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8 bons hábitos que adquirimos na quarentena e que podemos (e devemos) manter após a pandemia

Cláudia de Castro Lima - 25 jun 2020
Da alimentação saudável ao estímulo ao comércio local, aprendemos algumas coisas importantes neste período. Levá-las para a vida só vai nos trazer benefícios
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Quem, há cerca de quatro meses, diria que deixaríamos, da noite para o dia, de ir aos nossos escritórios e trabalharíamos de casa? Alguém seria capaz de supor que faríamos exercícios físicos olhando para a tela de um computador? Ou que chegaríamos do mercado ou da farmácia, deixaríamos nossos sapatos do lado de fora da casa e higienizaríamos todas as embalagens de nossas compras?

De repente, a pandemia de Covid-19 nos obrigou a mudar nossos hábitos. E muitos de nós percebemos algo que também não imaginávamos: não é que vários desses costumes novos são bons e fazem bem tanto para nossa saúde física quanto emocional?

Listamos aqui sete hábitos que adquirimos durante esta prolongada quarentena – e que deveriam entrar de vez para nossos rituais cotidianos quando a pandemia acabar.

1) Manter uma alimentação saudável

Não era novidade alguma para ninguém que a alimentação tem um papel fundamental no fortalecimento de nosso organismo – é dos nutrientes dos alimentos, afinal, que dependem nossas funções orgânicas, como a imunológica.

No cenário em que vivemos, em que nossa saúde está ameaçada por um vírus do qual conhecemos pouco, manter uma alimentação saudável tornou-se ainda mais essencial.

“Como estamos em isolamento social, todas as refeições são feitas em casa – o que mudou para muita gente, pois, muitas pessoas não tinham que se ‘preocupar’ em fazer o café da manhã e/ou o almoço, porque fariam essas refeições no local de trabalho ou em restaurantes próximos”, afirma Soraia Batista, nutricionista da Sodexo.

“Isso refletiu em uma necessidade de planejamento de cardápios e – principalmente pelo momento que vivemos – em uma procura por alimentação mais equilibrada, seja pelo desejo de oferecer alimentos mais saudáveis para a família e ter todos os benefícios que ela oferece, ou pelo simples fato de ter a oportunidade de preparar as próprias refeições.”

Soraia lembra que nem sempre estar em casa significa mais tempo para cozinhar. “Em contrapartida, muitas vezes estar em casa é uma chance de aprimorar as técnicas culinárias, testar novas receitas, novos ingredientes, novos sabores… e tudo isso é benéfico. Até mesmo quem não tinha o hábito de comer alimentos in natura começou a ter durante este período.”

De fato, uma pesquisa com 107 mil pessoas feita pelo Núcleo de Estudos Sodexo mostrou que 69% dos trabalhadores do país mantiveram uma alimentação saudável mesmo atuando em home office.

O levantamento “Hábitos Alimentares do Trabalhador Brasileiro Durante a Quarentena” também apontou que 65% dos profissionais passaram a consumir, por exemplo, mais frutas e legumes. O melhor de tudo: além de fácil, é delicioso mantermos essa prática.

2) Nos preocupar com a saúde mental

O isolamento social, uma das formas mais eficazes de evitar a propagação do novo coronavírus, trouxe consequências severas para a saúde mental de muitas pessoas, já que pode ser um gatilho para crises de ansiedade e solidão.

O momento contribuiu, no entanto, para percebermos a importância de tomar conta de nosso emocional – o que fez com que serviços de saúde mental e bem-estar, como o Apoio Pass, oferecido pela Sodexo, tivessem um aumento enorme de demanda, de 40%.

Práticas de autoconhecimento ajudaram muito durante a pandemia. Houve, por exemplo, quem começasse a praticar meditação, que tem benefícios comprovados pela ciência, como redução da irritação, insônia e ansiedade. Outros intensificaram práticas como ioga ou mindfulness. Mas mesmo coisas simples, como a criação de uma rotina, já têm um grande efeito para acalmar nossas mentes – e nossos corações.

3) Estabelecer uma rotina de exercícios físicos

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, pacientes com condições crônicas pré-existentes, como diabetes e hipertensão, apresentaram versões mais graves da Covid-19. “Isso significa dizer que a infecção se desenvolveu rapidamente para a síndrome do desconforto respiratório agudo, insuficiência respiratória aguda e outras complicações”, afirma o site do Ministério da Saúde.

E continua: “Sabendo que a obesidade anda de mãos dadas com essas doenças crônicas, a preocupação para que ocorra o controle adequado da pressão arterial e dos níveis glicêmicos tende ser ainda maior”.

