Verbete Draft: o que é Open Insurance

Dani Rosolen - 20 out 2021
(Foto: Flickr/GotCredit https://www.flickr.com/photos/gotcredit/39827241843/)
Dani Rosolen - 20 out 2021
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Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

OPEN INSURANCE

O que é e para que serve: Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), Open Insurance ou Sistema de Seguro Aberto é a possibilidade de consumidores de produtos e serviços de seguros, previdência complementar aberta e capitalização permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes sociedades autorizadas, de forma segura, ágil, precisa e conveniente.

Na prática, os dados de um segurado em posse de uma única empresa da qual ele é cliente poderão ser pesquisados e acessados por todas as outras. O compartilhamento será feito por meio de APIs abertas — e com o consentimento prévio e formal dos usuários, de acordo com a LGPD.

O Open Insurance tem inspiração no sistema do Open Banking (que está na segunda fase de implantação). Os dois, por sua vez, serão interoperáveis por estarem sob o guarda-chuva do Open Finance, sistema financeiro aberto com o propósito de trazer transparência entre as instituições e seus clientes.

A ideia do Open Insurance é democratizar a contratação desse tipo de serviço, oferecendo experiências melhores para os clientes, além de estimular a competição, a oferta de novos produtos e serviços e a inovação neste setor.

Fases de implantação: Por meio da resolução CNSP nº 415/2021 e da circular 635/2021, em julho deste ano, a Susep divulgou o cronograma de implantação do Open Insurance, dividido em três fases.

A primeira terá início em 15 de dezembro, com a abertura de dados de produtos e canais de atendimento entre as grandes empresas do ecossistema de seguros. “É uma fase de ‘mostra as suas cartas que eu mostro as minhas’”, compara Marcos Watanabe, Chief Data Scientist da Suthub, plataforma SaaS de distribuição digital de seguros que interliga seguradoras e assistências, meios de pagamento, corretoras e canais.

Já na segunda etapa, prevista para setembro de 2022, passa a valer o compartilhamento de dados dos clientes, como informações cadastrais e produtos e serviços contratados, entre as operadoras.

E na terceira e última fase, prevista para ocorrer até dezembro de 2022, começa a efetivação do serviço, com um novo ecossistema centralizado e integrado ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) que permitirá acesso, modificações, resgate ou portabilidade, a fim de melhorar a experiência do consumidor.

A previsão é de que o Open Insurance deve estar funcionando em sua plenitude em 2024, segundo Marcos .

Vantagens para o mercado e para os clientes: Para as prestadoras de serviço, que terão seus dados expostos, a vantagem é maior competitividade, pois elas poderão melhorar seus produtos e serviços e reduzir custos, com base nos insights oferecidos pela análise da concorrência.

Ao estudar as informações liberadas pelos clientes, as empresas também conseguirão criar novos produtos, serviços e modelos de negócios, ampliando a receita que antes era composta apenas com os “produtos de prateleira”. Marcos afirma:

“Considero o Open Insurance uma grande mola impulsionadora de novos modelos de negócios neste setor. A partir do momento em que se começa a compartilhar dados de usuários e de produtos, aparecem oportunidades que antes eram impossíveis para as empresas”

O especialista complementa com um exemplo: “Se antes eu tinha um monte de produto de prateleira que precisava vender um a um para o corretor, agora posso disponibilizar um API e conectar esses produtos nos canais digitais de corretoras, evitando um trabalho de cotação e propostas”.

Para os clientes, o sistema oferece mais transparência e customização, possibilitando a contratação de ofertas mais adequadas às suas necessidades e a preços (em tese) menores do que os atuais, uma vez que haverá mais concorrência.

Segundo um estudo da BMG Seguros, citado pelo Valor Econômico, o Open Insurance pode gerar uma economia de até 20 bilhões de reais em cinco anos (levando em conta apenas o segmento automotivo e de vida).

