Saiba como a Caixa Filosofal, que faz quadrinhos com frases, criou um novo tipo de presente personalizado

Luisa Migueres - 8 jul 2015Juarez Zaleski mostra a frase que deu o empurrão para que ele abrisse seu próprio negócio
Juarez Zaleski mostra a frase que deu o empurrão para que ele abrisse o próprio negócio.
Luisa Migueres - 8 jul 2015
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Como você gostaria de contar a notícia mais importante da sua vida? Em tempos de WhatsApp, transmitir uma mensagem nunca foi tão rápido. Mas ela pode sair impessoal, sem graça ou até descartável. E se você pudesse guardar algo que realmente capturasse aquele momento?

A história de como o publicitário Juarez Zaleski, 36, contou à sua mãe que esperava seu primeiro filho resume bem como sua empresa funciona. Criador da Caixa Filosofal, especializada em criar quadros personalizados, ele a presentou com a seguinte frase, cuidadosamente emoldurada: “Vovó Guta, guarda um espacinho no seu coração! Vou chegar te amando!”. A reação, de tão adorável, foi documentada em vídeo. Ele, após trabalhar 15 anos com Publicidade, fala o que o motivou a mudar:

“Queria fazer presentes que tivessem impacto na vida das pessoas. Queria estruturar uma empresa que pudesse espalhar mensagens positivas para o mundo”

A Caixa Filosofal, no entanto, não foi sua primeira experiência como empreendedor. Em 2005 ele lançou uma empresa de marketing de guerrilha, a primeira do ramo no Sul do país. Sua grande aposta na publicidade, no entanto, viria em 2010, quando a agência digital onde trabalhava foi comprada pela gigante JWT, e ele fez as malas rumo a São Paulo.

“Minha grande dúvida era se, pra ser criativo, eu precisaria estar dentro de uma agência na área de criação. Nessa área, você não tem tempo para pensar no que é importante pra si”, conta. Bastaram poucos meses como diretor de arte para Juarez descobrir que não. Já decidido a pedir demissão, ele planejava embarcar com a esposa para uma estadia de seis meses em Londres, para aperfeiçoar o inglês e acumular novas referências de negócios. Mas na hora de pedir as contas, recebeu uma contraproposta que o interessou — e partiu para a Europa, como queria, mas para trabalhar no escritório londrino da agência, no mesmo cargo.

HORA DE PERDER O MEDO, DIZ A VIDA

“Um dia, entrei num pub de Londres e tinha uma frase de um escritor americano, o Joseph Chilton Pearce, impresso numa folha de papel na parede: ‘Para viver uma vida criativa, você precisa perder o medo de estar errado’. Essa frase me tocou profundamente, porque aquele era um momento de indecisão pra mim”, conta ele. Chegando em casa, Juarez procurou, em vão, algum objeto à venda na internet que pudesse trazer a tal frase estampada.

Não demorou para que o impulso frustrado revelasse, na verdade, uma oportunidade de negócio. E se ele criasse uma empresa, com base na internet, onde os clientes pudessem concretizar algo que imaginam de forma simples e caprichada? Já sem medo de estar errado, compartilhou a ideia com o futuro sócio, Willie Taminato, que o ajudou a buscar um nome que sintetizasse a ideia, além de pesquisar sobre a forma com que as pessoas consomem frases.

As mensagens inspiradoras se tornaram um negócio para a Caixa Filosofal, que customiza tamanhos, molduras e detalhes.

As mensagens inspiradoras se tornaram um negócio para a Caixa Filosofal, que customiza tamanhos, molduras e detalhes.

Da famosa pedra procurada pelos alquimistas na Idade Média surgiu o nome Caixa Filosofal. “No início a gente achava que só surgiriam frases de motivação, tinha receio de virar autoajuda. Depois achamos que viriam frases de grandes pensadores e, de repente, veio o conceito de personalização”, diz Juarez. Em vez de comprar os quadros já prontos, o cliente poderia escolher entre cinco fontes, três alinhamentos e uma série de cores para criar seu próprio produto.

