Sua empresa busca novos profissionais para liderar projetos inovadores? A Chiefs Group é um marketplace de executivos sob demanda

Italo Rufino - 26 set 2022
Cristiane Mendes, CEO da Chiefs Group.
Italo Rufino - 26 set 2022
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O trabalho mudou – e as relações entre chefes e funcionários, também. A transformação digital, acelerada pela pandemia, normalizou o home office. Numa época repleta de reuniões via webcam, há maior mistura da vida pessoal e profissional, e revelações de nuances da intimidade. 

Ao mesmo tempo, ganha força a noção de que não é quantidade de horas logado no computador que garante a eficiência, e sim como cada um alterna tarefas diferentes com o mesmo foco. Na busca por equilíbrio, os profissionais têm demandado relações mais sustentáveis com seus empregadores. 

Quem explica é Cristiane Mendes, 42 anos, empreendedora, investidora e mentora em startups. Embora o cenário seja complexo, ela vê o copo meio cheio. 

É da mistura que nasce a inovação. A mistura do trabalho remoto e presencial; de profissionais jovens e experientes; do conhecimento profundo da organização e perspectivas externas; do full time e do trabalho sob demanda”

Em 2020, de olho, mente e coração na era do trabalho sob demanda (Open Talent Economy), Cristiane fundou a Chiefs Group, um marketplace de talentos que conecta profissionais C-Level com empresas que precisam de líderes para conduzir projetos inovadores.

COMO FUNCIONA O MARKETPLACE DE TALENTOS

A plataforma da Chiefs Group possui 800 executivos dispostos a compartilhar conhecimento, realizar mentorias e investir em negócios com potencial de crescimento. 

Para se tornar um Chief, como são chamados os membros do grupo, cada executivo é avaliado quanto às empresas pelas quais passou, os projetos que conduziu, os times que liderou e suas formações e expertises – além da sua disponibilidade atual e o quanto desejam faturar por meio de trabalhos sob demanda.  

“Os profissionais mais capacitados são os donos de seus talentos, e detêm as rédeas de suas carreiras. São responsáveis por dosar quando e como vão aplicar sua força de trabalho, e com quais empresas querem colaborar”

Na outra ponta, há os empreendedores, que determinam as posições, tempo de dedicação e habilidades dos executivos que desejam ter como parceiros. Entre as demandas estão planejamento estratégico, otimização de custos, desenvolvimento de canal de vendas e inovação em linhas de produtos.

Por sua vez, a Chiefs Group é responsável por fazer o matching entre os executivos e os empreendedores – e conduzir a jornada dos profissionais dentro das empresas. 

O TALENTO COMO OBRA DE ARTE: A DIGITALIZAÇÃO DE CONHECIMENTOS ÚNICOS NA ERA DO BLOCKCHAIN

Cristiane é dona de uma bela trajetória. Em 2001, fundou a Shopping Brasil, uma das líderes em pesquisa de mercado e varejo; uma década depois, vendeu o negócio e partiu para novos desafios. 

Por dois anos e meio, foi diretora de operação da Visor, startup de inteligência em logística de bens de consumo, apontada (em 2013) pela IBM como uma das oito empresas mais inovadoras do mundo, à época. Em 2016, ela criou a Delivery Center, uma plataforma que conecta marcas, marketplaces, malha logística e shoppings centers

Hoje, além da Chiefs Group, Cristiane é sócia-investidora em startups e tem assento no conselho de três empresas: a aceleradora WOW, a Tag Livros e a indústria de móveis Caemmun. 

Ao falar sobre negócios e tecnologia, ela esbanja empatia e sagacidade. A impressão de quem ouve é a de se deixar levar por uma meditação guiada, com a voz dela ecoando na sua mente por horas após o fim da conversa.

Sobre a dinâmica da Chiefs Group, Cristiane afirma, que mesmo no caso de um hipotético empate técnico entre dois executivos com a mesma formação e experiência, com passagens pelas mesmas empresas, e nos mesmos cargos, ainda assim a plataforma conseguiria destacar dois talentos diferentes.

“Um talento é o acúmulo de suas experiências, saberes e interesses. É a sua personalidade, técnicas, habilidades, comportamentos e rede de networking. O talento é único. É como uma obra de arte. Logo, pode ser um NFT

E é aí que mora um dos diferenciais da Chiefs Group. A startup digitaliza as carreiras dos executivos, emitindo tokens de talentos (NFTs), com certificado digital em blockchain.

E para quê tamanho detalhe? Tire um tempo para respirar, e volte a prestar atenção: 

Uma vez que o executivo cria sua NFT, há a comprovação ao mercado do seu poder de entrega. Ou seja, o talento se torna um ativo, que passa a ser investido nos negócios, em forma de trabalho sob demanda. 