Outra vantagem é que os clientes terão maior autonomia nas contratações, podendo optar em cada item pela oferta mais vantajosa (de diferentes empresas). Por exemplo, para uma viagem, você poderá optar pela assistência médica de uma operadora, pelo seguro-bagagem de outra…, e assim por diante.

Desafios de implantação: Segundo Marcos, existem três desafios principais a serem enfrentados pelas empresas do ecossistema de seguros:

“O primeiro é o tecnológico, que sempre vai existir. No Open Banking mesmo teve um monte [ de desafios], mas isso com investimento se resolve. Existe também a questão de mudança de processos. Como transformar, por exemplo, algo que a empresa estava fazendo no Excel e agora precisa responde por API?Elas precisarão se adaptar”, diz.

O terceiro desafio, na visão de Marcos, é também o maior: a transformação do atendimento.

“Se antes a empresa tinha o corretor que apresentava um business plan, cadastrava um produto, mandava o contrato — tudo no papel –, agora a empresa precisará mudar seu onboarding digital para ser mais rápida e eficiente”

Especialistas citam ainda um quarto desafio: fazer os clientes se sentirem seguros para compartilhar esses dados. De acordo com uma pesquisa da Bain&Company, realizada entre 21 de agosto e 10 de setembro deste ano com cerca de 3 500 pessoas de todo o Brasil, 59% dos entrevistados não pretendem compartilhar seus dados em troca de ofertas exclusivas, condições diferenciadas e outros benefícios.

Críticas ao novo sistema: Apesar de se mostrar favorável ao modelo, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), que engloba mais de 180 empresas e prestadoras de serviço do segmento, critica os prazos e as regras da Susep.

A entidade acredita que o intervalo de um ano para a adequação das empresas não é suficiente para dar conta das mudanças de tecnologia, de sistemas e de governança interna necessárias para a proteção dos dados dos usuários no contexto do Open Insurance.

Já a Susep indica que o tema vem sendo debatido com o mercado desde dezembro de 2019 e que segue um calendário compatível com o Open Banking, porque os dois processos estão andando em paralelo. No próximo dia 15 de dezembro, por exemplo, terá início a quarta etapa do Open Banking, que engloba produtos de seguros comercializados por bancos.

A CNSeg também é contra a participação no Open Insurance das novatas, empresas em fase de experimentação de novos produtos e serviços, por um período de 36 meses, seguindo o sandbox regulatório. Por sua vez, a Susep afirma que esses negócios já são obrigados a seguir as regras do órgão e que a inclusão delas no Open Insurance é uma forma de acelerar a inovação do setor.

Outra crítica é a exclusão dos corretores nesta discussão e na participação como intermediários nas operações. Segundo a entidade, os corretores estariam com as atividades ameaçadas pela criação da figura da Sociedade Iniciadora de Serviços de Seguros (SISS), que ficaria responsável por fazer pagamentos em nome do cliente. A Susep rebate e argumenta que seguradoras, corretores e corretoras poderão constituir ou se transformar em SISS, devendo atender aos requisitos de capital e segurança cibernética estabelecidos na resolução.

Sobre o papel da Suthub no Open Insurance, Marcos conta que a empresa é responsável pelo Sistema de Registro de Operações (SRO) da Susep. “Imagine que alguém passe uma informação a um agente do ecossistema de seguros e por acaso há alguma discrepância. Onde vão conferir se aquilo é real? Todas as operações do setor serão registradas no SRO, este data lake que a gente está construindo, com informações escrituradas online e quase em tempo real.”

Para saber mais:
1) Acesse aqui os documentos de referência da Susep sobre Open Insurance;
2) Leia, no Olhar Digital, o artigo “Pacote Open: entenda a diferença entre Open Banking, Open Insurance e Open Finance”;
3) Assista ao webinar “Open Banking e Open Insurance – A visão integrada do Banco Central e Susep”, da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP);
4) Leia mais sobre o SRO no site da Revista Apólice.

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