentas para eu chegar do outro lado. Isso me fez muito como pessoa e como profissional. 

Uma das primeiras experiências destacadas no seu LinkedIn é como sócio da Arqvias. Você foi direto empreender ou trabalhou no mercado corporativo?
Nunca trabalhei no mercado corporativo. O drive empreendedor estava sempre ali e foi florescendo. A Arqvias era um projeto que meu pai tinha começado; na época, ele trabalhava no departamento de trânsito da prefeitura de São José do Rio Preto e viu uma oportunidade nesse segmento, na região. Comecei a desenvolver um pouco aquilo. Fiz projetos low cost para as máquinas que iam no equipamento. Foi interessante, me mostrou que era possível fazer.

Depois, em 2009, na faculdade ainda, junto com outros três amigos, montamos uma consultoria estratégica focada em PMEs – a Act Consulting. Queríamos ajudar empresas pequenas e a ideia era trocar o nosso trabalho por participação nas empresas-clientes. A gente inventou a roda que já existia!

Esse modelo de private equity & venture capital é meio isso: pegar capital de terceiros, alocar em uma companhia que você acredita ter potencial, ficar próximo dela, ajuda-la a se desenvolver, fazer mentoria com os fundadores, montar um conselho e, se tudo der certo, depois vender essa companhia lá na frente

Foi ali que eu disse: “É isso que eu quero fazer: ajudar empresas a crescerem mais”… Nosso modelo era ruim, porque éramos pequenos. Se tivéssemos capital para investir junto, como os fundos fazem hoje em dia, teria dado resultado. 

Então veio daí sua “chamada” para a indústria de venture capital? Pouco depois você foi para Ficus Investimentos…
Eu e  outro sócio, Thayan Hartmann [sócio da DNA Capital desde 2014] ficamos fascinados por esse mercado de participações. E nessa época o mercado de VC estava nascendo. Private equity já era um pouco mais estabelecido e começamos a tentar conversar com fundos. Um deles, o Angra Partners, cujo sócio era o Bruno Sena, acabou contratando nós dois.

Thayan foi para o braço de private equity que eles tinham lá dentro. Eu fui para a Ficus, que se estava começando. Era um fundo meio à frente do tempo, porque queria fazer capital semente. Isso foi em 2011 e mal tinham sido estabelecidos os fundos de Série A — então, era um terreno deserto. 

Na sequência você passou pela DGF Investimentos…
A DGF era uma gestora bem tradicional do mercado e fazia mais growth – que na época era mais um private equity que um venture capital… o que hoje seria um VC late stage, com cheques um pouco maiores. 

O Patrick Arippol era o sócio que liderava a prática de early stage. Entrei lá para essa área e ali fizemos muito [investimento em] SaaS, coisas interessantes como: Resultados Digitais [atual RD Station] – fomos o primeiro investidor lá, depois fizemos diversas outras rodadas com outros fundos até a saída; e Mosyle, software focado na área de educação que permitia que se utilizasse tablets em sala de aula. Ajudamos essa companhia a fazer a internacionalização, eles foram para os EUA. Hoje, [internacionalização] é mais comum, mas em 2012 não havia quase nenhuma. Era aquele complexo de vira-lata: “Sou brasileiro e não vou competir lá, não!” 

Como você chegou/se aproximou da DNA Capital? Qual foi a missão que lhe foi dada na empresa?
A família Bueno foi o primeiro investidor nos fundos da DNA Capital. O Pedro [Bueno] foi muito inteligente na forma de fundar a gestora. Ele foi a mercado puxar pessoas especialistas, que faziam investimentos muito bem, e as trouxe para cá. Ele foi pinçando alguém bom de private equity, de venture capital. Isso deu para DNA Capital o aspecto diverso que ela tem hoje.

Uma das pessoas de private equity que o Pedro chamou para montar a área foi o Thayan, que tinha sido meu sócio na Act. Quando começaram as conversas sobre venture capital, ele sugeriu meu nome. Foi assim que começou o namoro, que foi longo. 

No início, eles pediram ajuda para entender como funcionava, como se tocava um VC etc. Eu até os ajudei a montar uma viagem para o Vale do Silício, para verem o que era VC. É mais fácil mostrar do que falar. Depois de um ano e meio, eles me convidaram para tocar essa prática. 

Quando você veio, os dois fundos de VC já estavam sendo captados?
Não. Estava bem no início. O time que já estava aqui tinha feito um investimento em uma empresa do Rio de Janeiro chamada Beep Saúde – que presta serviços de vacinas e exames domiciliares – sem um fundo ainda. Foi um investimento herdado, digamos assim, que eu acompanho. Já fizemos várias rodadas e ela continua no portfólio. O primeiro investimento que eu fiz foi na CM Tecnologia de BH. É um software para integração de dados em saúde. 