A prática regular de atividade física, uma das melhores formas de combater a obesidade, acabou sendo incorporada em nossa rotina durante a pandemia, inclusive como uma forma de ajudar a manter nossas mentes sadias. Se, por um lado, tivemos que deixar de frequentar academias, por outro percebemos que a rotina puxada não é exatamente um impedimento.

Os treinos online, oferecidos por exemplo pelo Gympass, parceiro da Sodexo, e que podem ser feitos em qualquer brecha de agenda, estão aí para provar isso – e, dizem especialistas no mercado fitness, vieram para ficar.

4) Buscar sono de qualidade

Uma pesquisa chinesa com mais de 7.200 voluntários feita no início deste ano, quando a crise sanitária estava concentrada lá, mostrou que uma a cada cinco pessoas tinha problemas de sono.

Vários estudos atuais comprovam que a pandemia não nos deixou apenas com insônia, mas também afetou nossos sonhos. Entre as constatações iniciais de um grupo de estudo formado por pesquisadores das universidades de São Paulo, Federal de Minas Gerais e Federal do Rio Grande do Sul estão o surgimento de sonhos de perda, de fuga ou perseguição, de intrusão e de vulnerabilidade devido ao isolamento social.

Percebemos, portanto, que não basta dormir – é preciso dormir bem. Para isso, temos que organizar uma rotina do que especialistas chamam de higiene do sono.

Ela inclui hábitos como nos expormos constantemente à luz natural e maneirarmos em nossa exposição às telas do computador e do celular, além de fazer exercícios, tomar cuidado com os cochilos e usarmos e abusarmos de técnicas de relaxamento. Boas práticas para serem incorporadas no pós-pandemia.

5) Apoiar o comércio local

O impacto da pandemia na economia foi sentido em todo o planeta. Governos anunciaram medidas para minimizar os danos e empresas tentam adaptar-se aos novos tempos. Mas, enquanto grandes companhias conseguem muitas vezes lidar melhor com as crises, os pequenos negócios podem fechar as portas depois de algumas semanas.

O consumidor entendeu que, sob esse contexto, cabia a ele apoiar o comércio local e valorizar os pequenos negócios. Comprar comida no restaurante ou no mercado do bairro é um hábito que foi desenvolvido durante o isolamento e que ajudou muitos comércios a manterem-se em funcionamento.

Várias campanhas de mobilização para divulgar os pequenos produtores e empreendedores foram organizadas de forma bem-sucedida, numa corrente do bem que deve permanecer – e, por que não?, se fortalecer – no pós-pandemia. Afinal, apoiar o empreendedorismo do bairro fortalece a economia local e melhora a vida de todos.

6) Prestar atenção e higienizar nossas compras

Para a nutricionista Soraia Batista, higienizar os produtos vindos do supermercado, principalmente frutas, legumes e verduras, é uma atitude importante em todos os momentos.

“Outra coisa que observo que deve perdurar é a atenção aos rótulos e à validade dos produtos”, afirma. “Como as idas ao supermercado diminuíram, saber a validade do produto é uma prática indispensável. Prestar atenção nessas informações é sempre importante.”

7) Organizar nosso tempo

Muita gente teve que se desdobrar para dar conta dos 3Hs: home office (ou o trabalho remoto), housekeeping (cuidar das tarefas da casa) e homeschooling (ajudar os filhos, afastados da escola, a estudar).

Organizar as tarefas do dia e fazer uma gestão eficiente do tempo são ensinamentos, portanto, que podemos tirar dessa pandemia para nossa vida.

Manter horários regulares para trabalhar, fazer uma lista com os compromissos importantes, estabelecer prioridades e metas (possíveis), fazer acordos com os demais membros da família para que tudo isso funcione, parar para as refeições e tirar um momento para si mesmo são algumas das práticas diárias que ajudam, independentemente de estarmos ou não isolados em casa.

8) Reconhecer – e valorizar – os momentos especiais

Para muitos de nós, foi preciso estar distante de todos para realmente nos damos conta de como o convívio social nos faz falta e é importante.

Aplicativos de reuniões remotas nos ajudaram a estabelecer essa conexão com parentes e amigos, mas também nos mostraram que nada substitui o abraço, o beijo, o toque. Que falta fazem os almoços em família e as happy hours!

Especialistas acreditam que, quando a pandemia passar, embora não saibamos exatamente o que vamos encontrar, deve restar em nós o hábito de valorizar os momentos especiais – e, claro, as pessoas que fazem parte deles e de nossas vidas.

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