Quando uma empresa contrata o serviço do profissional, ela pega “emprestada” essa marca digital, agregando valor ao negócio. Posteriormente, caso a empresa cresça, o NFT do executivo será valorizado.

O GRUPO DE SÓCIOS TRAZ EXPERIÊNCIAS DIVERSAS E TALENTOS COMPLEMENTARES

Cristiane não toca a Chiefs Group sozinha. Para tirar a ideia do papel, ela se cercou de um time estrelado.

 O grupo de cofundadores inclui Bianca Beck Kunz, advogada e sócia do escritório Amodeo e Beck Advogados; Diego Rondon, cofundador da consultoria de recrutamento e seleção e-volve.in e da aceleradora e-volve.ac, com passagens por 99, GymPass e Creditas; Luis Claudio Allan, jornalista que foi executivo em agências de comunicação e fundador da FirstCom, da People2Biz e da ONG Instituto Crescer; e Cecília Lanat, advogada, sócia e cofundadora de Movile, Delivery Center e Intera.

Fechando o quadro societário, há ainda Vasco Crivelli Visconti, diretor Latam da Meta (Facebook) e Ph.D. em física, com mais de 20 anos de bagagem em mercados como mídia digital, varejo, logística e marketing digital, entre elas B2W; Marcelo Marchetti, empreendedor e advisor, com experiência em negócios de tecnologia de ponta; e Venâncio Veloso, mestre em inovação, estratégia e marketing pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). 

Com passagens Amazon Brasil, Venancio é também cofundador de três startups/scale-ups: a VTEX, que realizou IPO de 4 bilhões de dólares no NYSE; a Sapatino, e-commerce de calçados e acessórios; e a WebPesados, marketplace de máquinas e veículos. 

Nos últimos meses, esse time tem mentorado e investido em startups brasileiras. Entre elas estão a Surfmappers, que conecta fotógrafos e surfistas num marketplace com cara de rede social (e foi pauta aqui no Draft); e a Kiddle Pass, plataforma de atividades educacionais, físicas e culturais com foco no contraturno escolar de alunos de até 12 anos, também perfilada recentemente no Draft. 

COM DINHEIRO PARA INVESTIR EM TECNOLOGIA, ELA DIZ QUE O MAIOR DESAFIO É CULTURAL

A Chiefs Group não abre o faturamento, mas informa que o montante transacionado na plataforma ao longo de 2022, até aqui, foi de 3,76 milhões de reais. O total de tokens emitidos supera 11 milhões de reais.

Em julho, a empresa recebeu um investimento de 1,5 milhão de reais. Os investidores foram a OnePercent, startup gaúcha especializada no desenvolvimento de soluções em blockchain, e a e-volve.one, consultoria de talentos para empresas digitais.

Esses recursos serão alocados na área de tecnologia, para otimizar a plataforma de Open Talent Economy em blockchain. A meta é oferecer uma melhor experiência digital tanto para os Chiefs quanto para as empresas.  

E quais têm sido os desafios do negócio, Cristiane?

“O maior desafio é cultural: as empresas entenderem que o modelo on demand coexiste e agrega valor nas estruturas tradicionais de contratação. É uma maneira de se desafiar, se descobrir e se oxigenar. É sobre inovação”

Dois movimentos recentes embaralham mais o cenário. Nos últimos 12 meses, o Brasil teve novo recorde de pedidos de demissão: 6,467 milhões, o que representa 33% do total de desligamentos, segundo a LCA Consultores. 

Ao mesmo tempo, somente entre startups e empresas de tecnologia rolaram mais de 3 mil demissões entre março e junho – o que indica baixa governança no segmento –, os números são do Layoffs Brasil, banco de dados criado para ajudar os demitidos a se recolocar no mercado. 

Resgatando Pichon-Rivière (1907-1977), psicanalista francês que afirmava que o grupo é o principal instrumento de transformação da realidade, parece que, quando o assunto é relações de trabalho, a Chiefs Group desempenha a função de porta-voz: aquele que expõe as tensões, ansiedades e conflitos do grupo, ainda inerte frente um cenário desafiador. 

É necessário avançar rápido, pois o trabalho mudou e os executivos já viraram a chave”, diz Cristiane. “Agora, são as empresas que terão que se adaptar.”

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DRAFT CARD

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  • Projeto: Chiefs Group
  • O que faz: Plataforma de conexão de executivos e empresas para trabalhos sob demanda
  • Sócio(s): Cristiane Mendes, Bianca Kunz, Diego Rondon, Luis Claudio Allan, Maria Cecília Lanat, Marcelo Marchetti, Vasco Crivelli e Venâncio Veloso
  • Funcionários: Contrata, sob demanda, executivos da própria plataforma
  • Sede: Porto Alegre
  • Início das atividades: 2020
  • Contato: [email protected]
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