Você já tinha expertise em healthtechs antes de entrar na DNA Capital?
Eu tinha feito um investimento no segmento de saúde lá no DGF, era um software, chamava Gesto Saúde [comprada pela Dasa em 2020]. Hoje, conhecendo profundamente o segmento, percebo que minha experiência era nula. 

Uma das primeiras reuniões de que participei foi com uma companhia de biotech que produzia um hardware para acelerar processos de estudos clínicos [investigação científica com a participação de seres humanos], que simulava como a droga iria se comportar no órgão do corpo. No final da reunião, eu era incapaz de fazer uma pergunta para o fundador… Não tinha capacidade técnica de ter uma conversa estruturada com ele. Então, percebi que o segmento iria exigir de mim um conhecimento muito mais profundo. 

Quando a gente olha de fora, saúde parece como mais um segmento, como é fintech, agritech etc. Mas, definitivamente, não é assim! Quando você olha healthcare sob a perspectiva de mercados – embora seja 10% do PIB brasileiro e quase 18% do PIB americano –, na verdade, são milhares de submercados. Temos: operadoras; prestadores de serviços; hospitais; laboratórios; distribuição de medicamento; indústria farmacêutica e um mundo completamente novo de desenvolvimento de novas drogas; biotech 

Nos primeiros três meses de DNA Capital, fiquei totalmente “embaixo d’água”, aprendendo healthcare. Quando você está dentro e só faz isso, começa a entender as nuances desse segmento, percebe que tem muito mais do que o olho consegue enxergar.

Como atua a DNA Capital? Qual é a tese de investimento de vocês?
Temos as duas práticas aqui dentro: venture capital – para empresas menores – e private equity – para empresas maiores. 

Em termos de tese de investimento, o tema maior é saúde, mas olhamos subsegmentos. Estamos muito focados em digital health – soluções que digitalizam a jornada do paciente e do médico, tentando trazer mais eficiência para a cadeia de saúde e, mais especificamente, melhorando a experiência do cliente. Tentamos olhar segmentos que irão empurrar a saúde para o futuro, então, uma tese importante para a gente é tech-enabled services – serviços escaláveis com tecnologia. 

A Beep Saúde, por exemplo, leva enfermeiras para casa das pessoas para prestar serviços que, normalmente, eram feitos em uma unidade de saúde. Tem uma camada de serviços grande, mas escala porque tem tecnologia envolvida para roteirizar as enfermeiras, garantir que elas estejam fazendo muitas passagens por dia. 

Focamos também em softwares e fintechs em healthcare – empresas que de alguma forma mesclam soluções financeiras para saúde.

Quando se fala em VC é importante dizer que os fundos navegam em megatendências, então olhamos investimentos em algumas dessas tendências que já mapeamos. Por exemplo, consumerização em healthcare – tornar mais fácil para o consumidor a contratação das soluções. A Sanar, que está em nosso portfólio, dá acesso a conteúdo médico para estudantes de medicina de uma forma superfácil e em modelo B2C

No private equity são companhias maiores, aí olhamos mais soluções como providers – prestadores de serviços de saúde. Um exemplo é a Viveo, que faz distribuição de medicamentos — um segmento novo que a gente não conhecia tanto.

As teses são diferentes por tamanho e por geografia. Nos EUA, conseguimos olhar teses que demorariam anos para estarem prontas aqui no Brasil — ou que não tem ninguém ainda aqui montando companhias desse tipo. 

Qual é o tamanho dos cheques?
No Brasil, somos um pouco mais agnósticos em termos de estágio. Temos feito desde Seed – cheques de 1 a 2 milhões de reais – a Series A, Series B – 50 a 60 milhões de reais. Temos bastante flexibilidade.

Nos EUA, também temos condições de fazer todos os estágios. Mas, porque o mercado lá é muito especializado – há muitos fundos em cada estágio –, a gente tem olhado mais Séries A e B. É o que chamamos de comercial stage company, empresa que já está com modelo comercial estabelecido — e aí é um capital de aceleração mais do que de ideação ou criação. 

Se as teses de investimento e os cheques são diferentes aqui e nos EUA, os critérios para definir um investimento em uma startup brasileira são os mesmos usados para uma estrangeira?
Em geral, os critérios da barra são bastante altos, porque a gente prefere se envolver com menos projetos e ter mais tempo, enquanto equipe, para ajudar essas companhias, mergulhar nessas teses e ajudar na jornada, do que pulverizar o capital em dezenas de investimentos.