Já de volta do Brasil, e já demissionário, reuniu cerca de 150 mil reais (economias suas e dos sócios) para a empresa entrar em operação no início de 2012. Isso foi há três anos, uma pequena eternidade quando se fala de produtos e serviços digitais. “Quando a gente fazia análise de concorrência, não encontrava nem quadros com frases. Naquela época, não existia. Agora o mercado inflou. No Brasil de hoje, todo artista, calígrafo ou poeta faz a produção do próprio material, porque ela não é mais tão complexa”, diz o empreendedor.

PRATICIDADE E POESIA PARA CONSOLIDAR O BUSINESS

Com uma proposta prática — no site, o cliente tem à disposição frases, tamanhos, cores e molduras (os quadrinhos partem de 36 reais) para escolher, encomendar e receber em casa — e confecção própria, Juarez e sua equipe também levaram a empresa para o setor de decoração. Foi aí que conseguiram escalar o business. O foco para o mercado de lojistas, hoje composto por mais de 260 lojas de presentes em todo o Brasil, é um dos pilares de faturamento da empresa. Juarez descreve outra sacada que também se reverteu em mais vendas: “A princípio vendíamos o box de 20 por 20 centímetros. Isso era bom para colocar na parede, mas percebemos que era pequeno para uma mesa de trabalho. Então veio a ideia de desenvolver produtos ainda menores. Isso aumentou nosso faturamento em 50%”, conta.

Sediada em Curitiba, a Caixa Filosofal recebe encomendas de todo o Brasil e confecciona todos os quadros vendidos.

Sediada em Curitiba, a Caixa Filosofal recebe encomendas de todo o Brasil e confecciona todos os quadros vendidos.

O escritório, que acaba de ganhar novo endereço na capital paranaense, foi montado com base na economia criativa. Para conseguir oferecer seus produtos a um valor atrativo para os clientes e para não ter que adquirir o maquinário, atualmente a Caixa Filosofal tem dois funcionários e um parceiro posicionados para confeccionar as molduras, do corte ao polimento.

O arsenal de frases também ganhou reforço, com coleções do poeta Paulo Leminski. “A família Leminski liberou os direitos só para nós e para uma outra empresa, que faz lambe-lambe. Compramos todas as fontes e todos os artistas recebem participação de 20% do valor vendido”, afirma Juarez. Além do poeta, a Caixa também tem em catálogo frase de artistas conhecidos na internet, como Pedro Gabriel, autor do fenômeno Eu me chamo Antônio, que foi de página do Facebook a livro. Tanto com a família Leminski como com os outros autores, a Caixa Filosofal compra as fontes para elaborar os quadrinhos e remunera o artista com 20% do valor da venda.

Além de Juarez, que é diretor geral, Ítalo Gusso, Henrique Aguiar encabeçam a empresa, que tem mais sete funcionários. Em 2014, eles faturaram cerca de 1,2 milhão de reais. Este ano, apesar da crise, eles identificaram um salto nas vendas cinco vezes maior do que no mesmo período no ano passado. “Estamos firmes”, diz Juarez, que quer aproveitar o recente aquecimento no mercado de produtos personalizados no e-commerce, já apontado em pesquisas.

Ele fala do futuro: “Ainda somos uma startup e buscamos investidores. Em agosto lançaremos um aplicativo de gratuito de compartilhamento de frases personalizadas e a ideia é espalhar o nome da empresa”. Com a expansão do negócio, a cada dia o publicitário entende um pouquinho mais sobre o significado do ato de presentar, tanto para quem dá como para quem recebe. Mas uma certeza ele já pode ter: já conseguiu passar adiante a inspiração que a frase no pub de Londres o proporcionou.

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Caixa Filosofal
  • O que faz: Quadros com frases personalizadas
  • Sócio(s): Juarez Zaleski, Henrique Aguiar e Italo Gusso (em Londres)
  • Funcionários: 7
  • Sede: Curitiba
  • Início das atividades: março de 2012
  • Investimento inicial: em torno de R$ 150 mil
  • Faturamento: em torno de R$ 1,2 milhão
  • Contato: http://www.caixafilosofal.com.br/contato/
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