É uma abordagem mais sniper e menos metralhadora. A gente evita a abordagem “spray and pray”, de espalhar [o dinheiro] e rezar para que as empresas deem certo 

A única diferença de critério entre Brasil e EUA, talvez seja a questão de estágio [da empresa]. Aqui, como a gente conhece mais profundamente o mercado e estamos imersos nele, conseguimos fazer teses com um pouco mais de risco envolvido.

E também porque temos o conceito forte do nosso ecossistema aqui: como já temos companhias grandes investidas, como a Viveo, conseguimos fazer teses que são inovadoras e criem sinergias entre as companhias – obviamente, sempre a condições de mercado, permitindo que elas tenham independência entre si. Isso permite que a gente acelere companhias em estágio mais inicial e ajuda a reduzir o risco. 

Como se organizam para prospectar as startups?
Por termos experiência, vemos a direção em que o mercado está indo e procuramos encontrar companhias que estão olhando para ela [a direção] nos próximos cinco ou 10 anos. Vamos atrás dessas companhias proativamente. Chegam a nós muitas companhias buscando investimento, o que chamamos de “originação passiva”. Mas a gente faz o trabalho forte de mapear um segmento e achar as companhias que estão criando o futuro — para que a gente possa ajudá-las a criar esse futuro. É daí que surgem as melhores teses. 

A DNA Capital faz coinvestimentos? Quais são as condições ou critérios?
Sim. A indústria de venture capital é colaborativa por definição. As companhias que vão muito bem obrigatoriamente passarão por muitas rodadas de investimento. No caso da Beep fizemos o primeiro round [Seed, em 2017, 5 milhões de reais]. No segundo round, trouxemos um outro investidor [InovaBra, series A no valor de 17,5 milhões de reais]. No terceiro, trouxemos uoutro investidor [Valor Capital, que liderou o investimento de 110 milhões de reais, em uma rodada de série B, em abril de 2021]… Ao longo do tempo, você vai dividindo um pouco desse sonho com outros fundos, que topam acreditar nesse negócio no longo prazo.

Como é o acompanhamento das empresas investidas?
Atuamos muito próximos das companhias. São diversas frentes de trabalho: desde captar uma nova rodada – temos os contatos com outros fundos para estruturar novas rodadas, ajudar o empreendedor com as apresentações; contratações de pessoas-chave – esta é uma área em que gastamos um tempo considerável na procura, entrevistas de candidatos, o que poupa muito tempo do empreendedor; planejamento estratégico – fazemos um plano de 100 dias após o investimento, para ajudar o empreendedor no começo da jornada. Isso é uma coisa viva. Conforme vamos fazendo investimentos, vamos aprendendo o que funciona e o que não funciona. Estamos sempre testando.

Existe alguma relação mais direta entre as startups investidas por vocês e o Grupo Dasa – Dasa, Rede Ímpar e GSC – da família Bueno?
Essa confusão acontece no mercado. Muita gente acha que a DNA Capital é uma área de corporate venture dentro da Dasa. Isso dá uma confundida, porque efetivamente não é! Por exemplo, ninguém questiona se a Kaszek é uma área de corporate venture do Nubank

A Dasa é uma companhia investida por nós que cresceu muito, muito mesmo! Como temos investimentos grandes, conseguimos, através deles, aprender muito sobre o segmento de saúde. E conseguimos ver tendências, para onde esse mercado está indo. O que tem de aprendizado aqui com esse tipo de companhia é mais isso. 

O que tem mais valor e é um dos nossos diferenciais é o fato de termos as duas práticas – private equity e venture capital – que permitem que consigamos olhar uma tese, pensando em 20 ou 30 anos. 

Todos os fundos de VC têm ciclos de 10 anos, ou seja, investir e desinvestir. A gente consegue olhar para uma companhia, investir enquanto ela é pequena, fazê-la crescer muito, depois, pegamos capital maior do fundo de private equity e alocamos nessa companhia… Esse negócio vai crescendo e ganhando porte — e [assim] a gente não precisa vender essa companhia em cinco ou seis anos, para devolver o capital. Posso efetivamente olhar isso em mais longo prazo e fazer investimentos transformacionais para o segmento de saúde, com uma janela de tempo mais significativa 

E tem uma questão um pouco diferente aqui, porque os ciclos em saúde demoram mais mesmo. Saúde exige um mindset de longo prazo, de mais paciência dos investidores. Companhias de saúde demoram mais para serem construídas.

Isso influi para ainda não termos no Brasil um unicórnio da vertical healthtech?
Há duas questões para se olhar. Construir um unicórnio – empresa que vale 1 bilhão de dólares – exige tempo e mercados muito grandes. 

Quando olhamos Nubank, Gympass, Creditas, Loggi, QuintoAndar, companhias que conseguiram chegar nesse patamar, parece que foram sucesso do dia para a noite. Nubank está aí desde 2013, então, tem muito chão que foi percorrido.

Saúde se tornou a bola da vez nos últimos dois ou três anos. Primeiro, teve a onda do e-commerce, depois do marketplace, das fintechs e agritechs. 

As companhias de saúde vão demorar para se tornar unicórnios, porque demora para se construir companhias grandes.

E há uma segunda questão que é o tamanho do mercado. Saúde é um mercado árido, com muitas nuances específicas do segmento e milhares de submercados de centenas de milhões de reais. Alguns são de bilhões e, raramente, encontra-se algum que chega perto de 100 bilhões 

Digo isto porque, para se construir uma empresa com valuation de US$ 1 bi ou R$ 5,1 bi, é preciso que você esteja em um mercado muito grande, que tenha centenas de bilhões [de faturamento]

O mercado de vacinação privada no Brasil, onde a Beep começou, não é tão grande: gira em torno 1,4 bilhão de reais. Por mais que a empresa tenha todo o faturamento do mercado, ela não consegue valer 5 bilhões de reais!

Por outro lado, das 10 maiores startups de healthtech (segundo o “Distrito Healthtech Report Brasil 2020”), três estão no portfolio da DNA Capital  – CM Tecnologia, Memed e Sanar. Como você explica essa assertividade?
Vem de conhecer profundamente esse segmento, entender os gramados nos quais jogamos. Escolhemos muito bem os jogos que queremos jogar. Estamos procurando empreendedores diferenciados, que montaram companhias com propostas de valor claras, que resolvem dores muito claras do mercado, que estão em mercados muito grandes e que, por fim, montam modelos financeiros saudáveis no longo prazo. É um alinhamento de coisas que tem de acontecer para o investimento sair. E temos o conhecimento do mercado que nos ajuda a escolher as melhores oportunidades. 

Independentemente dos subsegmentos que a DNA Capital elegeu como foco, qual setor — ou “dor” — na área da saúde demanda hoje mais investimento?
Isso muda de geografia para geografia. Nos EUA, algo interessante é ver grandes centros de pesquisa que são referência em criação de novas drogas e moléculas. Você tem o CRISPR, uma tecnologia de edição de genes de baixo custo, com um potencial enorme de novos diagnósticos e cura de doenças [em 2020, a francesa Emmanuelle Charpentier e a norte-americana Jennifer A. Doudna entraram para o seleto grupo de apenas sete mulheres que receberam o Prêmio Nobel –de Química – com pesquisa dessa técnica]. É um segmento de biotech muito interessante com uma curva mais longa de desenvolvimento que vai trazer muito impacto para a humanidade. 

Aqui no Brasil, temos uma questão de permitir que mais pessoas tenham acesso à saúde de qualidade. Quando você coloca em perspectiva que o SUS atende 150 milhões de pessoas, ele é um dos maiores planos de saúde do mundo… Mas a saúde é um direito universal — nossa Constituição garante isso. O acesso é uma questão complexa. As pessoas aqui [no Brasil] estão distribuídas em geografias onde, não necessariamente, os médicos estão. Eu tenho um sentimento maior de que a gente tem de trabalhar na questão de acesso.

O que lhe atrai no trabalho de prospecção de investimentos?
Para mim, muito do que o venture capital significa é acelerar a criação de um futuro que melhore a vida das pessoas, efetivamente. Se você pensar o que o Nubank fez com a indústria financeira, ele trouxe uma alternativa para que alguém que nunca teve um relacionamento bancário passasse a ter um — com custo razoável. Ou, no caso da Sanar: o fato dessa companhia existir permite que um médico que não esteja em um grande centro tenha acesso a uma educação de muita qualidade.

A forma como olho isso é quase como um esforço social. Deveríamos estar alocando mais capital em inovações que melhoram a vida das pessoas

Eu sinto que carrego um senso de responsabilidade grande de estar empurrando a humanidade para frente. Fazer com que as inovações aconteçam é mais rápido alocando capital onde ele gera valor de verdade para o país… É economia real.   

Por quanto tempo você se vê fazendo isso?
Até quando meu corpo permitir! Não sou desses que pensa em aposentadoria, não! Olho isso com um horizonte de tempo de 50, 60, 70 anos… O tempo que for me dado. Espero continuar por muito tempo.

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